Não consigo descrever o grau de indignação que sinto ao observar como se normaliza a violação da infância nos meios de comunicação social SIC Notícias / Expresso. Ouvir crianças de 13 e 15 anos a serem expostas a conteúdos sexuais por adultos que assumem estar a dar-lhes a palavra pela celebração do ''Dia da Criança'' - gritemos então juntos a palavra CRIANÇA - só pode ser profundamente ilegal e espero que punível pelas autoridades competentes. Se há lugar para educação sexual em casa e nas escolas, expôr (ainda para mais fazendo uso das suas imagens públicas) as crianças a estes temas é uma instrumentalização grave destes menores. Eles são aqui chamados para o meio sem razão alguma: quem produz e quem consome o Expresso e a Sic Notícias são adultos. E já agora, porque é que começa por haver uma CRIANÇA na fotografia de publicidade a este podcast? O distúrbio mental está tão disseminado que nem se dá por ele.
''o grande desafio que nós, adultos, enfrentamos no momento presente reside na coragem de não permitirmos que o maravilhamento que alimenta a infância seja prematuramente apagado da alma de cada criança''
LEONOR MALIK
À procura de formar-me como melhor mãe e educadora, recentemente tive o privilégio de ir escutar a grande pedagoga Drª LEONOR MALIK, num encontro preambular ao que espero ser um percurso mais longo nos seus ensinamentos - e, entre suspiros, o tema ''a extinção da infância'' em curso foi aflorado. Parecia óbvio para esta doutorada em Ciências da Educação (com especialização Waldorf) como há problemas sérios decorrentes da exposição desregulada das crianças a ecrãs e, por conseguinte, da crescente absorção de conteúdos que a infância não tem ferramentas cognitivas para encaixar. Não tem nem deve ter: enquanto a teoria dos seténios da antroposofia de Steiner explica como, entre as fases evolutivas do seu desenvolvimento, o humano atinge a maioridade aos 21 anos, torna-se claro como, no presente, há uma desregulação social (e parental) que esmifra a infância para fora das crianças. Por ser um fenómeno tão contemporâneo, não se conhecem ainda as consequências psicológicas desta desregra na sua chegada à idade adulta - mas hoje, mais do que um dever, é a missão dos pais, educadores e professores a restituição da infância como derradeiro bem a ser preservado - pois, lembremos, a infância é um ganho histórico recente! A Carta Universal dos Direitos da criança da ONU é de 1959, nem cem anos tem.
ESTUDO DA ERC: CRESCENDO ENTRE ECRÃS - uso de meios electrónicos por crianças 6-8






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