A mecânica do entretenimento

'' A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada pelos que querem se subtrair aos processos de trabalho mecanizado, para que estejam de novo em condições de enfrentá - lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização adquiriu tanto poder sobre o homem em seu tempo de lazer e sobre sua felicidade, determinada integralmente pela fabricação dos produtos de divertimento, que ele apenas pode captar as cópias e a s reproduções do próprio processo de trabalho. O pretenso conteúdo é só uma pálida fachada; aquilo que se imprime é a sucessão automática de operações reguladas. Do processo de trabalho na fábrica e no escritório só se pode fugir adequando - se a ele mesmo no ócio. Disso sofre incuravelmente toda diversão. O prazer congela - se no enfado, pois que, para permanecer prazer, não deve exigir esforço algum, daí que deva caminhar estreitamente no âmbito das associações habituais. O espectador não deve trabalhar com a própria cabeça.''
 Theodor Adorno e Max Horkheimer (O Iluminismo como Mistificação das Massas)

VECCHIALI em 2015


Histórias Trágico-Marítimas

sob o tema ''ODES MARÍTIMAS - UMA HISTÓRIA DO MAR NO CINEMA PORTUGUÊS''
- e se há submersão escrita que me agradou, foi esta.

Since Time began.


Frank Capra, Lost Horizon, Frank Capra, 1937

Próximo dia 26 de Fevereiro, vamos conversar.

Cartaz da autoria de SARA CAMPINO

Fantasia

''P. convencera-se de que a ideia de progresso é uma falácia, ou melhor, um ideologema, dos mais eficazes e convincentes criados pela classe dominante a ponto de ser abraçado por toda a sociedade e constituir uma fantasia que consegue convencer e mobilizar milhões de humanos, um dos elementos fundamentais da hegemonia ideológica do grande capital imperalista. (...) O que sucedeu foi que, perante a profusão de sinais exteriores de felicidade comercial ou capitalista, ficámos inaptos para interpretar outras felicidades, a do silêncio, da inteligência, da simplicidade da vida, da entreajuda, da falta de pressa, do convívio com as crianças e os bichos."
PAULO VARELA GOMES, O Verão de 2012

bom será o tempo, bom será o espírito.

(...)
Cantar? Longamente cantar.
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas -
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes.
Ele - imagem vertiginosa e alta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.
Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água. 
 (...)
Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.
  (...)
HERBERTO HELDER
 

L'argent, M. L'Herbier (1928)

 

pré-primavera

novo albúm do Bob.

" Quando se conta a outrem um segredo este desmaia: a palavra torna-se pele sem leão lá dentro."

Secrets of a Soul, Pabst 1926

 FILM IST A GIRL AND A GUN, Gustav Deutsch, 2002

O fantasma inacessível da vida.

Porque razão os antigos persas consideravam o mar como sagrado? Porque razão os gregos lhe atribuíam como divindade o próprio irmão de Júpiter? Por certo tudo isto tem o seu sentido. E um sentido muito profundo, se nos recordarmos da história de Narciso, que desesperado pela suave e fugidia imagem que se reflectia nas águas, nelas se afogou. É a imagem do fantasma inacessível da vida, onde se acha a chave de todo o enigma.
Moby Dick, Herman Melville

os guardadores.

Blockade, William Dieterle, 1938

Cinefilia = Cinesofia = Cinestesia

João Bénard da Costa - outros amarão as coisas que eu amei
Manuel Mozos, 2014

Epicidade


- What did you do in the Great War, Mr. Joyce ?
- I wrote 'Ulysses'. What did you do?

JLG's ''many thanks''

jlgAdieu au langage recebeu o prémio de Melhor Filme pela  National Society of Film Critics, e Jean-Luc mandou um postal a agradecer.

demasiadas palavras para uma língua

Sobre o nada eu tenho profundidades.

Manoel de Barros



Adieu au Langage. Godard, 2014

Ano Novo Vida Nova

Vós, que a via de Amor vejo seguir,
Procurai distinguir
Se há dor alguma, quanto a minha, grave;
E consenti apenas em me ouvir,
Para então decidir
Se não sou da desgraça abrigo e chave.
Amor, não pelo bem que em mim se vir,
Mas que nele existir,
Pôs-me em vida tão doce e tão suave
Que escutei, muitas vezes, proferir:
"Por que o vejo sempre ir,
Contente, sem tristeza que o agrave?"
Agora já perdi minha ousadia,
Que somente em amor tinha razão;
Infeliz dizer quão
Permaneço, difícil me seria.
Assim, por ser me esforço como o são
Os que escondem a sua vilania:
Sou por fora alegria
 E por dentro amargor no coração.
DANTE, em A Vida Nova


Women of Ryazan, Olga Preobrazhenskaya 1927




Existir em vertigem, sobreviver mais um dia


I Vitelloni, Fellini, 1953

L'argent, M. L'Herbier (1928)


Night Flight, 1933

Only Angels Have Wings, Hawks, 1939




 The Last Flight, William Dieterle, 1931


A terra engolirá o sangue sem esquecer.

There's always a pool of blood somewhere that we're walking in without knowing it... It's your blood that feeds the earth. It's you who fatten the servants of lies. 
 --Jean-Marie Straub

Kommunisten, Straub, 2014

Les Jeux des Anges, Walerian Borowczyk, 1964


 Satyricon, Fellini, 1969

gif 1927 metropolis fritz lang
Metropolis, Fritz Lang, 1927

Les statues vivent aussi.

La Dixiéme Symphonie, 1918, Abel Gance



"O cinematógrafo destronou a escultura realista. As suas personagens de mármore, as suas grandes caras pálidas, os seus volumes com sombras, com iluminações soberbas, toda essa humanidade abstracta, essa humanidade silenciosa, substituem o que era pedido pelo olhar às estátuas. Barbette descende dessas estátuas que se movem."
Jean Cocteau, Visão Invisível




La chute de la maison Usher, Jean Epstein, 1928