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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Temper, oh Goddess, / the hardening of you ardent spirits

The Bridges of Madison County, Clint Eastwood, 1995

CASTA DIVA
Pure Goddess, whose silver covers
These sacred ancient plants,
we turn to your lovely face
unclouded and without veil...
Temper, oh Goddess,
the hardening of you ardent spirits
temper your bold zeal,
Scatter peace across the earth
Thou make reign in the sky...


segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

(to be or not to be)

Little Men existe com a naturalidade do que veicula: uma inclinação moral natural das crianças que é tão genuína como a sua vocação artística.  Da mesma forma, este filme não quer ser nada - ele é.

Little Men, Ira Sachs, 2016
The Bridges of Madison County, Clint Eastwood, 1995


 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Textual.

Ace in the hole, Billy Wilder, 1951 


The Awful Truth, Leo McCarey, 1937


A Streetcar Named Desire, Elia Kazan, 1951

You and Me and Everyone We Know, Miranda July, 2005
The Bridges of Madison County, Clint Eastwood, 1995

A Ghost Story, David Lowery, 2017

Sylvia, Christine Jeffs, 2006

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A PERFECT WORLD / por J. Bénard da Costa

A PERFECT WORLD (1993)

Clint Eastwood















por João Bénard da Costa

A excepção e a regra. Uma reconciliação com o mundo e com os homens. "Voltei a acreditar que um e outros podem ser perfeitos."

Quando fui ver A Perfect World estava num daqueles dias em que se tende a exagerar a natural imperfeição do mundo e dos seus habitantes. Um daqueles dias em que se toma a parte pelo todo ou uma dor de cabeça por um cancro no cérebro. Um daqueles dias, por exemplo, em que, quando presenciamos tristes figuras, de quem as esperávamos e de quem as não esperávamos, generalizamos que só há figurações tristes nestes tristes tempos deste triste espaço. Que "faz frio pensar na vida". O que a vida faz às pessoas. O que as pessoas fazem da vida. De associação em associação, de recorrência em recorrência, tudo ou muito (mas um muito que é demais) nos começa a parecer sinistro. "Há qualquer coisa de sinistro no olhar daquele carneiro", dizia Nuno Bragança quando não gostava ou desconfiava de uma pessoa. Em dias, como o dia em que vi A Perfect World, descobri "qualquer coisa de sinistro" no olhar de quase todos os carneiros, mesmo daqueles que têm lã quentinha e a quem gostamos de passar a mão pelo pêlo ou que nos passem a mão pelo pêlo. Os amigos não são para essas ocasiões.

Antigamente, um bom filme de Capra, um bom filme de Ford, eram o antidepressivo ideal para essas ocasiões, que provavelmente têm mais que ver com coisas nossas de que com coisas vossas. Hoje - Capra morreu, Ford morreu e não há ninguém com muita saúde - é mais raro achar filmes com essas virtudes. Mas, no ser humano, a capacidade de bem é tão espantosa como a capacidade de mal e, mesmo que a moral vigente não seja mais a moral edificante, há sempre excepções à regra.A Perfect World (título que não deve ser lido ironicamente) é uma dessas excepções. De resto, num diálogo do filme (e dos mais importantes) é de regras e excepções que se fala.

T.J. Lother, o miúdo que Clint Eastwood descobriu (decalcado a papel químico de 4700 miúdos análogos do cinema americano) confessa a Kevin Costner que roubou o fato do fantasminha e a máscara do "halloween". Pergunta-lhe se está zangado com ele, pergunta aliás recorrente na boca de uma criança educada por Testemunhas de Jeová e por muitas proibições. Costner responde-lhe que não se deve roubar, mas que quando uma coisa apetece muito e não há dinheiro... E acrescenta, à laia de moral, "todas as regras têm excepção". É quase no fim do segundo grande "travelling" de acompanhamento, no caso em questão de acompanhamento do carro em que o adulto e a criança por duas vezes permutam estatutos: o adulto faz-se criança (para o bem e para o mal, nunca tinha deixado de o ser) e a criança torna-se adulto. Nesses dois "travellings" (muito longos e admiravelmente filmados) Kevin Costner e T.J. Lother ligam-se um ao outro e ligam-se a nós.

No cinema americano, abundam exemplos de histórias de crianças que foram parar às mãos de bandidos. Ou se divertiram muito, ou ficaram, para sempre, vacinadas contra o maniqueísmo dos "bons" e dos "maus". A Perfect World, a esse nível, é só mais um filme desses e não destrona o arquétipo de todos, Moonfleet, de Fritz Lang. Como não destrona, em termos de imagem emblemática, a oposição corpo grande - corpo pequeno, ou pai-filho, que explicou a adesão das gerações do pós-guerra a uma parábola como Ladrões de Bicicletas. Por alguma razão, a imagem publicitária do filme (Kostner, enorme, e T.J. Lother, pequenino, de mãos dadas) reenvia imediatamente ao filme de De Sica.

Mas, em A Perfect World, dão-se passos muito consideráveis para questões morais bastante mais complexas. Centro-me numa sequência e num adereço: a sequência em casa da família negra e a utilização do fato e da máscara do "halloween".

Se, algum dia, o mundo pareceu perfeito ao miúdo chamado Philip foi na manhã que passou em casa dos velhos negros e do neto. A amizade com Costner selara-se quando este interrompeu o que estava a fazer com a dona do restaurante e seguiu viagem com o miúdo, sem - novamente - se zangar com ele. Depois de terem sido acordados na floresta (pelo negro) tudo pareceu a Philip (e digo a Philip, porque a sequência é subjectiva) a perfeita celebração dessa amizade: o velho disco, a velha música, Costner a dançar com a velha, ele a dançar com o miúdo. Neste momento, o bem pareceu estar do lado mau, definitiva e pacificamente. Se a polícia tivesse entrado naquela casa, naquele momento, o miúdo ficaria a odiar polícias e a adorar ladrões pela vida fora.

Mas o que aprendeu, e o que aprendeu de repente, foi que não há simplicidades dessas. Determinado por um valor ("adultos não devem tratar mal as crianças") Kevin Costner estraga a festa e, como todos os fundamentalistas, assume por razões éticas um comportamento monstruoso (a tortura e a ameaça de morte à família negra). E o que o miúdo descobre naquele momento é que o amigo é também um monstro e que nenhuma amizade justifica o pacto com a monstruosidade ou com a ignomínia. Por isso dispara e mata o amigo. Esse tiro é, por isso mesmo, um dos tiros mais belos da história do cinema.

Mas Clint Eastwood ainda foi mais longe. Costner diz ao miúdo, depois, que se calhar não ia matar ninguém (é irrelevante, a tortura fora mais grave) e, em campo aberto (na sequência final), dá muito mais dados para ser compreendido e amado. E quando manda Philip embora, pede-lhe que ponha a caraça e vista o fato do fantasma. É nessa altura que essa caraça e esse fato adquirem a dimensão mais obscura e sacral. Porque com elas, o miúdo não é miúdo mas uma aparência construída para meter medo. Passa de criança a homúnculo e dissolve-se-lhe, sob a máscara, a infantilidade. Como máscara, pode enfrentar as outras máscaras (os polícias) num mundo por igual mascarado, num mundo em que sem máscara ou se é criança ou se está perdido.

Num filme de 1932 - Blonde Venus -, Sternberg fez aproximável uso de uma caraça e de uma criança para dar a Marlene um terceiro homem mais forte do que o marido e do que o amante. Em A Perfect World, desde a sequência do armazém e sempre que o miúdo tira ou põe a máscara, são dadas as pistas para a transformação daquela criança no adulto que um dia será, e, eventualmente, no monstro que um dia pode vir a ser. Quando foi ele que deu o tiro tinha a cara e os olhos transparentemente nus. Quando a polícia deu o segundo tiro - o tiro da abjecção - o contracampo é a máscara.

No fim, já o miúdo vai ser levado para a sua "nave espacial", Clint Eastwood dá o soco no agente federal e Laura Dern atira-lhe um pontapé aos tomates. Esses dois actos violentos são o equivalente (adulto e "legal") do tiro que a criança dera. A criança não a vemos nem a ouvimos mais. Clint Eastwood ouvimo-lo dizer (e são as últimas palavras do filme): "Já não sei nada de nada". Alguma vez, alguém, pensou ouvir semelhante confissão da boca de Clint Eastwood?

Mas foi por causa dessas palavras, do tiro do miúdo, do soco de Clint Eastwood e do pontapé de Laura Dern que me reconciliei com o mundo e com os homens e que voltei a acreditar que um e outros, às vezes, podem ser perfeitos. As estrelas do céu por cima de nós e a lei moral dentro de nós? Professor Immanuel, é mais ou menos isso.

in As Imagens Recorrentes, crónica no Suplemento "Vida" do semanário "Independente", 23 de Dezembro de 1993

terça-feira, 1 de junho de 2010

Ensaio de Ricardo Vieira Lisboa


Happy birthday Clint!




celebramos os 80 anos de Clint Eastwood
a 31 de Maio de 2010



Carta do aspirante a actor, Clint Eastwood, de 24 anos, a Billy Wilder, a propósito de um screen test para o papel principal em "Spirit of St. Louis."



via Ignatiy Vishnevetsky

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O amor é um lugar.




...E o que nós sentimos um pelo outro?
Nós que nem somos já duas pessoas distintas....



The Bridges of Madison County
CLINT EASTWOOD (1995)

sábado, 11 de abril de 2009

Play Misty for Me (Clint Eastwood, 1971)

PLAY MISTY FOR ME / 1971
Clint Eastwood






Manuel Cintra Ferreira


Para quem descubra agora o primeiro filme realizado por Clint Eastwood encontrará nele algo de familiar. De facto, o argumento apresenta uma singular aproximação ao de Fatal Attraction/Atracção Fatal, de Adrian Lyne. Mas seja qual for o ponto de vista que se tome para a comparação, a verdade é que Play Misty For Me, apesar das evidentes e visíveis deficiências, apresenta um maior interesse. Talvez a história de Jo Heims que Eastwood filma não fosse estranha a James Dearden, o argumentista de Fatal Attraction. Mas o filme de Lyne é um schlock que chega a cair no mau gosto do “gore” e no efeito de choque (o que está na origem do seu esmagador sucesso de bilheteira), enquanto o de Eastwood está mais na linha de um thriller clássico sobre um caso de paranóia e, para o seu tempo (1972), representa uma sugestiva alteração nas regras do género, no que diz respeito às relações entre os personagens principais.

De qualquer modo o tema não é inteiramente original. A história do cinema americano apresenta já algumas personagens femininas que fogem ao cânone fílmico, mas a Evelyn de Play Misty For Me leva ao ponto de ruptura situações tensas e confrontos que até então se adivinhavam trágicos, e é uma personagem que já não se pode incluir na “categoria” da mulher “fatal”, que até então servia para apresentar esse tipo de mulher no melodrama (The Dark Mirror/O Espelho da Alma) ou no filme “negro” (Double Indemnity/Pagos a Dobrar). Mas entre as personagens femininas aparecidas na década de 40 há uma que se destaca pela patologia que a domina, pela pulsão (auto)destruidora que a empurra, pelo sentimento de posse total do objecto do seu desejo, e que se aproxima singularmente da de Play Misty For Me. Trata-se de Guest in the House/Mulher Sem Alma de John Brahm (1944) e onde Anne Baxter tem a sua maior interpretação antes de All About Eve/Eva de Mankiewicz. Semelhanças que vão ao ponto de terem o mesmo nome, Evelyn e fim semelhante. E se a Evelyn de Guest in the House tinha uma fobia aos pássaros (que provocam o seu fim) não deixa de ser curiosa a presença de um corvo na casa de Eastwood. Apetecia dizer, agora, que, neste caso Joe Heims deveria conhecer aquele filme de Brahm (ou a peça que adapta), e que é, portanto, apenas um elo na corrente de transmissão da “história” de uma fase para outra. Aliás, esoterismos à parte, o corvo presente acaba por ser uma referência premonitória à descoberta por Dave (Eastwood) de quem é a companheira de apartamento de Tobie (Donna Mills), feita através de um poema de Edgar Allan Poe, “Annabel Lee”. Mas para lá desta citação culta (e o de um “possível” elo de ligação ao filme de Brahm) o corvo representa também o “olhar de pássaro” que abre e encerra o filme: duas longas panorâmicas aéreas que do céu se aproximam (a primeira) e se afastam (a segunda) da casa da praia que é o cenário do drama. Para reforçar este olhar “de cima”, como que “testemunhado” pelas aves (como em The Birds de Hitchcock) um plano a meio do filme enquadra uma gaivota que voa pela costa (as filmagens foram feitas perto de Carmel, onde reside Clint Eastwood) e é sempre na mesma perspectiva que o realizador nos mostra os carros na auto-estrada. Levando mais longe a analogia, este olhar de “pássaro” corresponde, de certo modo, ao olhar que Dave tem das suas relações com as mulheres, uma posse sem compromisso, um “olhar rápido” (à vol d’ oiseau, é uma sugestiva expressão francesa que lhe corresponde), não uma contemplação, uma “fixação”. Aliás, todo o conflito parece ser uma metáfora das indecisões de Dave, que não se resolve a comprometer-se seriamente com Tobie. A aparição de Evelyn, que é exactamente o reverso de Tobie, destina-se, simbolicamente, a destruir a imagem negativa, a fim da outra poder ocupar, finalmente, para lá do espaço afectivo, o sexual. Ambos “marcados” (ele ferido pela faca e ela de cabelos cortados, numa imagem ambígua) apoiar-se-ão um ao outro para caminharem no final. O personagem masculino surge, aqui numa posição de flagrante inferioridade em relação a qualquer das personagens femininas: não tem a segurança de Tobie, nem a agressividade de Evelyn. Há um certo masoquismo na forma como Eastwood constrói a personagem quer vem detrás, dos filmes que o consagraram e que ele manterá em muitos dos que fará depois. Recorde-se a figura do “Homem Sem Nome” na trilogia de Sergio Leone (em particular o primeiro filme: Per Un Pugno di Dollari/Por Um Punhado de Dólares) e os seus trabalhos nos filmes de Don Siegel. Aliás Play Misty For Me vem exactamente na sequência de The Beguiled/Ritual de Guerra de Don Siegel, onde Eastwood tem a sua imagem viril totalmente “castrada”, ferido e acamado e presa e vítima de um grupo de mulheres fanáticas. A personagem de Dave de Play Misty For Me tem muito em comum com a daquele filme, o que se manifesta na “impotência” que mostra em se livrar da mulher que o persegue. Siegel torna-se assim, para ali de cúmplice e amigo, o “padrinho” de Eastwood na estreia na estreia deste na realização (que “avaliza” com a sua presença como intérprete, na figura do barman). Como primeira obra o filme apresenta, como desse ao começo, algumas deficiências. As mais flagrantes serão a montagem rápida entre a agressão de Evelyn a Tobie e a corrida de Dave no carro que desorienta o espectador, e a introdução das cenas documentais do festival de jazz, numa espécie de “pausa” antes do desenlace.


terça-feira, 17 de março de 2009

a ver :



o sofrimento é o que é :
"Cette histoire est veritable. Je la donne comme elle est, sans ornements.'' Robert Bresson
Un condamné à mort s'est échappé ou Le vent souffle où il veut - BRESSON (1956)


o cumprimento do guerreiro : 
GRAN TORINO- CLINT EASTWOOD (2008)


o luto dos outros :
CALCUTTA- LOUIS MALLE (1969)



a beleza da vida é suave, feita por pequenos triunfos progressivos: 
L'ENFANT SAUVAGE- TRUFFAUT (1970)

 

segunda-feira, 2 de março de 2009

CHANGELING.

Clint Eastwood dissolvido numa realização ocular: 


A Troca (Changeling), de Clint Eastwood (2008)

sexta-feira, 21 de março de 2008

A minha vida será esperar-te sem palavras :



THE BRIDGES OF MADISON COUNTY
Clint Eastwood (1995)


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000

Take me to Africa #1

The Bridges of Madison County, Clint Eastwood, 1995

Tessa: Take me to Africa with you.
Justin: What? Roll you up in a rug? Pack you in a tea chest?
Tessa: Very funny.
Justin: I’d have to smuggle you in as illicit goods. I couldn’t declare you. Oh, listen. I could put you in one of these plant boxes, and you’d be very comfortable, wrapped up in a little piece of, uh, I could label you. “Tessa.”
Tessa: I’m serious.
Justin: Um, yeah, I can see you are. [beat] And in what. . .what capacity should I take you to Africa?
Tessa: I don’t mind. You can take me as your mistress, lover, wife.
Justin: There’s too much choice.


The Constant Gardener, Fernando Meirelles, 2005