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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

(a liberdade quer liberdade)

(...)
Tudo experimente o homem, dizem os deuses,
Que ele, alimentado com forte mantença, aprenda a ser grato por [tudo,

E compreenda a liberdade

De partir para onde queira.
HOLDERLIN







domingo, 7 de dezembro de 2014

o poema curto

O poema conciso

Porque és tão curto ? Já não amas, como noutros
Tempos, o cântico ? Nesse tempo , ainda jovem,
Quando em dias de esperança cantavas,
Nunca encontravas o fim.

Como a minha sorte, assim é minha canção. Queres-te
banhar, feliz, no pôr do Sol? Já passou! E a
Terra é fria e o pássaro da noite sibila,
Incómodo, perante os teus olhos.
Holderlin



Women of Ryazan, Olga Preobrazhenskaya 1927

Nana, Jean Renoir, 1926

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Senhor do Tempo.

Cavalo de Turim, Bela Tarr, 2011
(...)
Pois há muito era ele grande de mais para senhor do tempo,
E muito ao longe se estendia o seu campo, mas quando é que ele
o esgotou?
Uma vez porém pode um deus também escolher trabalho-de-dias
Tal como os mortais e partilhar de todo o destino.
Lei-do-destino é: Que todos se aprendam,
Que, quando o silêncio volte, haja também uma língua.
Mas onde o espírito actua, nós estamos com ele, e disputamos
O que seja o melhor. Assim me parece agora o melhor
Que, agora que está acabada a sua imagem e o mestre está
pronto
Ele mesmo, por ela iluminado, saia da sua oficina,
O calmo deus do tempo, e que só do amor a lei,
Que tudo harmoniza em beleza, valha daqui ao céu.
(...)
excerto de "A Festa da Paz", Holderlin

domingo, 8 de abril de 2012

Se escutares com atenção, ouves dos dias que já foram.








" O meu peito inflamava-se em grandes esperanças e nos meus pulsos fazia-se sentir a alegria da imortalidade, quando eu me movia entre magníficos projectos, como na ampla noite das florestas, quando, feliz como os peixes no oceano, avançava cada vez mais, infinitamente mais, no meu futuro sem limites (...) "
Holderlin, "Hipérion, ou o Eremita da Grécia", 1804


" Frédéric pensava no quarto que ia ocupar, no plano de um drama, em temas para quadros, em paixões futuras. Achava que a felicidade merecida pela excelência da sua alma tardava a chegar. Declamou para si próprio versos melancólicos (...) "
Gustave Flaubert, "A Educação Sentimental", 1869




C. T. Dreyer, The Witch Woman, 1920

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Callipolis

...

É pelo sonho que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

...


(Woman and the trees, 1930's)

"A cada passo se formam por aí grupos literários. Há-os em todas as gerações. Os rapazes sentiram sempre necessidade de comunicar e e juntam-se conforme o acaso, as afinidades ou as aspirações.
É um momento delicioso que nos deixa para sempre um nada de poeira no fundo da alma - algum pó dourado que teima em reluzir até ao fim da vida. Já o passado fica muito longe, já as figuras de apagadas mal se distinguem e ainda a poeira do sonho teima lá no fundo (...)
Em qualquer recanto, num café, entre quatro paredes que não importam, porque por mais denegridas que sejam, a nossa alma tem o poder extraordinário de tudo transformar, falamos ao mesmo tempo e com o mesmo entusiasmo, repartindo sonho às mãos-cheias. É então visível e quase tangível a auréola que se forma sobre as cabeças de vinte anos.
(...) Aos que se alimentam de sonho chega o momento em que não podem viver. A realidade não perde os seus direitos. Raia o dia em que se impõe por força e então o sonhador é colhido e triturado por a ter esquecido. É o ponto trágico em que reconhece com espanto que não pode viver - que não sabe viver, e procura a morte, não para se aniquilar, mas como quem busca um sonho maior, um sonho sem contrariedades e de que se possa à vontade fartar..."
A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore. Raul Brandão, 1926


A idade.
Quem de forma justa e sagrada
Passa a vida,
Docemente alimentando-lhe o coração,
Longa vida criando,
A esse acompanha-o a esperança, que
À maioria dos mortais
Rege a tão versátil opinião.

Uma das mais belas imagens da vida, o modo como os costumes inocentes preservam o coração vivo, de onde nasce a esperança; esta concede então também à simplicidade um florescimento, com as suas diversas tentativas, e torna ágil o sentido, e tão longa a vida, na sua demora precipitada.
Holderlin, in "Fragmentos de Píndaro"

"A personalidade é um trabalho onde se entra, requer esforço."
GONÇALO M. TAVARES, in "Um homem: Klaus Klump"





quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Weltschmerz.


E agora José? 

(Carlos Drummond de Andrade)

E agora, José?


A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, proptesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você consasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

... Cada um de vós é um mundo, como estrelas do céu vós  viveis, um deus cada qual, juntos em livre união. Pudesse eu tolerar a servidão, e já não invejava Este bosque e bem me amoldava à vida em comum. Não me prendesse já a vida em comum o coração, Que não deixe de amar, como eu gostava de morar entre vós! 
excerto de "Os Carvalhos", de Holderlin, in Poemas


"I don't like you being lunatic."
in A woman under the influence, Cassavetes



ひきこもり or 引き籠もり

Gustave Doré’s illustration of Lord Alfred Tennyson’s “Idylls of the King”, 1868.


Dear Dead Days, Chas Addams, 1959

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Da Natureza, da Arte ou da Vida.



"Para um criador, uma teoria não é nada, não serve senão para as pessoas já mortas."
FRITZ LANG
entrevista a Jean Demarchi e Jacques Rivette
Cahiers nº99, Set. 1959



"A obra de arte é de uma solidão sem fim, e nada está mais longe de tocá-la do que a crítica."
RAINER MARIA RILKE
Cartas A Um Jovem Poeta


"...E é isto, meu caro! É isto que nos torna pobres no meio das riquezas: por não podermos estar sós, por o amor não morrer em nós enquanto vivermos. Dá-me de novo o meu Ádamas e vem com todos os que me pertencem, para que o antigo mundo belo entre nós se renove, para que nos reunamos e unamos nos braços da nossa divindade, da Natureza...."
FRIEDRICH HOLDERLIN
in Hipérion ou O Eremita Da Grécia











"Caça ao Coelho com Pau", Pedro Costa, 2007


Tarrafal, Pedro Costa, 2007


quinta-feira, 15 de maio de 2008

''We were eager to have done and trusted to luck'' Holderlin

O Barão, Edgar Pêra, 2011

segunda-feira, 10 de março de 2008

Absoluto Mundo Instante.

"Que são as acções e os pensamentos dos homens ao longo dos séculos perante um único instante de amor?"
Holderlin

by Lara Jade