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terça-feira, 6 de novembro de 2018

#sayseatakeme

Enchanted Island, Allan Dwan, 1958

Pearl of the South Pacific  Allan Dwan, 1955



POEMA PARA EMILY DICKINSON

Há um barco que espera por um barco,
Um recado para este mensageiro
Um tão grande recado,
Que se ignora onde o barco foi lançado ao mar.
Na tempestade que surgiu,
Só o leme do barco destroçado veio dar ao poema.

LLANSOL, Maria Gabriela. Onde vais, drama-poesia?
Lisboa: Relógio d’água, 2000

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

''Lá vai a bicicleta do poeta em direcção ao símbolo''


Montana Belle, Allan Dwan, 1952


Lá vai a bicicleta do poeta em direcção
ao símbolo, por um dia de verão
exemplar. De pulmões às costas e bico
no ar, o poeta pernalta dá à pata
nos pedais. Uma grande memória, os sinais
dos dias sobrenaturais e a história
secreta da bicicleta. O símbolo é simples.
Os êmbolos do coração ao ritmo dos pedais —
lá vai o poeta em direcção aos seus
sinais. Dá à pata
como os outros animais.
O sol é branco, as flores legítimas, o amor
confuso. A vida é para sempre tenebrosa.
Entre as rimas e o suor, aparece e desaparece uma rosa. No dia de verão,
violenta, a fantasia esquece. Entre
o nascimento e a morte, o movimento da rosa floresce
sabiamente. E a bicicleta ultrapassa
o milagre. O poeta aperta o volante e derrapa
no instante da graça.
De pulmões às costas, a vida é para sempre
tenebrosa. A pata do poeta
mal ousa agora pedalar. No meio do ar
distrai-se a flor perdida. A vida é curta.
Puta de vida subdesenvolvida.
O bico do poeta corre os pontos cardeais.
O sol é branco, o campo plano, a morte
certa. Não há sombra de sinais.
E o poeta dá à pata como os outros animais.
Se a noite cai agora sobre a rosa passada,
e o dia de verão se recolhe
ao seu nada, e a única direcção é a própria noite
achada? De pulmões às costas, a vida
é tenebrosa. Morte é transfiguração,
pela imagem de uma rosa. E o poeta pernalta
de rosa interior dá à pata nos pedais
da confusão do amor.
Pela noite secreta dos caminhos iguais,
o poeta dá à pata como os outros animais.
Se o sul é para trás e o norte é para o lado,
é para sempre a morte.
Agarrado ao volante e pulmões às costas
como um pneu furado,
o poeta pedala o coração transfigurado.
Na memória mais antiga a direcção da morte
é a mesma do amor. E o poeta,
afinal mais mortal do que os outros animais,
dá à pata nos pedais para um verão interior.
Herberto Helder, in “Poesia Toda” assírio & alvim, 1981

domingo, 28 de dezembro de 2014

"Só a tradição é o meu amor. "

La Ricotta, Pasolini, 1965

Manderlay / Dragonwyck
- Rebecca, Hitchcock, 1940
- Dragonwyck, Joseph L. Mankiewicz, 1946











La Corne d'Or (Maurice Pialat, 1964)










Byzance (Maurice Pialat, 1964)






“Lovely sight, the Apocalypse!''

Bosphore(Maurice Pialat, 1964)






Robin Hood, Allan Dwan, 1922


Die NibelungenSiegfried, Fritz Lang, 1924






The Ninth Gate (1999), Roman Polanski

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Doorkijkje





"Miracolo a Milano" 1951, Vittorio de Sica


The Slippers, Samuel van Hoogstraten, 1654-62

La fille de nulle part, Brisseau

Image
La bande des quatre / Gang of Four (Jacques Rivette, 1988)

domingo, 14 de abril de 2013

Sorte


The Iron Mask (1929) Allan Dwan

“Todo aquele que trema um segundo deixa talvez fugir a oportunidade que precisamente durante esse segundo a sorte lhe oferecia.”
Alexandre Dumas, in Os Três Mosqueteiros

sábado, 30 de março de 2013

Sonhos de ir

Enchanted Island, Dwan, 1954



Sea Devils, Walsh, 1953

Band of Angels, Walsh, 1957

domingo, 1 de março de 2009

LOVE IS MADNESS.

“We loved with a love that was more than love.” 
 ― Edgar Allan Poe


Rip Tide ( Allan Dwan, 1934)


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

A cidade contra os corpos.



"A mind of a certain size can feel only exasperation toward a city. Nothing can drive me more fully into despair. The walls first of all, and even then all the rest is only so many horrid images of selfishness, mistrust, stupidity, and narrow-mindedness. No need to memorize the Napoleonic code. Just look at a city and you have it. Each time I come back from the country, just as I am starting to congratulate myself on my calmness, there breaks out a furor, a rage... And I come upon my mark, homo sapiens, the acquisitive wolf. Cities, architectures, how I loathe you! Great surfaces of vaults, vaults cemented into the earth, vaults set out in compartments, forming vaults to eat in, vaults for sex, vaults on the watch, ready to open fire. How sad, sad..." 
Henri Michaux






Repete-se sempre como a história do cinema acompanha o crescimento da habitação urbana no século XX, com o cinema a nascer como o grande entretenimento para as massas que, em parte constituídas por gentes rurais aí chegadas sem instrução, encontravam imediata compreensão na popularidade do cinema mudo. Mas, se o cinema noir viveria intimamente do mistério do ambiente urbano, em cativantes quadros nocturnos de show girls, bares para solitários e clubes de jazz, nos primórdios do cinema o tom era outro - aí, a cidade existe contra os corpos, foge à escala humana. Antes do entusiasmo das sinfonias urbanas do final dos anos 20, a cidade tende a ser retratada como um ambiente hostil, pontuada pela pobreza generalizada (a personagem do Tramp de Chaplin surge pela primeira vez em 1914), pelo vício (Sunrise de Murnau, 1927, é um emblema da desconfiança no carácter das pessoas da cidade face às do campo), pelo álcool, pela exploração do corpo, pelo crime e pelo ludibrio (uma falta de esperança geracional estudada, por exemplo, em Regeneration de Raoul Walsh, 1915), ou descrita como o último reduto das expectativas infelizes dos que dependem das oportunidades materiais da cidade mas que dela anseiam por fugir (City Girl, Murnau, 1930). Mesmo um cenário de especulação futurista como Metropolis (Fritz Lang, 1929), dá uma definição-tipo de cidade: uma máquina de relações assente numa estrutura de desigualdade, que opõe os arranha-céus de uma elite de privilegiados aos subterrâneos infernais onde a maioria é escravizada em trabalhos forçados.


- But where am I to go? What am I to do ? 

- If I had a face and a figure like yours, I wouldn't ask silly questions.


Helen Mack 
in
While Paris Sleeps (Allan Dwan, 1932)


Talvez só com a Nova Vaga e com o princípio do cinema independente norte-americano cheguemos em pleno ao mais liberto dos retratos da cidade, diurno, livre, à medida do flâneur e como fórum de intervenção e de acção política por excelência. Aqui começam os situacionismos.
Paris, Mai 68

domingo, 26 de fevereiro de 2006

''pride comes before a fall''

Josette, Allan Dwan, 1938