Em conversa ocasional, um familiar meu citava André Ventura (numa das suas frases mais grunhas), e então perguntei-lhe directamente:
- Vota Chega, agora?
- Votei e vou voltar a votar!
Duas frases depois, desdenhava da burocracia do Estado Português, que ainda não lhe tinha dado a reforma, enquanto já recebia a sua pensão de França, onde esteve emigrado por vinte anos. Ou seja: gosta de usufruir das benesses de ter estado numa economia mais avançada do que a do lugar onde nasceu, mas quer os imigrantes fora de Portugal e que ninguém tenha oportunidades no País que não os portugueses. Exactamente a mesma mentalidade pequenina desses emigrantes que, no estrangeiro, votam Chega, mas que não querem realmente ficar em Portugal: estão à distância da propaganda online e ensopados das máximas salazarentas e folclóricas que Ventura prega, e vêem-no como restaurador de uma qualquer Portugalidade (esse ‘‘Bom Povo Português’’) que nunca existiu. E, tantas vezes esquecendo-se até de que descendem de quem foi para fugir ao Salazarismo, vão agora, em dia de eleições, subscrever aquele que quer um Salazar em cada esquina! De facto, a única coisa que emigrantes e luso-descendentes querem é que no Verão, quando vierem à terrinha exibir o Mercedes comprado com o ordenado da Alemanha ou da Suíça ou do Luxemburgo, Portugal ainda cheire a sardinhas e fumeiro e não a caril. Mas trabalhar cá? Nunca! Construir uma segunda casa e viver cá com a reforma de lá, isso sim! Votam na extrema direita para Portugal mas não lembram como, se a extrema direita chegasse ao leme num desses países onde vivem melhor e houvesse uma espécie de ICE (como a de Trump), possivelmente voltavam recambiados à força!
O que há de diferente entre um português que sai para a Europa para procurar melhores condições de trabalho e de vida, de um bangladeshi que vem para Portugal para procurar melhores condições de trabalho e de vida? Vincam-se diferenças ilusórias, que engendram o medo e escalam a violência. Este Ventura que papagueia ‘‘Deus, Pátria, Família e Trabalho’’, e que faz questão de lembrar, no directo televisivo, que vai à missa, só tirou da religião do Livro o ódio ao Outro. E tal como Salazar antes de si, que em nome de Deus e da Pátria propagou um imperialismo racialista e bélico e alimentou uma guerra colonial, também Ventura tem no Colectivo 1143 um braço armado, assim como o tem nos infiltrados nas forças de segurança que torturam imigrantes com sadismo. E com a mesmíssima passivo-agressividade do tom suave de sacristia, vem o fascismo corroendo devagarinho, legitimando-se entre slogans e frases-efeito, que ecoam e são repetidas por quem as ouve.
Nas próximas presidenciais, votar em António José Seguro é votar contra o neo-salazarismo de Ventura e do Chega (esse esquadrão de racistas, xenófobos, ladrões, pedófilos, trumpistas, nazis e arruaceiros, que mancham de crime as notícias semanais). Votar em António José Seguro é votar pela democracia e contra o fascismo.
''Quem dorme em democracia, acorda em ditadura.''







Sem comentários:
Enviar um comentário