terça-feira, 11 de dezembro de 2018

STEREODOX: Romantic Rights

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

véu.

''O véu é necessário para que a coisa exista para nós. O desvelamento não traz a revelação mas o desaparecimento do objecto. O belo não é nem o véu nem o velado mas o objecto velado. A beleza vem da tensão (entre a aparência e o sem expressão). O sem-expressão manifesta a violência da verdade. Interrupção, cesura. De repente: "A esperança passou por sobre as suas cabeças como uma estrela que cai do céu."
(Afinidades Electivas, Goethe)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Happy 88, Monsieur JLG!


sábado, 1 de dezembro de 2018

''A técnica não aceita limitações da natureza por muito agreste ou abrupta que ela se apresente.'' disse a máquina


Angola na Guerra e no Progresso, Quirino Simões (1971) 


domingo, 25 de novembro de 2018

A vida é minha mas toda a gente tem um palpite.




Doomed, Chris Burden, 1975

TV Hijack, Chris Burden, 1972 

A luta dos Estivadores é, na verdade, a de todos os trabalhadores precários (sem direito à greve) e a de todas as áreas profissionais não sindicalizadas.


''Nós estamos a falar de direitos elementares: porque ninguém compra uma casa para um mês; ninguém pede um empréstimo para no dia seguinte estar despedido. Nós temos, obviamente, de cuidar dos nossos filhos e da nossa família por isso, a segurança no emprego é um valor essencial. Segurança no emprego não significa que as pessoas estão a vida toda no mesmo emprego (o pleno emprego não é isso) mas significa que as pessoas estão protegidas nos seus trabalhos: isso, sim, é fundamental.'' RAQUEL VARELA

https://www.youtube.com/watch?v=gPDrJKnuAAs


sábado, 24 de novembro de 2018

miragem

Silent Running, Douglas Trumbull, 1972

quando no deserto surge uma miragem
não interessa nem o deserto
nem o calor
nem a sede
nem o sedente 
interessa a miragem enquanto durar
e toda a gente sabe que
a miragem enquanto dura
é tudo o que há
e é para sempre.

para Vasco Vasconcelos

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

''Agravo a dor do mundo imaginando-a''


Os verdes anos, Paulo Rocha, 1963



O certo é que a realidade real
difere da realidade pensada.
Os homens não esperam mesmo nada.
Eu é que espero, e esse é todo o mal.

Agravo a dor do mundo imaginando-a;
coro de sangue e febre os olhos distraídos;
construo a voz amarga, implico-a de sentidos,
pisando-a, triturando-a, macerando-a.

O Mundo é corpo. É um corpo sem forma nem limites.
É como corpo, nele,
uns são carne, outros pele,
outros ventre, repleto de apetites,
outros sexo, outros boca, outros retina,
outros músculo tenso e força bruta.
Cada um seu sistema determina.
Cada qual a seu modo se executa.

Mas se um homem ferve
na água em que eu fervo,
coitado, só serve
para fio de nervo.


António Gedeão

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

''Feed your head'', said Jefferson Airplane. ''Free your head'', said Patti Smith.


« - Considere que tem uma cabeça nova. Como se tivéssemos ido buscar uma outra cabeça ao armazém; uma cabeça nova aí, em cima dos seus ombros, a substituir a antiga que não funcionava. Veja isto como uma troca de lâmpadas. A sua cabeça anterior estava fundida. Nós fomos buscar uma nova, e desatarraxámos a antiga e trocámos. Ligámos à corrente e a luz acendeu-se: a sua cabeça funciona. Deitámos a sua cabeça antiga para o lixo.
Moscovo sorriu. Gostava daquela brincadeira.»

(Gonçalo M. Tavares, Cinco Meninos, Cinco Ratos)

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Sobachye Serdtse

Heart of a Dog, 1988, Vladimir Bortko

terça-feira, 6 de novembro de 2018

na manhã de primavera / que sempre finda.

The Demise of Father Mouret, 1970, Georges Franju
O VASO
Vi como retiraste do vaso a terra,
e da terra as raízes da planta desconhecida.
Depois, com a tesoura de ferro,
cortaste o caule no ponto
certo. Em seguida, renovaste
a terra no vaso,
enterraste nela de novo a planta
que ressurgiu, surdamente,
na manhã de primavera
que sempre finda.
Agora, desvia um pouco o olhar,
repara em mim agora: vês as raízes,
o caule dobrado, a flor, o nome?
Por que não me cortas os braços, as mãos,
os pés, o tronco, e espalhas tudo
aos bocados pela terra?
Só preciso de um pouco de água:
em todos os lugares crescerei para ti.
Luís Filipe Parrado

STEREODOX: Year of no light

''Construímos um lugar de silêncio.''

A Valsa com Bashir, Ari Folman, 2008
"A memória é dinâmica. Ela está viva. [...] Nós não vamos a lugares que nós não queremos. [...] A memória nos leva onde precisamos ir."

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
– Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
Herberto Helder, Ofício Cantante

#sayseatakeme


POEMA PARA EMILY DICKINSON

Há um barco que espera por um barco,
Um recado para este mensageiro
Um tão grande recado,
Que se ignora onde o barco foi lançado ao mar.
Na tempestade que surgiu,
Só o leme do barco destroçado veio dar ao poema.

LLANSOL, Maria Gabriela. Onde vais, drama-poesia?
Lisboa: Relógio d’água, 2000

''sobreaquecimento provocado pelo excesso de idêntico'' Carlos Natálio


domingo, 4 de novembro de 2018

I want to be someone else.

Vivre sa Vie, JLG, 1962

STEREODOX - the pain away

viajante não turista.


sábado, 3 de novembro de 2018

''La libertad que consiste en el pleno desarrollo de todas las potencias materiales, intelectuales y morales que se encuentran latentes en cada uno''

The Burmese Harp, Kon Ichikawa, 1956


«Yo no soy ni un sabio ni un filósofo, ni siquiera un escritor de oficio. He escrito muy poco en mi vida y solamente lo he hecho, por decirlo así, a pelo, cuando una convicción apasionada me forzaba a vencer mi repugnancia instintiva contra toda exhibición de mi propio yo en público. ¿Quién soy yo, pues? y ¿qué es lo que me impulsa ahora a publicar este trabajo? Yo soy un buscador apasionado de la verdad y un enemigo, no menos apasionado, de las ficciones desgraciadas con que el partido del orden, ese representante oficial, privilegiado e interesado en todas las torpezas religiosas, metafísicas, políticas, jurídicas, económicas y sociales, presentes y pasadas, pretende servirse, todavía hoy, para dominar y esclavizar al mundo. Yo soy un amante fanático de la libertad, a la que considero como el único medio, en el seno de la cual pueden desarrollarse y agrandarse la inteligencia, la dignidad y la felicidad de los hombres… La libertad que consiste en el pleno desarrollo de todas las potencias materiales, intelectuales y morales que se encuentran latentes en cada uno… Yo entiendo esta libertad como algo que, lejos de ser un límite para la libertad del otro, encuentra, por el contrario, en esa libertad del otro su confirmación y su extensión al infinito; la libertad limitada de cada uno por la libertad de todos, la libertad por la solidaridad, la libertad en la igualdad; la libertad que triunfa de la fuerza bruta y del principio de autoridad, que no fue nunca más que la expresión ideal de esta fuerza… Yo soy partidario convencido de la igualdad económica y social, porque sé que, fuera de esta igualdad, la libertad, la justicia, la dignidad humana, la moralidad y el bienestar de los individuos, así como la prosperidad de las naciones no serán nunca nada más que mentiras»

Mijail Bakunin

''estás aqui''

RON PADGETT, traduzido pela Rosalina Marshall, in 'Poemas Escolhidos', Assírio & Alvim, 2018.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

o fantástico dos / objectos mais reais



Carlos M. Couto S. C.
("Do Céu, Pormenor", Colecção Plural, Gota de Água e ICNM, 1984)

''A ponte que nos une - é estar ausentes.''







polaroids by BeWeighless

Eu, Rosie, eu se falasse eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
De um par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes
A ponte que nos une - é estar ausentes.
(Reinaldo Ferreira)