terça-feira, 17 de outubro de 2017

AL GORE participa no DocLisboa'17


PARTICIPAÇÃO POR VÍDEO DE AL GORE EM DEBATE APÓS EXIBIÇÃO DE AN INCONVENIENT SEQUEL: TRUTH TO POWER

CONVERSA COM MARCEL CARRIÈRE, 
REALIZADOR E HISTÓRICO DIRECTOR DE SOM DO CINEMA DO QUEBEQUE DESDE 1958

Iº ENCONTRO LUSO-ALEMÃO DE PRODUTORES


An Inconvenient Sequel: Truth to Power - sessão seguida de debate, com intervenção de Al Gore

An Inconvenient Sequel: Truth to Power será exibido no dia 26 de Outubro, às 18h00, no Grande Auditório da Culturgest. Uma década após An Inconvenient Truth ter trazido as alterações climáticas para o cerne do imaginário popular, chega a continuação que mostra o quão próximo estamos de uma verdadeira revolução energética. Al Gore prossegue a sua luta incansável.

A sessão é seguida por um debate com João Camargo (Climáximo), Júlia Seixas (Climate-KICCENSEUNL), Sérgio Ribeiro (Climateers) e Sónia Balacó (actriz, activista ambiental) e moderação de Francisco Ferreira (ZERO), onde Al Gore fará uma intervenção em vídeo.

A sessão é uma parceria com The Climate Reality Project e ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável.
 

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

''-Quem és tu Cinema?'': DON QUIJOTE DE ORSON WELLES

Aquecimento

domingo, 1 de outubro de 2017

European Citizend (1973-2019)


domingo, 24 de setembro de 2017

Mother!

As expectativas iam escassas mas lá fomos, às escuras: 
-- aos 10 minutos, a malta supõe que, afinal, ele queria era fazer uma peça de teatro -- aos 20 minutos, exclamamos um ''mas que raio de ideia, Aronofsky a vestir-se à Von Trier'' mas, pelo espírito de Polanski, lá afundamos na alegoria e ainda não houve olho despregado -- em meia hora, instalou-se a tensão e o corpo sem ar está, em POV coladíssimo, embriagado de close-ups -- uma hora aberta em travo Cronenberg e o som ampliado já nos alinhou à preparação da tragédia: queremos ver tudo -- a três terços, encontramos condições para obra-prima e já começamos a rever mentalmente o top do ano transato -- no desenlace por chegar, estica-se o gore, estica-se o mistério, estica-se o absurdo, estica-se tudo e -- tudo explode sem acabar de explodir, num pessimismo sem limite nem freio e -- enquanto o filme vira o barco, a casa vira jogo de plataformas para uma fuga impossível e lança-nos em correria incessante para lá dos limites do obsceno -- no final (finalmente!), zonzos da escusadíssima hipérbole que nos ofereceu, em luzidia bandeja gratuita, a pancadaria do mês, ainda mal articulamos a suspeita de que esta exageração funciona melhor como ostensivo espelho para a megalomania do próprio Aronofsky (que teima em enfiar a génesis e o apocalipse no mesmo filme, uma e outra vez) do que para a construção polissémica de uma metáfora para a actualidade mediática/social/geo-política. Enquanto em pós-desilusão, a tentar decifrar sentidos entre estas barrocas linhas de repulsa, o melhor para combater a exaustão é ler um interpretativo Luís Mendonça na PALA:


''O terror, como se sabe, partilha o mesmo campo semântico da palavra território. A administração do terror é, enfim, a administração do território. A câmara de Aronofsky teoriza sobre esta coincidência semântica. Casa (house/home) como corpo, corpo como casa do mais… perfeito amor.''


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

GLADLY BEYOND






somewhere i have never travelled,gladly beyond

somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near

your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously)her first rose

or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully,suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;

nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility:whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain,has such small hands

domingo, 27 de agosto de 2017

All we ever wanted was everything.



Paterson (regresso de Jarmusch a Jarmusch)

''Paterson é um filme sobre poesia que não tem nenhuma literatura.''
Eduardo Lourenço 

sábado, 26 de agosto de 2017

Only rebelling.

Wine of Youth, King Vidor, 1924

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

FAROESTE 66: coreografia cinematográfica para dois sóis em fuga







Faroeste 66

COREOGRAFIA CINEMATOGRÁFICA PARA DOIS SÓIS EM FUGA

(Mary, the not so empty heart, a esgotar Agosto e a correr com os blues na madrugada de 24.8.2017)


1.
Largo afundando américa pela 66
e expulso da cabeça a inteireza.
Perco matéria enquanto subo a pulso no wild side
across the Mississippi across the Tennessee
sei tudo sobre esses dias perdidos para o sol posto
(cansei de fotografar postais, baby
agora assino contos de amor e sangue
- e tu?
escreve-me Lou.)


Corto a cena em azul chevy
sunchasing para noroeste no horizonte expandido
e às vezes finjo que é 1955 e o velho deserto alinha na farsa:
- St Dean vive ainda.


Miro a Daisy do diner, a gente troca desabafo de mulher separada
e eu afio a faca e apresento-me
- sou profissional da fuga
- going somewhere or just going?
estou feita outra
só os hotsweats não me deixam dormir
- pode ser que eu volte, Lou.


O alfabeto do meu fumo negro comunica com os velhos espíritos dos planaltos e
e eles ensinam-me vales e lumes e símbolos montanhosos e eu
gravito na brasa a sós e a diesel, com o pensamento em ti e um grande canyon de cada lado.


No calo arruaceiro deste cosmos, é chapa ganha, chapa gasta e o catecismo é de carne:
há sereias a assobiar dos becos, há filhos de Ferlinghetti a profetizar na batota,
há bermas de Thoreaus do backpack e neohippies à procura de Vedder no verde.
Cai a meia-noite na inquietude forasteira e a hidromancia do Niagara levanta uma missa de dançar:
- sei que sabes tudo sobre esta sede, Lou.


Naquela noite,
dirigi a estereoscopia ao relento e
dormi em Monument Valley numa versão western de Mrs. Muir,
unha de fantasma com John Wayne e um cobertor. (- no crime to be alive.)

Sinto-me em casa para lá do Wyoming
- ainda devo ter guelra cherokee, não achas?
peso no pedal, vôo sem depois no cortar das areias e vou morar onde o vento quiser
peregrina de cinema, bebo ao vivo a epopeia de cada coisa e invento pontos cardeais
nos ditirambos happy-end do rei Vidor
nos peitos furados a tiro por Ford
nas labaredas de um armistício consumado em Walsh
nas carabinas nupciais de Mann


A caravana avança, o auto-rádio sintoniza Lucifer e a minha raça vai cair ao trailerpark.
Baptiza-me uma roda de junkies e de jailbirds, de beats e de belles,
de vagabundos do darma e de rebeldes de causa vária
e eu acredito neles
como acredito que Nick Ray acabou aqui os dias
- we can’t go home again.

A vida é melhor quando não dá para luxos
a gente enfeita-se menos com leis grandes e pequenas e
não há crise que uma rodada não cure
- agora pago eu, depois pagas tu
siga.


Um dia, fui à boleia de um deus, Shenandoah,
na rasante de um pássaro do canal
abri a regra de par em par, alinhei a líbido pela brisa e de joelhos para sul
entrei mártir num mantra nativo:


(desculpa a caligrafia feia, Lou, queimei o polegar no forno da Cynthia e ainda dói:
- sopras?)


Treino no ecrã sempre ligado a arte de observar à distância e
vou emprestando flirts às psico-portas do Huxley.
De resto, sigo secreta na minha vidinha
insone como quem reina sobre o que não pode ser esquecido


2.
Recuo a manobra até ao grande século de os ver chegar
: a barca dá à costa e abre-se de
anarcas, sindicalistas, libertinos, transcendentais, socialistas, satânicos, comunas, ateus, ladrões, vadios, animalescos, puritanos, gananciosos, cantores folk, individualistas, colombos, gold-rushers, piratas, bêbedos, radicais, filósofos, mafiosos, lobos maus, humanitários, existencialistas, utópicos, cristãos, fedelhos, perversos, estudiosos, operários, velhos do mar, negreiros, latifundiários, agiotas, excitados, poetas, desgovernados, charlots, steamboat willies, boys named Sue, deportados, tarados, exilados, judeus, colonos, apátridas, etcs e tais,
todos com fome de erguer selvajaria onde ainda se podia.


Great mother of disorder, Proudhon estava certo: o homem-livre é automático.
À beira de tudo o que parece possível, o pulmão inaugural prega remakes ao recém-nascido
e o novo mundo começa agora,
com o cadastro a zeros e um punhado de Internacionais à boca-de-cena:
- a sociedade por fazer é o poema a encher-se.


enrolo um cigarro com o Iggy na rota interrompida e
ensaiamos nas esquinas da noite, recolhendo provas do coração claro dos homens:
- os pioneers foram os primeiros punks
- às tantas, mas esqueceram ao que vinham
- ainda guardam os pássaros sem nome
- precisam deles mais do que nunca

Faço casa em cada rosto porque em cada rosto encontro a terra prometida,
essa ilha inata, esse Stagecoach perpétuo,
esse Woodstock 69 free pass, esse carrossel dos sangues todos, essa geração sem genealogia.
Estes caravanistas montam barraca e américa em qualquer lado
porque sabem como se abrigar no prego-a-fundo:
- o yankee é cidadão do mundo.

Easyriding, segui as pistas da harmónica de Dylan e
como nunca me soube calar, vim cá parar para derrubar estes dias do ódio:
- se quiserem erguer mais muros no peito da terra
vão ter de assentar betão nos meus ossos, motherfuckers.


3.
Quando eu nasci, já Deus tinha morrido
mas ainda houve quem visse a virgindade vegetal destas planícies e outros viços dos homens natos.
Era o tempo dos mapas por fazer:
em horizontes largos que cheguem para todos, replica-se o milagre encontrado e
a utopia é o envio dos sitiados: os braços experimentam atalhos para o futuro
- homens a sair de escravos em Noshoba
- um alter-cristo para os Harmonies do Indiana  
- a extinção da moeda em Modern Times
- a autonomia comunal do Ohio
- o amor livre nas Phalanx do Fourier
e outros pasmos descontinuados da primeira gestação.

é uma corrida: as ideias despicam-se com o tempo
mas a liberdade teima como a mais memorável música e
toda a ronda chega até aqui,
a este céu-em-dia, a este asfalto a três, a este bacanal de rolamentos,
a esta idade sem idade que vai dar à Two Lane Blacktop.
(todos os dias são dias de começar or i’m gonna die from trying.)


4.
Fundiu-se a lâmpada do candeeiro e eu tenho-me esquecido de a trocar e
para não entrar já em treva (she’s so heavy), pesquiso paraísos na última sessão do drive-in:
- resisto, exilo-me na utopia de todos os dias
emolduro as luzes
dou corda à cauda
- foi ficção nossa, telhado a mais para estas três europas a arder.


somos o que nos tornámos:
sangue com os outros, animais a meio caminho, colegas no incessante,
frentes de ataque olho-por-olho, pilotos da estrada prática, alvos para pistoleiros,
delinquentes de punhal no bolso, milicianos do livre-arbítrio:
- uma casa de cowboys está sempre vazia.


5.
#ontheroad mas ainda assim, baby
e os hotsweats apertam como uma coroa de espinhos, esticados na noite em cinema de ser
(esta guerra irreparável
tem o alto patrocínio do gene romântico da minha avó:
esse good looking son of a gun chamado Elvis)
mato a canção com os dentes
que sacaste à baleia de Jonas mas
a cerimónia escala pela febre: apareces em linho gladiador e nisto
dançamos uma morninha das nossas, colados ao último equador que te viu nascer.

Encontro-te no sofá da sala, enrolado no gato,
bebendo cachaça e estudando a queda dos Austro-Húngaros  
engendrando no franzido uma táctica terminal contra todos os impérios.
Sei que estás de mala feita para a próxima revolução
e que não voltas tão cedo.
Vais desenterrar na Toscânia as barbas de Leopoldo,
mas acabar perdido na flama aljubarrota de uma italiana que ainda é bisneta da Maria Roda.  
Vais bater milhas de Harley para dentro da floresta negra
numa de ir rebentar a petardo a escadaria KKK da Zschäpe
e depois subir pela Mancha com os WOMBLES
para ir bradar contra a corja corporativa numa antestreia do Al-Gore em Greenwich.


you little troublemaker
you little heartbreaker


Noutra primavera em tempo útil,
tropeçamos no lamaçal filosofal de uma manif da Greenpeace e
às costas da Córsega, afundamos tudo a rir
medindo cicatrizes, queimando a roupa, destilando unção da maré negra e bebendo à nossa
- é o diabo isto (lá vamos nós outra vez)
as sombras seguem-nos e tudo recomeça


6.
(sempre fomos assim,
sempre amámos mais depressa o que nos é longínquo.)


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Peace of mind.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

no one is invited - repeat

A Matter of Life and Death, Michael Powell, 1946