segunda-feira, 12 de outubro de 2026

sharenting: nas redes, os interesses dos pais e das crianças não são os mesmos:

 


Mais de 1 milhão de crianças foram alvo de ‘deepfakes’ sexuais em 2025, diz Unicef 


Kidfluencers: The business of broadcasting childhood 

How Facebook and Instagram became marketplaces for child sex trafficking






domingo, 11 de outubro de 2026

''esse dom que tu tens...''

 



Alma Viva, Cristèle Alves Meira, 2022


''as coisas vão-se tornando inúteis''

  


entrevista a Noémia Delgado, 1999  
(in CINEASTAS PORTUGUESAS: 1874-1956, 2000)



domingo, 30 de agosto de 2026

''uma ilha de luz isolada no meio da cidade noturna, em que a paixão e a imaginação possam arder livremente''

 

''[...] cada homem, limitado e condicionado pela estrutura ético-social, pelas contingências individuais, como que vive uma vida incompleta, medíocre, em relação à que ele secretamente aspira – a vida de cada um de nós é como uma tragédia truncada, ou uma comédia apenas esboçada... E daí a profunda necessidade de, ao lado da vida, existir um centro, um lugar, uma ilha de luz isolada no meio da cidade noturna, em que a paixão e a imaginação possam arder livremente, até o fim, sem as limitações do cotidiano: e assim, nesta ilha de luz, no Teatro, o homem, cada um de nós, pode ver-se realizado, cumprido integralmente, pode aferir a sua real potencialidade de paixão, saber de quanto amor e ódio, de quanto bem e mal é capaz; o Teatro dá-nos o desenho completo de nós mesmos, a tragédia ou a comédia totais das nossas vidas prisioneiras.'' 


(SANTARENO, 1967, O Tempo e o Modo, n. 50-53, 591-592. Lisboa )

terça-feira, 4 de agosto de 2026

''Pessoas desesperadas, usadas, empurradas e descartadas por um mundo cada vez mais alucinado, onde a performance vale mais do que a política, onde o teatro e os influenciadores têm mais força do que o custo de vida e onde o ódio convence os pobres a votarem contra si próprios, desde que lhes seja permitido atingir outros pobres.''



''O espetáculo mais deplorável de todos não foi aquela gente desesperada a tentar chegar à Europa.
Foram as hienas a lambuzarem-se obscenamente na desgraça, a olharem para aqueles corpos e a calcularem quantos votos, quantos seguidores e quantos pontos políticos poderiam arrancar aos mortos.
Posso compreender os ignorantes que caem na manipulação.
Não desculpo os traidores que fabricam essa manipulação para chegarem ao poder, custe o que custar e morra quem morrer.
Em Ceuta morreram mais de 100 pessoas (segundo o jornal El-Faro de Ceuta).
Mais de 100 seres humanos manipulados para avançarem sobre a Europa, da mesma forma que, dentro da Europa, se manipula o medo e o ódio contra quem tenta chegar cá.
De um lado, usam pessoas desesperadas para atacar fronteiras e pressionar governos.
Do outro, a extrema-direita usa os seus cadáveres para produzir vídeos, fabricar uma “invasão” e alimentar o algoritmo.
Uns transformam seres humanos em munição.
Os outros transformam-nos em conteúdo para as redes.
E o mais revoltante nesta ascensão da direita radical, em Portugal e no resto do mundo, é aquilo que ela nos obriga a reconhecer:
"Estamos rodeados por muito mais gente cruel do que alguma vez imaginámos."
No meio de uma tragédia humana — uma das que mais vidas ceifou em território espanhol desde 2008, excluindo catástrofes naturais —, Espanha tornou-se o alvo.
Um país que, por defender os seus princípios, não se vergou perante Israel, Trump ou a indústria internacional do ódio passou a ser atacado por aqueles que querem uma Europa dividida, paranoica e de costas voltadas para os valores que fizeram dela o continente com alguns dos países de maior qualidade de vida do mundo.
Este lixo corrói a Europa por dentro.
Engole a verdade e cospe ódio, medo e paranoias.
A morte e o desespero são transformados em TikToks, que é basicamente o único trabalho que os deputados do CHEGA fazem.
Um ataque à soberania espanhola, promovido por Marrocos através da instrumentalização e da morte dos seus próprios cidadãos, é respondido dentro da Europa com acusações contra Espanha e com invenções absurdas espalhadas nas redes sociais.
Sim, aquilo que aparece nos vários vídeos são corpos — muitos deles de adolescentes.
São filhos de alguém.
Irmãos de alguém.
Pais de alguém.
Pessoas que queriam uma vida melhor e acreditaram no que lhes foi prometido nas redes sociais.
E já sabemos qual será a reação dos alucinados da extrema-direita... dirão que a culpa foi deles, que ninguém os obrigou a avançar, que “sabiam ao que iam” e que morreram porque quiseram.
Culpam os mortos pela própria morte para não terem de olhar para quem os enganou, quem os empurrou, quem lhes abriu o caminho e quem depois fechou a porta.
Pessoas desesperadas, usadas, empurradas e descartadas por um mundo cada vez mais alucinado, onde a performance vale mais do que a política, onde o teatro e os influenciadores têm mais força do que o custo de vida e onde o ódio convence os pobres a votarem contra si próprios, desde que lhes seja permitido atingir outros pobres.
A diferença entre aqueles que morreram por acreditarem nas mentiras das redes sociais e aqueles que, deste lado, continuam vivos a engolir as mentiras produzidas pela extrema-direita é apenas essa: uns estão mortos e os outros ainda estão vivos.
O lixo que os manipula é o mesmo.
É o lixo dos gabinetes “pseudo-assaltados”, dos vídeos de chuva falsa, dos espasmos esofágicos, dos haitianos que comiam cães e gatos, do falso terrorista “Ali Al-Shakati” chegado de barco ao Reino Unido e dos menores estrangeiros que “recebiam” 4.700 euros por mês em Espanha.
É o lixo das ligações inventadas entre imigração e criminalidade.
É a mentira e teatro como política.
É a confusão propositada entre entradas irregulares e imigrantes que trabalham, têm residência, meios de subsistência e não possuem cadastro...Pessoas a quem se recusa documentação porque alguns partidos descobriram que é politicamente mais útil mantê-las ilegais, vulneráveis e exploráveis.
É este o veneno que contaminou a Europa.
O chico-espertismo no topo e os frustrados ao seu lado a aplaudir o dono.
De um lado, há quem manipule pessoas desesperadas para as lançar contra uma fronteira.
Do outro, há quem use essas mesmas pessoas como bode expiatório, distração e combustível eleitoral.
E, quando se olha com atenção, os que empurram as vítimas do lado de lá e os que exploram os cadáveres do lado de cá parecem sempre demasiado confortáveis uns com os outros.
Mais de 100 pessoas morreram.
E, antes de os corpos arrefecerem, já havia quem estivesse a fazer tik toks...''

 Eduardo Maltez Silva

sábado, 20 de junho de 2026

''A partir de 2027, UK proíbe redes sociais para menores de 16 anos''




Parece-me uma iniciativa copiável e aplaudo o Reino Unido por fazer frente aos gigantes da Big Tech. A expressão ''recolher obrigatório'' indicia já a situação de crise a que a medida responde, pois a utilização das redes por crianças e jovens devia ter sido regulada lá atrás. Mas, na génese da internet, quando um bando de hippies com jeito para a informática inventou a world wide web, o software era open source, o código era uma linguagem democrática e uma ideia de comunidade crescia com optimismo e sem restrições, pela via da partilha gratuita do conhecimento à escala global.

Com a exponenciação massiva da internet como produto, a internet foi colonizada pelos gigantes da Big Tech que cresciam enquanto remodelavam completamente a arquitectura da internet para progressivamente corresponder aos padrões comportamentais dos seus utilizadores, transformando o humaníssimo desejo de comunidade em redes sociais. O ciberespaço expandiu-se de mãos dadas com o capitalismo da vigilância e as redes sociais tornaram-se armazéns de dados voluntariamente cedidos pelos seus usuários.

Nas redes sociais, os utilizadores (''users'') são literalmente designados como os viciados em drogas, pois são constantes cobaias da experiência aliciante que as plataformas actualizam, assim aperfeiçoando a criação de perfis e padrões de engajamento e consumo. A tal ponto, que até já existem retiros de desintoxicação digital, onde os participantes têm de deixar o telemóvel à entrada.

Soma-se uma acumulação colossal de dados que vale mais do que todos os censos, todas as sondagens ou todas as amostragens alguma vez recolhidas. E, para acederem a essa informação como instrumento de ''previsão dos mercados'', as empresas pagam bom dinheiro às redes enquanto os seus utilizadores não pagam nada. ''If you're not paying for the product, the you are the product.''

Assim, face à proposta de lei para um recolher digital, quem se apressa em clamar liberdade (a sua e a dos seus filhos) para usar redes fora do controlo estatal, esquece um facto basilar: a liberdade nas redes não existe. Não é o utilizador quem controla a rede, mas a rede que controla o utilizador.

Já em fase legislativa acelerada, a proibição de redes sociais para menores de 16 anos, contempla TikTok, Instagram, Snapchat, YouTube, Facebook e X.

O Reino Unido não está, no entanto, sozinho neste posicionamento:

A Austrália, é o caso ocidental mais consolidado, com legislação já implementada desde 2025, já restringindo redes sociais a menores de 16;

A França já tem consentimento parental obrigatório para menores de 15; discute agora limites temporais e mecanismos automáticos de suspensão.

A Irlanda ainda não tem um modelo fechado, mas sob forte pressão por ser o coração europeu das Big Tech.

Na Noruega amadureceu, em debate público, propostas para elevar idade mínima digital, com consenso social elevado.

Na Suécia, a medida prossegue em fase experimental, com foco inicial em escolas e limitação de dispositivos; possível extensão futura às plataformas.

A Dinamarca está em fase de estudo político, com forte atenção ao impacto no desenvolvimento cognitivo infantil, mas sem legislação robusta ainda.

A Holanda está em fase de ensaio: medidas escolares já activas; transição provável para regulação doméstica.

No Canadá, algumas províncias avançaram mais depressa nesta legislação, sem quadro federal unificado.

Em Espanha, começou a discutir-se a verificação etária e o uso escolar, mas sem arquitectura legal definida.

Em Itália, a pressão social é crescente, após casos mediáticos e preocupação parental, mas a resposta legislativa é ainda difusa.

Se esta medida já chega como contenção de danos, não faltam estudos recentes que co-relacionam a deterioração da saúde mental de crianças e jovens, ao acesso permanente às redes sociais nos telemóveis. Já estudadas, são várias as consequências desta exposição sobre os jovens: entre elas, a chamada ''mineração da atenção do utilizador'', a radicalização, sujeição a padrões irreais de lifestyle e consequente comparação social, a aceleração, o défice de atenção, a fragilização identitária, a exposição a violência simbólica ou a erosão do tempo lento necessário à formação do pensamento. A chamada adultização das crianças, está explícita no documentário da BBC News Brasil ''Como pular etapas na infância afecta o desenvolvimento''.


Veja-se ainda na Netflix o documentário The Social Dilemma. Armazenados os seus chorudos milhões de dólares no banco, são agora os inventores destas redes que aqui vêm avisar sobre os seus malefícios. E mesmo depois de verem o edifício a arder em múltiplas frentes, ainda assim sabem como hoje seria financeiramente inviável domar o monstro face aos accionistas (share-holders). Então, abandonam Silicon Valley em busca da redenção, e pedem perdão ao Mundo depois de ajudarem a destruí-lo.

Este documentário demonstra como a necessidade biológica de comunidade inscrita na evolução humana é tanto o factor que explica a adesão massiva às redes, como o que mais sai lesado pela sua utilização. A corrosão dos laços sociais no mundo físico em que a sociedade ancestralmente assenta, segue a par com a polarização, a radicalização e o extremismo, renomeando o presente como uma ''era da desinformação''.



Um recente julgamento histórico nos EUA deu, em 2026, a vitória em tribunal à jovem Kaley G.M, de 20 anos, que recebeu uma indemnização de 6 milhões de dólares num processo contra a Meta Platforms, Inc. e a Google LLC.

Essencialmente, Kaley começou a usar YouTube aos 6 anos, entrou no Instagram aos 9, e alegou que os mecanismos de scroll infinito, autoplay e recomendação algorítmica criaram adição, resultando em ansiedade severa, dismorfia corporal e depressão. O tribunal deu-lhe razão, sublinhando que, se o algoritmo é desenhado para capturar compulsivamente a atenção, então o problema está na arquitectura da máquina, e não somente no conteúdo de terceiros que aloja. Além de juridicamente revolucionário, abriu o diálogo para a necessidade de mudança.

Ao dinamizar pessoalmente actividades com crianças, oiço-os constantemente a combinarem, para mais tarde, encontros no Roblox (passei a conhecer esta plataforma gratuita de jogos), trocando os seus ''nicknames'' para se amigarem nessa rede. Como noutras redes, o vício no Roblox instala-se nas crianças devido ao seu design como slot-machine: ganham-se moedas, desbloqueiam-se pets, sobem-se níveis, encontram-se itens raros. Para além disso, há a customização do avatar e a socialização, que catalisa na criança a sua natural necessidade de pertença.


"Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente."

Jiddu Krishnamurti

O diagnóstico de uma sociedade doente é o estado de crise que, sob vários ângulos, se associa colectivamente ao viver contemporâneo. E se a infância está sob ataque, é preciso recordar (da psicologia, da psiquiatria, da neurologia ou da pedagogia), como se forjam nela os alicerces de toda vida em diante. Cuidar das crianças é cuidar do nosso futuro enquanto sociedade.



 





MAIS INFO:

DN / Lusa: 26 Maio 2026

https://www.dn.pt/sociedade/pode-o-uso-das-redes-sociais-ser-to-prejudicial-como-o-tabaco-mdicos-do-reino-unido-dizem-que-sim



 ''Os nativos digitais são os primeiros filhos a terem um QI inferior ao dos pais. Após milhares de anos de evolução, o ser humano está agora a regredir em termos cognitivos e de capacidades intelectuais — por culpa da exposição excessiva a ecrãs.''

Michel Desmurget, in A FÁBRICA DE CRETINOS DIGITAIS, 2021


"As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis. Dão-lhes o direito de falar quando antes só falavam num bar depois de um copo de vinho, sem prejudicar a comunidade... mas agora têm o mesmo direito de falar que um vencedor do Prémio Nobel. Dos idiotas." 

Umberto Eco, 2015


domingo, 7 de junho de 2026

''Posso pão?''

 

Nos últimos anos, tem-se generalizado entre as crianças uma simplificação da linguagem, omitindo os verbos principais e deixando apenas os auxiliares (exemplo: "posso água?" em vez de "posso beber água?"). Especialistas apontam a pressa, os ecrãs e os vídeos rápidos como causas dessa "preguiça linguística''. Mas, sendo Portugal um dos países onde as crianças passam mais horas na escola face à média europeia, também pode ser sintoma do seu cansaço. 


“Portugal é um dos países da União Europeia onde as crianças passam mais tempo na escola. Entre os 6 e os 11 anos, muitas passam cerca de 38 horas semanais em creches ou escolas.”

Imprensa | Pordata



Consoante aponta o psicólogo Alfredo Leite,  a pobreza de linguagem conduz a uma pobreza de pensamento. O mesmo psicólogo aponta como inteligência emocional, no âmbito da infância, é ''ter vocabulário para o caos interno''. Para auxiliar a sua compreensão de si e do mundo, cabe-nos hoje puxar pelas nossas crianças, insistindo para que terminem correctamente as frases.









RIP Marjane Satrapi

 


sábado, 6 de junho de 2026

“Porque é que alguns britânicos não gostam de Donald Trump?”

Nate White, um escritor inglês, escreveu a seguinte resposta:

''A few things spring to mind.

Trump lacks certain qualities which the British traditionally esteem.

For instance, he has no class, no charm, no coolness, no credibility, no compassion, no wit, no warmth, no wisdom, no subtlety, no sensitivity, no self-awareness, no humility, no honour and no grace – all qualities, funnily enough, with which his predecessor Mr. Obama was generously blessed.

So for us, the stark contrast does rather throw Trump’s limitations into embarrassingly sharp relief.

Plus, we like a laugh. And while Trump may be laughable, he has never once said anything wry, witty or even faintly amusing – not once, ever.

I don’t say that rhetorically, I mean it quite literally: not once, not ever. And that fact is particularly disturbing to the British sensibility – for us, to lack humour is almost inhuman.

But with Trump, it’s a fact. He doesn’t even seem to understand what a joke is – his idea of a joke is a crass comment, an illiterate insult, a casual act of cruelty.

Trump is a troll. And like all trolls, he is never funny and he never laughs; he only crows or jeers.

And scarily, he doesn’t just talk in crude, witless insults – he actually thinks in them. His mind is a simple bot-like algorithm of petty prejudices and knee-jerk nastiness.

There is never any under-layer of irony, complexity, nuance or depth. It’s all surface.

Some Americans might see this as refreshingly upfront.

Well, we don’t. We see it as having no inner world, no soul.

And in Britain we traditionally side with David, not Goliath. All our heroes are plucky underdogs: Robin Hood, Dick Whittington, Oliver Twist.

Trump is neither plucky, nor an underdog. He is the exact opposite of that.

He’s not even a spoiled rich-boy, or a greedy fat-cat.

He’s more a fat white slug. A Jabba the Hutt of privilege.

And worse, he is that most unforgivable of all things to the British: a bully.

That is, except when he is among bullies; then he suddenly transforms into a snivelling sidekick instead.

There are unspoken rules to this stuff – the Queensberry rules of basic decency – and he breaks them all. He punches downwards – which a gentleman should, would, could never do – and every blow he aims is below the belt. He particularly likes to kick the vulnerable or voiceless – and he kicks them when they are down.

So the fact that a significant minority – perhaps a third – of Americans look at what he does, listen to what he says, and then think ‘Yeah, he seems like my kind of guy’ is a matter of some confusion and no little distress to British people, given that:
* Americans are supposed to be nicer than us, and mostly are.
* You don’t need a particularly keen eye for detail to spot a few flaws in the man.

This last point is what especially confuses and dismays British people, and many other people too; his faults seem pretty bloody hard to miss.

After all, it’s impossible to read a single tweet, or hear him speak a sentence or two, without staring deep into the abyss. He turns being artless into an art form; he is a Picasso of pettiness; a Shakespeare of shit. His faults are fractal: even his flaws have flaws, and so on ad infinitum.

God knows there have always been stupid people in the world, and plenty of nasty people too. But rarely has stupidity been so nasty, or nastiness so stupid.

He makes Nixon look trustworthy and George W look smart.

In fact, if Frankenstein decided to make a monster assembled entirely from human flaws – he would make a Trump.

And a remorseful Doctor Frankenstein would clutch out big clumpfuls of hair and scream in anguish:

‘My God… what… have… I… created?

If being a twat was a TV show, Trump would be the boxed set.”