domingo, 14 de outubro de 2018

STEREODOX - alguém apague a luz

sábado, 13 de outubro de 2018

Bonnie Marie Smith: dark porcelain (like myself)







terça-feira, 9 de outubro de 2018

''não adianta simplesmente dizer que vai dar livros, não armas''

não adianta simplesmente dizer que vai dar livros, não armas
não faz sentido, a menos que a ideia de que livros são melhores já esteja dada
e a ideia de que livros são melhores, meus amigos, não está dada
porque livros não apelam ao imaginário da defesa - por mais que ter uma arma seja ineficiente
livros não respondem ao apelo que vem por trás dessa insegurança
num país que não lê, que elitismo escapista é esse, de simplesmente dizer "livros, não armas"?
diabos, tem gente no povo que quer arma pra matar, claro que tem, mas tem quem vá na onda porque acredita poder se defender
"não vamos dar armas, mas segurança pública eficiente"
aí sim
ora diabos

LEANDRO DURAZZO, poeta brasileiro

bamba (em loop)

eu se tivesse chão, fazia
fazia o que vim cá fazer, eu fazia
eu se tivesse chão,
olhava ao espelho de manhã e dizia
- foi para isto que cá vieste
e fazia o que vim cá fazer.
era só haver um chão
nem era preciso muito
era só um bocadinho
mas eu nunca vi chão
nem pouco nem muito
e por isso esse esquema do
- levanta-te e anda
francamente
não me serve de nada.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

the nonsense team we make.

- Somos uma bela equipa, diz ele.
- A única possível, diz ela.

STEREODOX - Spirit They're Gone, Spirit They've Vanished

STEREODOX: Light Song

domingo, 7 de outubro de 2018

desagrupo


Artur Almeida, Sulcos.

(via Bruno Sousa Villar)

sei que não estavas a contar com céu mas

Ladoni, Artur Aristakisian, 1993


sempre tive vontade de te tratar por tu, Quim
mas nunca tratei porque não fui assim ensinada mas
a camaradagem nivelava desde que me sei gente:
passavas-me os livros do Cunhal por debaixo da mesa
para poupar suspiros à minha mãe e
connosco tinhas paciência de avô e
já mulheres feitas ainda dizias: as princesas
grande ideia aqueles teus anos à beira-mar
as Paredes da Vitória a reunir família e marisco
(foram todos) e
um especialíssimo risotto de cogumelos para
a vegetarianice das princesas
ofereci-te chocolates com passas
os teus favoritos e depois das mãos trémulas,
arrastão para corpo inteiro
: eu não vi nada
: eu não vi senão ali
a brancura da bata à pele
a roxidão do ar longe
(...)
acaba por ser isto
o corpo encaracolando e o espírito
agarrando-se ao que é simples
um rosto, um nome, uma minúcia e
a gente seguindo devagarinho
devendo sei lá quê de ânimo ao fim visto de frente
o peso das cabeças arrastando
e a gente a roçar no vazio
a gente já toda no chão
a gente fúnebre
a gente gasta
a gente diminuta
e nem uma palavra possível: Tio Quim
sei que não estavas a contar com céu mas
já o deves ter encontrado
(a alma sobra para depois
só pode, a sério
só pode.)

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

STEREODOX: Randy

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

STEREODOX: o demónio mora ali na porta em frente à minha


''distante da foto antiga / um miúdo tão promissor / a dada altura parece que perdi o norte na vida (...) não vou ter uma morte tranquila 
(...) 
se me der na telha / trabalho só nas tintas como um campónio 
/ o demónio mora ali na porta em frente à minha
<deverei aguardar por uma derrota digna?>''

Nerve

https://www.youtube.com/watch?v=PPstEsQRJvw

terça-feira, 2 de outubro de 2018

STEREODOX: I love you Ono

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

um modo qualquer de os dias contar / ao desbarato.

London, Patrick Keiller, 1994

uma cama, a mesa de cabeceira, 
o quarto
e um modo qualquer de os dias contar
ao desbarato.

Sempre fora do tempo e de outro 
que há-de vir 
silencioso, monótono,
tal a chuva a cair.



Helga Moreira

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

''Anxiety Tormented Me Night After Night''

Princesa Morta do Jacuí, Marcela Ilha Bordin (2018)

Paul Schrader 

Stroszek, Herzog

STEREODOX: I love you more than words can say

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

''O jardim mais uma vez''

French Cancan, Jean Renoir, 1955

COMO PREPARAR A MENTE PRO RELÂMPAGO

Nos recantos da mente da mulher
           há um armazém. O armazém
                     está coberto de glicínias. As glicínias se perguntam
o que passa pela mente da mulher.
           A mulher também se pergunta.
                     O rio está bravo esta noite. O rio é um chamado
dorido pela escassez. A mulher anda em sua direção
           os braços firmes e cobertos
                     pelo luar. As glicínias desejam o rio.
E este deseja o armazém na mente
           da mulher, deseja restar em ruínas
                     embora a água seja também um tipo de ruína original
definida na estrutura e imprevisível.
           A mulher desata a luz que há em seu corpo.
                     Vadeia através do rio enquanto as glicínias
                             emaranhadas
sangram de sua boca, de seus olhos, de seus pulsos,
           da válvula cardíaca, do coração. O jardim mais uma vez
                     encobre o corpo – chamado pela água
e carregado pela mulher até a água desejosa.
           Quando ela sangra as glicínias, o armazém
                     em sua mente fica livre e vazio, fonte
de toda vacuidade. Livre para abrigar o céu noturno.
           Livre como a mulher, para sustentar nada
                     além da vasta, vazia e impensável escuridão.

BRYNN SAITO
Tradução de Leandro Durazzo

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Hall de entrada.

Soube que era Ele 
no momento em que vi aquele poema da Adília Lopes 
(a que volto por tudo e por nada mas isso ele não sabe)
inscrito a giz no quadro negro do seu hall:

"Só gosto das pessoas boas 
quero lá saber que sejam inteligentes artistas sexy sei lá o quê 
se não são boas pessoas não prestam." 
Adília Lopes 

(Estou em casa.
Se calhar, estou em casa como nunca.) 

STEREODOX: Venice Bitch

terça-feira, 18 de setembro de 2018

''a geometria dos afogados''

''a viagem surge como hipótese de contínua insubordinação.'' 
Vasco Vasconcelos 



Tini zabutykh predkiv (1965, Sergei Parajanov)


Barcos por entre  o arquipélago instável dos corpos perdidos numa névoa que cheira a gasolina: o som dos motores redesenha o mapa dos naufrágios, a geometria dos afogados (RUI NUNES).

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

une propension à rien faire

''A preguiça tem mau nome porque os preguiçosos têm preguiça de a defender.''
Ricardo Araújo Pereira @ Governo Sombra 15.9.2018

Noce Blanche. Brisseau, 1989

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

STEREODOX: I've been going through a change

STEREODOX: I like the way you


Human desire, Fritz Lang, 1954

https://www.youtube.com/watch?v=YTCg1Ovu64E