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terça-feira, 6 de novembro de 2018

#sayseatakeme

Enchanted Island, Allan Dwan, 1958

Pearl of the South Pacific  Allan Dwan, 1955



POEMA PARA EMILY DICKINSON

Há um barco que espera por um barco,
Um recado para este mensageiro
Um tão grande recado,
Que se ignora onde o barco foi lançado ao mar.
Na tempestade que surgiu,
Só o leme do barco destroçado veio dar ao poema.

LLANSOL, Maria Gabriela. Onde vais, drama-poesia?
Lisboa: Relógio d’água, 2000

domingo, 9 de setembro de 2018

''O corpo demora a experimentar.''

Alexander’s Ragtime Band | Henry King | 1938

Não se convence que a escrita e a vida vão a par,
Descontadas diferenças de velocidade e alguma
Galhardia no tempo. O corpo demora a experimentar.
Usa-se. É o facto dos afectos. Entrou na vida? Entrou
Na escrita floral dos fiéis de amor. Não quer, todavia,
Abri-la, ainda menos lê-la. E tão teimosamente o faz
Que dificilmente um novo perfume entre sede e planta
Lhe subirá pelo caule. Ó rapariga, quando te irá cheirar
A luar libidinal?

domingo, 24 de junho de 2018

''Velar as janelas com um suspiro próprio.''

maria gabriela llansol / saber esperar alguém




 Les Jours où je n'existe pas (Fitoussi, 2002)

Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar
Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza
Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. Soprá-la para dentro de ti -------------------
----------------------------- até que a dor alegre recomece.

sábado, 29 de novembro de 2014

Tout va bien.

( place = everything is in its right place )

“É a minha própria casa, mas creio que vim fazer uma visita a alguém”
Maria Gabriela Llansol

Le Horla, 1966, Jean-Daniel Pollet

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Metamorfose.



“Sinto-me mal. O meu sexo acaba de ser determinado.
MARIA GABRIELA LLANSOL




Irving Penn

Diane Arbus


Irving Penn


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

What makes life move forward.

Jauja, Lisandro Alonso, 2015



deixemos para cada um o seu provisório, para nós todos a vida eterna.


Maria Gabriela Llansol

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Em folhas era amá-lo.

Como a chuva não cessasse de cair em caudais,
Tiras de tinta começaram a aparecer na fotografia
O tecto da chuva rompera o abrigo da sua alma
E o verde circulava a deriva rompendo as plantas.
Elvira deixara cair seus olhos de objectiva nas
Folhas verdes. Verificava que era sobre elas e como
Elas que sempre olhara a natureza. Ver o real
Em folhas era amá-lo ininterruptamente. Essa
Contiguidade acabara por compor uma rede
Que tinha tanto de próximo como de diferente,
E a chuva não era chuva, transparecia. Eis, pensou.
Por que chove na fotografia, por que chove
Em correntes sobre as folhas?
Maria Gabriela Llansol

Rodney Smith

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Sobre o que escolhemos e o que nos foi imposto :



“Sinto-me mal. O meu sexo acaba de ser determinado.”
MARIA GABRIELA LLANSOL







Sarah Lucas