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domingo, 15 de abril de 2018

''Se na estética se aplica a mesma inflação que mantém viva a sociedade capitalista, o mundo em que vivemos não vale a pena''

Crítica da Separação, Guy Débord, 1961


JMS: O filme militante confina as pessoas à urgência. E na urgência estamos, a culminação do sistema que inventou as câmaras de gás. (…) Esta ideia poderia servir de definição para o cinema político: evitar a todo custo o que mantém com vida o capitalismo, a inflação. Se na estética se aplica a mesma inflação que mantém viva a sociedade capitalista, o mundo em que vivemos não vale a pena, continuamos a deitar água ao moinho. (…)
DH: Nós, como pessoas, reagimos forçosamente às circunstâncias, mas isso não é motivo suficiente para plasmar as reações individuais em um filme. Para isso estão as histórias sentimentais.

Danièle Huillet e Jean-Marie Straub em entrevista a François Albera, 2001

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Les Enfants Perdus

Critique of Separation, Guy Débord

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Social Network: o espectáculo de si mesmo.

dou por mim a pensar que
: as redes sociais são o oráculo débordiano em ácidos
os ''ambientes de solidão entre-reforçada'', as ''aventuras apresentadas mas não construídas'', os ''indivíduos por ser'', os ''espectros que assombram os objectos anarquicamente doados pelos outros'', os ''sinais que emitem possibilidades de uma vida mais intensa que ainda não foi encontrada'', a ''exterioridade'', a ''alienação''. a ''separação pela não-intervenção'', etc

: Se Guy tivesse vivido para ter conta no Instagram

1) teria um ataque de tédio face ao psico-capitalismo in-yer-face inscrito no consumismo (denominador-comum) compartilhado nesta comunidade de inserção e pertença mas

2) haveria de reconhecer soberania à máquina publicitária que, tão geracionalmente confiante na ''economia do EU'', conseguiu fazer de cada indivíduo um bill-board voluntário e da vida pessoal uma mercadoria multi-branding (espectro que só remotamente corresponde ao referente), mas

3) rendido à inconsequência das palavras ao lado das imagens, iria tirar umas selfies (#senãoospodesvencer) e fazer parte deste espectáculo de imagens estáticas e em movimento ~ agora a cores. 


La Societé du Spéctacle, Guy Débord, 1973

quarta-feira, 4 de março de 2015

A mecânica do entretenimento

A Sociedade do EspectáculoGuy Debord, 1967

'' A diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada pelos que querem se subtrair aos processos de trabalho mecanizado, para que estejam de novo em condições de enfrentá - lo. Mas, ao mesmo tempo, a mecanização adquiriu tanto poder sobre o homem em seu tempo de lazer e sobre sua felicidade, determinada integralmente pela fabricação dos produtos de divertimento, que ele apenas pode captar as cópias e as reproduções do próprio processo de trabalho. O pretenso conteúdo é só uma pálida fachada; aquilo que se imprime é a sucessão automática de operações reguladas. Do processo de trabalho na fábrica e no escritório só se pode fugir adequando - se a ele mesmo no ócio. Disso sofre incuravelmente toda diversão. O prazer congela - se no enfado, pois que, para permanecer prazer, não deve exigir esforço algum, daí que deva caminhar estreitamente no âmbito das associações habituais. O espectador não deve trabalhar com a própria cabeça.''
 Theodor Adorno e Max Horkheimer (O Iluminismo como Mistificação das Massas)

domingo, 18 de agosto de 2013

''fotogramas carregados de movimento que provêm de um filme que nos falta''

«A experiência histórica faz-se pela imagem, e as imagens estão elas próprias carregadas de história. Poderíamos considerar a nossa relação à pintura sob este aspecto: não se trata de imagens imóveis, mas antes de fotogramas carregados de movimento que provêem de um filme que nos falta. Era preciso restitui-las a esse filme (terão reconhecido o projecto de Aby Warburg).»

Giorgio Agamben, «Le cinéma de Guy Debord», Image et memoire, Hoëbeke, Paris, 1998