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segunda-feira, 27 de agosto de 2018
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Venha que vento
When a woman ascends the stairs, Naruse, 1960
Wild Strawberries, Bergman, 1957
Naquela tarde quebrada contra o meu ouvido atento eu soube que a missão das folhas é definir o vento. (Ruy Belo)
Wild Strawberries, Bergman, 1957
Naquela tarde quebrada contra o meu ouvido atento eu soube que a missão das folhas é definir o vento. (Ruy Belo)
The wind, Victor Sjöström, 1928
Vento
vento
Há tanto
há só vento no meu país
Vento branco
verde vento negro
ardente
Seca as lágrimas
Corta a voz na raiz
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Já gastámos as palavras.
CRONOCA DI UN AMORE, ANTONIONI, 1950
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
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