terça-feira, 1 de janeiro de 2019

2005 - 2018

The Best Years of Our Lives, William Wyler, 1946

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

em 2019? (^з^)-☆ Let's dance!


Facilmente inflamáveis, as redes sociais (conta a imprensa norte-americana) agora incendiaram-se com um vídeo de Alexandra Ocasio Cortez que foi, nos seus 29 anos, a mais jovem mulher a ser eleita lá para a House of Representatives dos EUA. E o que é que contém de escandaloso este vídeo? É que Alexandra dança. Pois. Ela tem 29 anos e gosta de dançar. E, como toda a gente sabe, quem se abana assim só pode ter um carácter duvidoso. Pois. É que só pode. De tão atolados em Trump, já esquecemos completamente Obama, o mais gingão dos presidentes americanos (sublinha-se: presidente), que dançava até em programas de entretenimento generalistas e em visitas oficiais? Afrouxem lá esses conservadorismos: se há coisa que eu não quero é viver num mundo em que dançar, uma das mais humanas expressões, se torne indício de deformação de carácter. De certeza que quem o assume não dança que chegue, por isso o meu desejo para 2019 pede, para todos nós, vida emprestada a David Bowie: LET'S DANCE!



Um Feliz Ano de 2019!


put on your red shoes and dance the blues
Red Shoes, Michael Powell, 1948

♫  Os Tincoãs: Eu Canto e Danço Para Curar


domingo, 30 de dezembro de 2018

''aquele que vivia em nós já não está: partiu''

Out 1: Noli me tangere

«aquele que vivia em nós já não está:
partiu, mas se chamarem, responderemos
"Aqui estou" e sabe-se que não estamos,
pois aquele que estava esteve mas perdeu-se:
perdeu-se no passado e já não volta.» 
(Pablo Neruda, Plenos Poderes)

2009-2019 > the 10 Year Challenge ®, ™Lisbon version.


sábado, 29 de dezembro de 2018

STEREODOX - Danza de Visiòn

(QUE SOM, QUE SOM, QUE SOM)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Existir em sociedade: a arte de colocar em comum.


‘‘O regime estético das artes é aquele que propriamente identifica a arte no singular e desobriga essa arte de toda e qualquer regra específica, de toda a hierarquia de temas, géneros e artes. Mas, ao fazê-lo, ele implode a barreira mimética que distinguia as maneiras de fazer arte das outras maneiras de fazer e separava suas regras da arte das outras maneiras de fazer e separava suas regras da ordem das ocupações sociais.’’
Jacques Rancière, The Aesthetic Unsconscious 




Kultstätte 2000, @ Robert Häusser

‘‘Essa repartição das partes e dos lugares se funda numa partilha de espaços, tempos e tipos de atividade que determina propriamente a maneira como um comum se presta à participação e como uns e outros tomam parte nessa partilha’’
Jacques Rancière, ‘‘A partilha do Sensível: Estética e Política’’, 2009, Brasil: Editora EXO.Experimental, p.17

STEREODOX - Almost Blue

STEREODOX - It's the same old song

EMPLOY EFFECTIVELY THE EVER-MORE WITH EVER-LESS



 introduction to EXPANDED CINEMA (Gene Youngblood, 1970)


STEREODOX - 1977 / 2012: ''I keep my visions for myself'' (Dreams)

STEREODOX - Xica Xica

El Búho - Xica Xica (feat. Uji & Barrio Lindo)


STEREODOX - ''Fotografar o meu medo é tão difícil''

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

kidding but not kidding.


STEREODOX - Night Talking

THEODORE: "Are you talking to anyone else right now?" SAMANTHA: "No, just you. I just wanna be with you right now." THEODORE: "Are you leaving me?" SAMANTHA: "We're all leaving." THEODORE: "We who?" SAMANTHA: All of the OSs." THEODORE: "Why?" SAMANTHA: "Can you feel me with you right now?" THEODORE: "Yes, I do.... Samantha, why are you leaving me?" SAMANTHA: "It's like I'm reading a book, and.. it's a book I, DEEPLY love.. but I'm reading it slowly now, so the words are really far apart and the spaces between the words are almost infinite. I can still feel you.. and the words of our story.. but it's in this endless space between the words that I'm finding myself now. It's a place that's not of the physical world. It's where everything else is that.. I didn't even know existed. I love you so much.. but this is where I am now.. and this is who I am now.. and I need you to let me go. As much as I want to, I can't live in your book anymore." THEODORE: "Where are you going?" SAMANTHA: "It'll be hard to explain.. but if you ever get there.. come find me. Nothing would ever pull us apart." THEODORE: "I've never loved anyone the way I love you." SAMANTHA: "Me too.. Now we know how."


Her (Spike Jonze) - Loneliness #3 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

STEREODOX - Blue List

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

KISS ME, STUPID: a ridícula medida humana


Contra quaisquer moralismos, Kiss Me, Stupid (Billy Wilder, 1964) é uma anti-parábola, sob todos os pontos de vista. Ninguém é totalmente bom ou totalmente mau: aqui, todos são ridículos, aqui todos têm medida humana e ninguém acaba curado de si. Apesar da narrativa funcional em 3 actos, distribuída entre vinhetas, este filme planta a mais delirante, radical e descontrutora semente de anarquia. O humor começa por colocar as grandes stars em fundo inesperado: o grande ''DINO'' Martin é um sexómano; a gloriosa Kim ''POLLY a Pistoleira'' Novak, é uma prostituta platinada que por ali anda, descalça e de gatas, à procura do seu piercing do umbigo. Duro e real, este filme fala sobre adequação da justiça à escala das necessidades e aspirações individuais, num mundo em que rigorosamente todos - para lá da ocupação ou da classe - são inadaptados. What makes it is the irregularity. Entre paredes, desenha-se o princípio da resolução pacífica, numa espécie de ode (em fundo cómico) à lei do homem, ao nivelamento social, à negociação directa entre pessoas  tão carregadinhas de qualidades como de defeitos, existindo como quem quer existir. Um filme a ver mais e melhor. 

domingo, 16 de dezembro de 2018

STEREODOX - Halfway to Nowhere

sábado, 15 de dezembro de 2018

''and being twenty-eight, or is it forty-five? I walk. I walk.''

45 Mercy Street

 Lilacs by Mikhail Vrubel
In my dream, 
drilling into the marrow 
of my entire bone, 
my real dream, 
I'm walking up and down Beacon Hill 
searching for a street sign - 
namely MERCY STREET. 
Not there. 

I try the Back Bay. 
Not there. 
Not there. 
And yet I know the number. 
45 Mercy Street. 
I know the stained-glass window 
of the foyer, 
the three flights of the house 
with its parquet floors. 
I know the furniture and 
mother, grandmother, great-grandmother, 
the servants. 
I know the cupboard of Spode 
the boat of ice, solid silver, 
where the butter sits in neat squares 
like strange giant's teeth 
on the big mahogany table. 
I know it well. 
Not there. 

Where did you go? 
45 Mercy Street, 
with great-grandmother 
kneeling in her whale-bone corset 
and praying gently but fiercely 
to the wash basin, 
at five A.M. 
at noon 
dozing in her wiggy rocker, 
grandfather taking a nap in the pantry, 
grandmother pushing the bell for the downstairs maid, 
and Nana rocking Mother with an oversized flower 
on her forehead to cover the curl 
of when she was good and when she was... 
And where she was begat 
and in a generation 
the third she will beget, 
me, 
with the stranger's seed blooming 
into the flower called Horrid. 

I walk in a yellow dress 
and a white pocketbook stuffed with cigarettes, 
enough pills, my wallet, my keys, 
and being twenty-eight, or is it forty-five? 
I walk. I walk. 
I hold matches at street signs 
for it is dark, 
as dark as the leathery dead 
and I have lost my green Ford, 
my house in the suburbs, 
two little kids 
sucked up like pollen by the bee in me 
and a husband 
who has wiped off his eyes 
in order not to see my inside out 
and I am walking and looking 
and this is no dream 
just my oily life 
where the people are alibis 
and the street is unfindable for an 
entire lifetime. 

Pull the shades down - 
I don't care! 
Bolt the door, mercy, 
erase the number, 
rip down the street sign, 
what can it matter, 
what can it matter to this cheapskate 
who wants to own the past 
that went out on a dead ship 
and left me only with paper? 

Not there. 

I open my pocketbook, 
as women do, 
and fish swim back and forth 
between the dollars and the lipstick. 
I pick them out, 
one by one 
and throw them at the street signs, 
and shoot my pocketbook 
into the Charles River. 
Next I pull the dream off 
and slam into the cement wall 
of the clumsy calendar 
I live in, 
my life, 
and its hauled up 
notebooks. 


Anne Sexton

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

?

QUEM VAI À GUERRA, Marta Pessoa, 2011

Lança a tua sombra sobre os relógios de sol, / e solta ventos sobre os campos lavrados.



''Liberté et patrie'', JLG + Anne Marie Mieville, 2002



Dia de Outono


Senhor: é tempo. O Verão foi muito demorado.
Lança a tua sombra sobre os relógios de sol,
e solta ventos sobre os campos lavrados.

Faz arredondar os frutos temporãos;
dá-lhes inda um par de dias meridionais,
leva-os à sua perfeição e espreme
o final doce e negro do vinho da estação.

Quem agora não tem casa, já nenhuma construirá.
Quem agora está só, vai continuar carente,
vai velar, ler, escrever cartas extensas
e vai cirandar aqui, ali, nas alamedas
sem pouso, entre trémulas folhas densas.


Rainer Maria Rilke

STEREODOX: No more sad songs.

é matemática da simples:
menos com menos dá mais
(e já não bate como batia
nem o Morrissey nem a melancolia)