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sexta-feira, 8 de maio de 2020

NO CINEMA



NO CINEMA

O cinema são vinte e quatro verdades por segundo.
Jean-Luc Godard

Vinte e quatro vezes por segundo
fujo de mim mesma algo vem
na minha direcção diz: Eu

fujo fico apanhado
nas imagens
que estão a passar um massacre
cada movimento uma volta
durante o sono em vinte e quatro
pedaços por segundo horas
o dia quebrado uma voz
abafada a banda sonora diz: Eu

perdi-me não consigo ver
com todas as imagens garridas o filme
a paragem ver-me em movimento
a vinte e quatro constatações
por segundo mão
enfiada na boca: A vida

dói Senhora dê uma dentada.

Barbara Köhler
(tradução de Vasco Gato)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

A minha independência tem algemas

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Lança a tua sombra sobre os relógios de sol, / e solta ventos sobre os campos lavrados.



''Liberté et patrie'', JLG + Anne Marie Mieville, 2002



Dia de Outono


Senhor: é tempo. O Verão foi muito demorado.
Lança a tua sombra sobre os relógios de sol,
e solta ventos sobre os campos lavrados.

Faz arredondar os frutos temporãos;
dá-lhes inda um par de dias meridionais,
leva-os à sua perfeição e espreme
o final doce e negro do vinho da estação.

Quem agora não tem casa, já nenhuma construirá.
Quem agora está só, vai continuar carente,
vai velar, ler, escrever cartas extensas
e vai cirandar aqui, ali, nas alamedas
sem pouso, entre trémulas folhas densas.


Rainer Maria Rilke

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Happy 88, Monsieur JLG!



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

''Há quem corra por desgosto / porque cansou de gostar''



"The New World" (Godard @ RoGoPaG, 1964) 

Há os que lambem os sorvetes
na ponta do iceberg
Os que fodem bem melhor
entre o primeiro e o quinto
Os que não pedem licença
para chegarem a velhos
E os que guardam esqueletos
em armários sempre abertos
Os que já matam o bicho
ainda o sol não desponta
E os que lêem romances
e ninguém lhes faz de conta.

Há os que correm o risco
de sair mesmo ao papá
Há os que fazem crianças
nos lugares onde se morre
Os que só vestem a roupa
por outros já muito usada
Há os que ousam dizer
se ninguém estiver a ouvir
Há os que gostam da rua
se ela for mal frequentada
E os que saem à semana
pouco antes da madrugada
com ar de cair da cama.

Há quem durma no jardim
mesmo na hora de ponta
Há quem aprenda espanhol
por pura correspondência
Há quem ande mascarado
por horror ao carnaval
Há quem venda o seu cuzinho
para não vender o resto
Há quem cague fora de horas
e coma fora do prato
Há quem seja pau mandado
só para mandar num rebanho
E há quem chore baba e ranho
quando toda a gente se ri
de um disparate tamanho.

Há reis com reis na barriga
e rainhas só de copas
Há segredos que se dizem
só para alguém os guardar
Há todos os que só atraem
para não serem traídos
Há muitos que acendem fogos
que não sabem apagar
Há santos em cada casa
e alguns fazem milagres
E há demónios à solta
que só podem causar danos
a quem conseguir prendê-los.

Há quem fique p’ra morrer
com vontade de matar
Há quem corra por desgosto
porque cansou de gostar
Há quem não saia do sítio
para não perder lugar
Há quem se ponha na fila
para ser mais indiano
Há quem se ponha às escuras
para crescer mais depressa
E há quem acenda uma luz
e a mantenha sempre acesa
para ser sombra chinesa

Regina Guimarães, 40 x Abril

sábado, 23 de junho de 2018

‘‘Onde falta a dúvida falta o saber’’ JLG

 JLG / JLG - Autoportrait de Decembre, Jean-Luc Godard (1994)


sábado, 19 de maio de 2018

Godardland




Cahiers du Cinéma Spécial Godard / 1990

CANNES 2018 / Palme d’or spéciale pour Jean-Luc Godard

Titre français : Le Livre d'image
Sous titre : Image et parole
Réalisation : Jean-Luc Godard

Scénario : Jean-Luc Godard
Montage : Jean-Luc Godard
Production: Fabrice Aragno & Mitra Farahani
Direction de production : Jean-Paul Battaggia

Palme d’or spéciale pour Jean-Luc Godard.
Cette Palme d’or spéciale est destinée, selon Cate Blanchett, « à un artiste qui fait avancer le cinéma », qui « a repoussé les limites, qui cherche sans arrêt à définir et à redéfinir le cinéma ».


sábado, 12 de maio de 2018

CANNES 2018 // Jean-Luc Godard dá conferência de imprensa por FaceTime

quinta-feira, 12 de abril de 2018

JLG is back, tell a friend.


segunda-feira, 9 de abril de 2018

''Sim, que ama a beleza e a nega / Nesta vida sem bordão / Que contra si mesma alega / Que tudo é vão''

 
Liberté et Patrie, Jean-Luc Godard + Anne-Marie Miéville (2002)

No mal-estar em que vivo

No mal-estar em que vivo
No mal pensar em que sinto,
Sou de mim mesmo cativo,
A mim mesmo minto.
Se fosse outro fora outro.
Se em mim houvesse certeza,
Não seria o fluido e neutro
Que ama a beleza.
Sim, que ama a beleza e a nega
Nesta vida sem bordão
Que contra si mesma alega
Que tudo é vão.
2-10-1933
Poesias. Fernando Pessoa
(Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). 
 - 186.

sábado, 7 de abril de 2018

Revolução Salvadora de Poetas

La Chinoise, Jean-Luc Godard, 1967

‘‘Poeta é todo aquele que cria (...) mas a linguagem comum especializou isso num criador que é capaz de juntar música e palavra com um certo sentido, a que chamam de verso e, ao conjunto, a que chamam de poesia. (...) Todos nós nascemos com a possibilidade de criar só que, muitas vezes, não encontramos o campo em que podemos triunfar. Ou a vida nos põe em condições que não permitem, de nenhuma maneira, que a nossa poesia se exprima. (...) Talvez a revolução a fazer no mundo seja a Revolução Salvadora de Poetas, isto é, dar condições materiais de vida a cada criança que nasça para que possa continuar a ser poeta até ao fim.’’ Agostinho da Silva (Conversas Vadias, 1990)

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

''Caminho pelas ruas pedindo licença por ser mulher''

Masculin, Féminin, Godard, 1966

XII
Karine Kelly Pereira

Caminho pelas ruas pedindo licença por ser mulher
Caminho pela casa da mãe pedindo licença por ser triste
Caminho entre os amigos pedindo licença por ser criança
Caminho entre os amores pedindo desculpa por ser simples
E no arrebol, quando o coração em claroescuro desdobra e acelera em trottoir
Coloco meu casaco ocre, busco
na noite
pés pra caminhar.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Vladimir & Rosa


Alain Bergala escreveu em “Cahiers du Cinéma, Spécial Godard” que “Vladimir e Rosa é, até ao dia de hoje, o mais burlesco dos filmes de Godard. Tudo se passa como se, por overdose súbita, o discurso político, desde sempre opressivo, começasse a explodir sobre um fundo de música pop, como num filme dos Marx Brothers ou num desenho animado de Tex Avery. O duplo discurso separa-se, enlouquece, e um filme de amigos (que se divertem visivelmente como loucos com as situações que estão a inventar)  ultrapassa visivelmente o que resta de um superego militante no projecto inicial. (…) Vladimir e Rosa permanecerá para sempre o mais humorado e alegre dos filmes políticos”

sábado, 12 de agosto de 2017

Un film comme les autres

A Film Like the Others -  Jean-Luc Godard, 1968


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Humans were not made to suffer.

British Sounds | Jean-Luc Godard, Jean-Henri Roger, Groupe Dziga Vertov | UK | 1970

5AM & still here = I'm bored + I'm tired + I hate everything + I estimate 1 more hour of work until I call it a day. If you cannot make me COFFEE or bring me CHOCOLATE, please send me MUSIC, good MUSIC ~ if you still like me in spite of complaints via Twitter. Thank you guyzZzZ

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Fiction invaded everything.

Weekend, Godard, 1967

terça-feira, 28 de julho de 2015

tempo VS ritmo







France/tour/detour/deux/enfants (1977)

sábado, 18 de abril de 2015

Mistérios.


A quem profetiza Heráclito de Éfeso? Aos noctívagos, aos magos,
aos bacantes, às ménades, aos iniciados; a estes ameaça com o depois da morte, a estes
profetiza o fogo; pois os considerados mistérios entre os homens impiamente se
celebram.
CLEMENTE DE ALEXANDRIA


Modern Times, Chaplin, 1936

Love with the Proper Stranger, Mulligan, 1963



Andrew Wyeth





''O cinema foi a arte que permitiu às almas viver intimamente as suas histórias.''
Godard

''Hitchcock prova que o cinema, mais do que a fotografia ou o romance, é capaz de mostrar os dados imediatos da consciência."
Manny Farber

domingo, 11 de janeiro de 2015

JLG's ''many thanks''

jlgAdieu au langage recebeu o prémio de Melhor Filme pela  National Society of Film Critics, e Jean-Luc mandou um postal a agradecer.