Callipolis

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É pelo sonho que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

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(Woman and the trees, 1930's)

"A cada passo se formam por aí grupos literários. Há-os em todas as gerações. Os rapazes sentiram sempre necessidade de comunicar e e juntam-se conforme o acaso, as afinidades ou as aspirações.
É um momento delicioso que nos deixa para sempre um nada de poeira no fundo da alma - algum pó dourado que teima em reluzir até ao fim da vida. Já o passado fica muito longe, já as figuras de apagadas mal se distinguem e ainda a poeira do sonho teima lá no fundo (...)
Em qualquer recanto, num café, entre quatro paredes que não importam, porque por mais denegridas que sejam, a nossa alma tem o poder extraordinário de tudo transformar, falamos ao mesmo tempo e com o mesmo entusiasmo, repartindo sonho às mãos-cheias. É então visível e quase tangível a auréola que se forma sobre as cabeças de vinte anos.
(...) Aos que se alimentam de sonho chega o momento em que não podem viver. A realidade não perde os seus direitos. Raia o dia em que se impõe por força e então o sonhador é colhido e triturado por a ter esquecido. É o ponto trágico em que reconhece com espanto que não pode viver - que não sabe viver, e procura a morte, não para se aniquilar, mas como quem busca um sonho maior, um sonho sem contrariedades e de que se possa à vontade fartar..."
A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore. Raul Brandão, 1926


A idade.
Quem de forma justa e sagrada
Passa a vida,
Docemente alimentando-lhe o coração,
Longa vida criando,
A esse acompanha-o a esperança, que
À maioria dos mortais
Rege a tão versátil opinião.

Uma das mais belas imagens da vida, o modo como os costumes inocentes preservam o coração vivo, de onde nasce a esperança; esta concede então também à simplicidade um florescimento, com as suas diversas tentativas, e torna ágil o sentido, e tão longa a vida, na sua demora precipitada.
Holderlin, in "Fragmentos de Píndaro"

"A personalidade é um trabalho onde se entra, requer esforço."
GONÇALO M. TAVARES, in "Um homem: Klaus Klump"





2 comentários:

Pedro Jordão disse...

"vagueio pela casa
rente aos ângulos estreitos dos corredores, sem saber por onde fugir-me."

Al Berto, "Alguns Truques de Ilusionismo" (1979/80)

(Porque entre os que sonham há os que não distinguem da realidade aquilo que em sonhos procuram. Sonhos sem rede de segurança, entenda-se.)

Pedro Jordão disse...

http://www.youtube.com/watch?v=stf0p0r9INg

ele canta "No one would know that we've gone", mas não sei se ele percebe que as fronteiras entre o sonho e a realidade são terrivelmente fugidias.

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