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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Venha que vento

When a woman ascends the stairs, Naruse, 1960


Wild Strawberries, Bergman, 1957


Naquela tarde quebrada contra o meu ouvido atento eu soube que a missão das folhas é definir o vento. (Ruy Belo)


The wind, Victor Sjöström, 1928

Vento vento Há tanto há só vento no meu país Vento branco verde vento negro ardente Seca as lágrimas Corta a voz na raiz


EUGÉNIO DE ANDRADE

Faubourg St Martin, Jean-Claude Guiguet, 1986

terça-feira, 30 de março de 2010

Un son acousmatique - Chion


The Wind (Victor Sjöström, 1928)


[Un son acousmatique - que l'on entend sans voir la cause dont il provient - est ressenti comme lieu secret, énigmatique, où le savoir se cache] MICHEL CHION

daqui


sexta-feira, 2 de outubro de 2009

The Scarlet Letter e o protagonismo de Lilian Gish


THE SCARLET LETTER / 1926
 Victor Sjöström


Victor Sjöström chegou aos EUA em 1924 contratado por Mayer na sua caça aos talentos que, como se sabe, juntamente com a dos outros estúdios acabou por desvitalizar a indústria do cinema na Europa concentrando os melhores artistas e directores em Hollywood. Sjöström, com o nome “americanizado” para Seastrom (como vemos no genérico deste filme) acabou por ser o director do filme que iniciou a actividade na nova companhia criada por Mayer e seus sócios, a MGM: He Who Get Slapped que foi um êxito de bilheteira. The Scarlet Letter foi o seu quinto filme americano, tendo Sjöström sido escolhido por Lilian Gish para realizador. O filme foi outro sucesso comercial que levou a uma nova colaboração da actriz com o realizador dois anos depois de que resultou a obra prima The Wind. Mas o fracasso de bilheteira deste (que resultou principalmente da “revolução” do sonoro) pôs praticamente fim à carreira americana de Sjöström (só fez lá mais um filme, regressando depois à Suécia).

The Scarlet Letter é, antes de mais, um projecto de Lilian Gish. Na sua autobiografia, “The Movies, Mr. Griffith and Me”, a actriz conta que após a conclusão de La Bhoème (King Vidor) não aparecia qualquer projecto para ela. Foi Lilian que sugeriu a Mayer a adaptação de The Scarlet Letter. “Mayer concordou que era uma boa história mas “Não a podes fazer”, disse ele. “Está na lista negra”. “Como é possível?”, retorqui. “Trata-se de um clássico americano, de leitura frequente nas aulas”. “Não interessa. A igreja e os clubes de mulheres baniram-no”, respondeu ele.

Não foi isso que fez desistir Lilian Gish. A sua imagem de “pureza e inocência” transmitida por um dos filmes favoritos dessas ligas, The White Sister de Henry King, serviu-lhe de “garantia” quando escreveu a essas organizações pedindo que levantassem a “proibição” assumindo-se como inteira responsável pelo projecto. Pouco depois Irving Thalberg disse a Lilian e à argumentista Frances Marion que podiam avançar com a adaptação, pois as Ligas consideravam  “Lilian Gish como a mulher certa para o papel”: “Por  mais pecado que o filme transpire, todos sabem que será moral se Lilian for a pecadora” (Julian Smith num estudo sobre o filme). Evidentemente que isto impôs uma série de alterações à história contada por Nathaniel Hawthorne, de forma a “encaixá-la” nas exigências das várias censuras. E a principal foi a que transformou a Hester Prynne de Hawthorne numa personagem conforme à imagem de Lilian Gish. Sendo esta a responsável pelo projecto é dela a escolha do realizador (Sjöström) e dos seus colegas (Lars Hanson com quem voltaria a trabalhar, de novo sob as ordens de Sjöström, em The Wind, e Henry B. Walthall, o seu galã de The Birth of a Nation), e também das alterações a essa imagem: “A minha ideia era apresentar Hester como uma vítima das circunstâncias, arrastada pelo amor”. A Hester do filme é Lilian Gish e não a personagem criada pelo escritor. Ela própria o reconheceu e aceitou ao afirmar que se considerava demasiado imatura para o papel (“Ela era uma mulher, eu parecia uma criança”), mas o toque de génio da actriz foi torná-la convincente e aceite pelo público. Para sublinhar a personagem daquela forma os outros tiveram também de sofrer alterações: Dimmesdale, por exemplo, parte para Inglaterra sem saber da gravidez de Hester; Chillingworth (Roger Pryne, o marido de Hester) só aparece muito tarde e apenas para servir de catalisador da confissão pública de Dimmesdale. A sua imagem sofre também outras alterações aparecendo ao espectador como uma espécie de judeu errante, e ao público português como um outro, o Romeiro de Frei Luís de Sousa de Garrett.

Repare-se bem no que atrás tem sido dito. Scarlet Letter “desenha-se” como uma produção de “actor” mais ou menos próximo de um critério moderno: o nome da vedeta que impõe um argumento (aqui não só ao estúdio como às Ligas de moral), o altera de acordo com a sua imagem e escolhe a equipa técnica e artística. Uma achega importante para os que se referem ao cinema como um trabalho de “equipa” (que o é de facto), para apagar o papel do realizador (a anti-”politique d’ auteur”). Caberia aqui perguntar qual é então o papel de Sjöström nisto tudo: o de mero “retratista”? O “homem da máquina” como desdenhosamente produtores e actores se referiam a George Pallu no cinema português dos anos 20? No fim de contas a visão deste belíssimo filme pode ser a melhor resposta a todas essas polémicas mais ou menos descabeladas. Se os valores de produção são importantes neste filme a mão de Sjöström paira permanentemente sobre ele deixando a sua marca inconfundível. Desde logo o começo: aquele movimento de câmara que vai dos sinos até às pessoas na rua a caminho da igreja, passando pelo pelourinho. Depois na organização do espaço. As imagens do seu filme sueco Ven Domer, de 1921, acordam na memória face à distribuição “geométrica” dos figurantes na rua (a caminho da igreja) e dentro do templo, e todas as cenas finais com os desfiles dos militares, a praça e o pelourinho onde Dimmesdale se vai expor e denunciar. Depois a exploração simbólica da paisagem com as sequência com o marido de Hester e a paisagem da sua casa numa espécie de ermo desolado evocando paisagens trágicas de Terne Vigen e de Korkarlen. Finalmente o profundo erotismo que perpassa pelo filme (apesar de todas as Ligas de moral) que vai da fabulosa sequência da perseguição ao pássaro pelo bosque em que a pouco e pouco o cabelo de Hester se vai desfeiteando, à irresistível cena das calcinhas (!) que Hester esconde do olhar do pregador e que culmina numa das mais sugestivas cenas do cinema de Sjöström: Hester e Dimmesdale andando pelo bosque, a desaparição atrás do arbusto e o seu regresso de mãos dadas. Tudo o que aqui se vê (e se sugere) mostra que das duas uma: ou Lilian Gish se aproveitou da sua imagem para mostrar uma outra bem mais interessante, com a cumplicidade de Sjöström, ou as Ligas de moral andavam muito distraídas em busca do pecado por outras redondezas. Poucas vezes o erotismo foi tão transparente num filme mudo americano.



Manuel Cintra Ferreira

domingo, 21 de junho de 2009

O vento actualmente vale oitenta escudos.

O Valor do Vento
Está hoje um dia de vento e eu gosto do vento
O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras e
só entram nos meus versos as coisas de que gosto
O vento das árvores o vento dos cabelos
o vento do inverno o vento do verão
O vento é o melhor veículo que conheço
Só ele traz o perfume das flores só ele traz
a música que jaz à beira-mar em agosto
Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento
O vento actualmente vale oitenta escudos
Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto
Ruy Belo


domingo, 1 de março de 2009

UN SON ACOUSMATIQUE




[Un son acousmatique - que l'on entend sans voir la cause dont il provient - est ressenti comme lieu secret, énigmatique, où le savoir se cache] MICHEL CHION

daqui



"The Wind", Victor Sjöström (1928)