RA - CHÂ - CHANT .




En Rachâchant
Danièle Huillet e Jean-Marie Straub (1982)
Textos de Marguerite Duras



Para a Mariana Pereira!

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CORBE + SAGUENAIL



Regina Guimarães (Corbe)
e
Sérgio Abramovici (Saguenail)

Estavam há uns dias em Serralves, por ocasião do lançamento do livro "Cem Mil Cigarros" sobre Pedro Costa. À ocasião, José Oliveira brincava, chamando-lhes "os Straub portugueses". Mas não andava longe. Casal de uma união extraordinária, ( casados há mais de 30 anos, consta que não estiveram mais de 24 horas separados ) assina uma multiplicidade de trabalhos conjuntos que se multiplica entre textos literários, críticos, poéticos e teatrais, ilustrações, espectáculos de marionetas, filmes, letras para canções... O legado de Corbe e Saguenail, os afamados "activistas do norte", é vastíssimo e impressionante e, em simultâneo, subvalorizado e surpreendentemente desconhecido. Só recentemente tive contacto com um extraordinário volume de textos produzido na sequência de um projecto raro e importante, organizado em 2006 por Saguenail e Regina Guimarães em conjunto com a videoteca de Lisboa. Pelo nome de O NOSSO CASO: ler o Cinema português, consistiu numa reflexão teórica que reuniu vários nomes portugueses, do pensamento crítico do cinema tanto quanto de outras áreas artísticas, para um debruçar comum a partir de um documento episódico, compilado por Guimarães e Saguenail, sobre uma determinada fase ou tendência do cinema português. Os 6 filmes "collage" que estruturaram este ciclo podem ser actualmente vistos na videoteca de Lisboa.
A importância do volume assenta numa fundamentação teórica articulada de um diálogo entre autores, verdadeiramente oportunos em pontos determinados de algumas intervenções, entre os quais podemos encontrar Saguenail e Guimarães. Quanto aos filmes propriamente realizados por esta simpática dupla que sempre romantizo, a possibilidade de visionamento nunca surgiu e é em ânsia crescente que desejo conhecê-los.
É então assim que aproveito a hora e o espaço para deixar o apelo público : realize-se um ciclo dedicado a estes senhores, seja onde for; organizem-se mais eventos de interesse como os mencionados ; façam-se chegar estas compilações às escolas portuguesas de cinema; dê-se mais atenção à cinematografia portuguesa; dê-se especial atenção aos cineastas independentes e alternativos; façam chegar um abraço meu, à Corbe e ao Saguenail.








Reconheço um vestido meu
em trapo de limpar o pó.
Reconheço uma alcunha
talvez a minha
que designa agora um céu de chumbo
fardado de soldadinho azul.

Está mudada, a casa mãe,
mas não sei bem em quê.
Posso visitá-la
ora cave dum museu,
ora celeiro
crivado de luz e de metralha.

Reconheço as ferramentas em repouso,
um cheiro a sereia no esgoto
e a rastilho de rato em seara.

Reconheço a ocultação do corpo
e o cadáver em exibição.

Mas já não sei quem me deu
o que é ou já foi meu
- vestido, alcunha, museu, celeiro -
e o que jamais foi ter sido
- sereia, seara,
cheiro, rastilho,
o pai morrendo em seu filho.

Conheço a tristeza das ferramentas
e a certeza de terem sido usadas.


REGINA GUIMARÃES
poema escrito em Janeiro de 2008,
e publicado em Junho de 2009 na revista Brilho no Escuro, nº 1





Oh amor de todos os amores
ácido como um banho quente
longo como um naufrágio
doce como sumo de floresta.

Não se pode estar na poesia
como numa prisão
pobre contagem de cada dia
pelos dedos duma bela sem senão
e nenhuma parede onde riscar
o par do número par.

Nenhum espelho
nem a vontade de o quebrar.


REGINA GUIMARÃES
Algum(ns) Texto(s) Avesso(s) à Ideia de Obra
in Vozes e Olhares no Feminino, Afrontamento, 2001







LES RENDEZ-VOUS MANQUÉS - Saguenail e João Alexandrino




Via blogs
Camel + Coca Cola
O Livro Pela Capa,
joaoalexandrino.blogspot.com
Regina, texto de Maria de Lurdes Sampaio

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Motion Michaux.


Images du monde visionnaire
HENRY MICHAUX (1963)


(Infelizmente só encontrei a versão resumida, este corte não é o original)

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Notas breves da (re)visão :






Monika e o Desejo
INGMAR BERGMAN (1956)

Vibra cada plano que protagoniza às ondulações do jovem corpo, liberdade apressada pela mudança. Contagia, acciona a vibração entre os pares pelo amor e pela fúria, numa energia imanente e inesgotável. Bamboleia a descontracção em gestos ondulantes, soltos pela vastidão em que deixa correr o próprio espírito. Não há paredes para Monika. Balança Harry na corrida do seu próprio desejo, salva-o momentaneamente da responsabilidade acatada que por rigidez o trazia, desde sempre, apático. E é na comunhão maravilhosa da fusão elementar e da descoberta erógena que vive o Verão perfeito com Monika.
Não foi possível que, ao desabar da relação, Monika parecesse cruel ou imoral. Nem perante os destroços visíveis que corrompem a ingenuidade do companheiro, tremidos num arrastar de dó de um corpo onde a felicidade e a fé se vêm já à mercê das consequências da primeira devastação amorosa. Nem assim se liberta a Monika de toda a força que sustenta a índole do seu impulso. O desejo de Monika é imperativo na sua ordem particular, e é também este mecanismo súbito da acção que esculpe uma das personalidades mais desejáveis da história do cinema.
Conhecemos já a Mónika na consciência pueril e instrumental em que tem o seu corpo gritante, imediato a reclamar para si os bens do Mundo e a protagonizar-se em todas as paixões, prestar-se a todas as aventuras, cobrir-se das roupas mais bonitas e sentir-se afagado nos próprios desejos.
Uma das mais belas cenas que já vi, uma das mais memoráveis. A Monika está triste, confessa o desgosto pela degradação que perscrutou no seu corpo, consequência da maternidade recente e legenda, perante o marido, da motivação da traições ao casamento de ambos. Num misto de desejo e de pena, impulso amoroso do arrependimento por se ter ausentado do redor da sua mulher, Harry beija sofregramente a Monika e imediatamente se interrompe, em visões ressentidas e repugnadas pela traição recente de que se sente vítima. E é violentamente que se livra daquele abraço, e num acesso de fúria lhe bate para, de novo, a querer abraçar por remorso.
Silenciosamente, Monika levanta-se, veste o seu casaco e, convicta, sai para nunca mais voltar.
A lembrança da felicidade, sufocada e indigna à luz negra do presente, povoa o espaço de ecos que a distância aperfeiçoa: os tempos são irrepetíveis, e a perfeição apaixonada do primeiro amor, dignificado pela intensidade livre na fusão dos corpos jovens é a leveza irreverente da sua própria inexperiência pelo mundo, tão dedicado numa soma simples de um para outro.





Spider
CRONENBERG (2002)

Spider, um percurso da introspecção que retrocede com o protagonista (Ralph Fiennes) às paisagens traumáticas do seu obscuro íntimo. A construção de um vulto, esporadicamente baseado no registo críptico de um diário, é uma investigação alucinada na primeira pessoa de um acontecimento demarcado: a morte da sua mãe.
Os detalhes que envolvem o suposto crime estão encadeados em possibilidades variantes que se implicam na confundida mente do protagonista, e é desta teia enlaçada sobre uma dúvida primordial que advém todo o martírio e, possivelmente, a própria doença.
A empatia particular que vai do espectador ao personagem (salvaguardada por Cronenberg numa entrevista a propósito deste filme, na inserção de uma aproximação clássica do protagonista) assenta, efectivamente, no carácter difuso da história, capaz de inserir a interpretação pessoal num encontro lógico e cronológico das acções narradas, apresentadas como possibilidades.
Interessa-me particularmente a sucessão episódica assente numa procura retrógrada, de um sujeito que nada tem para além de passado. Desta formação presencial pela memória, a confirmação nunca chegará pela via comprovável e a jornada será tão infinita quanto angustiante. Do mesmo modo, as fundamentações de um só corpo chegam na inexplicabilidade de um complexo múltiplo, de uma construção fásica da personalidade individual, encerrada em si mesma por fenómenos desconhecidos e instâncias contaminadas, como sejam a culpa ou a dúvida, que ecoam na reticência cada gesto exterior.
Pelo contraste, a vivência pueril dos espaços, dos hábitos, dos objectos, dos gestos desta figura (habilmente) enlouquecida, prolongam a sua própria figura infantil e determinam a evolução perspectiva da própria revisitação. A incorporação da memória achará presença em duas figuras simultâneas, matéria de um mesmo nome apresentado a duas idades. Spider é, através dos planos, um louco de meia idade, solitário na penumbra de um recanto, e também uma inocente criança, confusa na carência de compreensão e certeza.
Uma explicitação freudiana digna de uma absorção dedicada ao detalhe, que visivelmente adquire os seus contornos gerais nos fundamentos da própria psicanálise, na medida basilar em que a vivência traumática infantil precede à afectação mental posterior. Consciente e subconsciente, realidade e imaginação são viajados na incerteza sofrida da deambulação de Spider, e a sucessão de atmosferas lúgubres e frias condiz com a investigação solitária de um homem por si mesmo.
Um dos filmes mais belos e minimalistas de Cronenberg, que não escapa à mestria de um dos mais hábeis realizadores a filmar a mente humana.


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Celebrating the most wonderful


Marina Abramović
















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Celebrating Cinema.

(Cenas de um triunfo que não conhece palavras.)


Werckmeister harmóniák
BÉLA TARR (2000)



Stroszek
WERNER HERZOG (1977)



Les 400 Coups
TRUFFAUT (1959)



The Searchers
JOHN FORD (1956)

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... E DEPOIS A INTERNET TEM DESTAS COISAS MARAVILHOSAS!




"Colossal Youth," The New Yorker, August 6, 2007
Ilustração de Jashar




A Caça ao Coelho com Pau

THE RABBIT HUNTERS

PEDRO COSTA (2007)







Um grande, ENORME obrigada ao José Oliveira.

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TV Omniprésente et les enfants.



France Tour Détour
Deux Enfants

GODARD / MIÉVILLE, 1977-78

In this astonishing twelve-part project for and about television — the title of which refers to a 19th-century French primer Le tour de la France par deux enfants — Godard and Miéville take a detour through the everyday lives of two children in contemporary France.
This complex, intimately scaled study of the effect of television on the French family is constructed around Godard’s interviews with a school girl and school boy, Camille and Arnaud. Godard’s provocative questions to the children range from the philosophical (“Do you think you have an existence?”) to the social (“What does revolution mean to you?”). The programs’ symmetrical structure alternates between Camille’s and Arnaud’s segments (or "movements"), each of which is labeled with on-screen titles: Obscur/Chimie is paired with Lumiere/Physique; Réalitie/Logique with Réve/Morale; Violence/Grammaire with Désordre/Calcul.
Using precise formal devices, including the extended take, slow motion, closeups, and the freeze frame, Godard and Miéville “decompose” the quotidian world of their young subjects by focusing on the minutiae of the everyday and isolated gesture, the significance of a gaze. In one remarkable sequence, the fixed camera remains on a close-up of Camille as she sits in silence at the dinner table, while her parents hold an extended conversation offscreen. Another extended sequence observes Arnaud in the classroom.
The children’s interviews (titled Verité) and scenes of their everyday routines at home and at school (Télévision) are followed by the ironic commentary of two adult television journalists (Histoire) who provide a history/story that elaborates on the interviews. Intercut with multi-textual collages of television, cinema and advertising images, these discursive visual essays analyze the economic, social and ideological functions of the mass media.
As they expose how a child’s world is “programmed” by the institutions of family and television, Godard and Miéville posit the mass media as the pervasive cultural influence in the home, with television as the 20th century primer. A provocative social discourse that resonates with eloquence and wit, France/tour/détour/deux enfants is an extraordinary achievement.


by Electronic Arts Intermix, via "The Auteurs"



Mouvement 1/5: Obscur/Chimie

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Hoje sinto-me assim:


( L O C O ( E ) M O T I O N )


Maya Deren's At Land
ver no youtube



Voyage Voyage
Desireless

Au dessus des vieux volcans,
Glisse des ailes sous les tapis du vent,
Voyage, voyage,
Eternellement.

De nuages en marécages,
De vent d'Espagne en pluie d'équateur,
Voyage, voyage,
Vole dans les hauteurs
Au dessus des capitales,
Des idées fatales,
Regarde l'océan...

Voyage, voyage
Plus loin que la nuit et le jour,
Voyage
Dans l'espace inouï de l'amour.
Voyage, voyage
Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien,
Voyage
Et jamais ne revient.
Sur le Gange ou l'Amazone,
Chez les blacks, chez les sikhs, chez les jaunes,
Voyage, voyage
Dans tout le royaume.

Sur les dunes du Sahara,
Des iles Fidji au Fujiyama,
Voyage, voyage,
Ne t'arrêtes pas.
Au dessus des barbelés,
Des coeurs bombardés,

Regarde l'océan.
Voyage, voyage
Plus loin que la nuit et le jour,
Voyage
Dans l'espace inouï de l'amour.
Voyage, voyage
Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien,
Voyage
Et jamais ne revient.
Au dessus des capitales,
Des idées fatales,
Regarde l'océan.
Voyage, voyage
Plus loin que la nuit et le jour,
Voyage
Dans l'espace inouï de l'amour.
Voyage, voyage
Sur l'eau sacrée d'un fleuve indien,
Voyage
Et jamais ne revient.

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Maravilhoso!


Erogeny
JAMES BROUGHTON (1976)


Ver canal "JamesBroughtonCinema" no Youtube

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