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sábado, 21 de julho de 2018
quarta-feira, 23 de maio de 2018
sexta-feira, 30 de março de 2018
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Adventismo Revolucionário.
they are coming.
As novas eras
As novas eras não começam de uma vez.
Meu avô viveu já nos novos tempos
Meu neto com certeza viverá ainda nos velhos.
A carne nova é comida com os velhos garfos.
Não foram os veículos motorizados
Nem os tanques
Não foram os aviões sobre nossos tetos
Nem os bombardeiros.
Das novas antenas vieram as velhas bobagens.
A sabedoria distribuíu-se de boca em boca.
As novas eras não começam de uma vez.
Meu avô viveu já nos novos tempos
Meu neto com certeza viverá ainda nos velhos.
A carne nova é comida com os velhos garfos.
Não foram os veículos motorizados
Nem os tanques
Não foram os aviões sobre nossos tetos
Nem os bombardeiros.
Das novas antenas vieram as velhas bobagens.
A sabedoria distribuíu-se de boca em boca.
BRECHT
Zemlya- Terra (Aleksandr Dovzhenko, 1930)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
O mudar das estações
Prazeres
O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados
Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.
Bertold Brecht, in 'Do Pobre B.B.'
Viajar, cantar
Ser amável.
Bertold Brecht, in 'Do Pobre B.B.'
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Straub sobre Brecht.

"De certo modo, a descoberta que ele fez para o teatro, fi-la eu a nível cinematográfico. "Escavar a verdade sob o cúmulo do óbvio, unir com evidência o particular e o geral, fixar no geral o que é particular, esta é a arte dos realistas", disse Brecht, e creio que os nossos filmes deverão reinventar o realismo, neste sentido. É necessário, acima de tudo, que a câmara não seja um olho, mas um olhar. Este é o trabalho (...) E conhecer a distância, moral e material (dá na mesma) entre o que se mostra e câmara. Para o enquadramento, os alemães usam a palavra "Einstellung". Einstellung também significa disposição moral. (...) O que é necessário, creio, é uma ideia. Uma ideia que não seja uma intenção simbólica nem psicológica. Uma ideia moral, logo política. "
Straub
sábado, 11 de outubro de 2008
STRAUB-HUILLET

"O espectador estaria, enfim, à distância certa: nem enredado em próximidades cúmplices, nem esmagado pelo exerc´ciio de uma arte que se autoproclama inacessível.
Isto seria um sonho, é claro: qual é o espectador livre, disponível, lúcido, aqui e agora (na Alemanha, em Itália, nos Estados Unidos, em França?).
Certamente não o espectador burguês: a burguesia, incapaz de assumir a sua própria cultura - o que esta cultura pode ter tido de revolucionário; o que ainda é revolucionário nela. Mais ainda, incapaz de assumir (ou mesmo de pensar, a não ser com medo) a cultura que se anuncia. Ou seja: a sua própria tumba.
Se sim, que espectador? O homem do povo, o trabalhador, o proletário, o camponês. Mas estes estão excluidos da cultura pela burguesia, pelo seu estado, as suas instituições. No entanto, é a eles que pertence a cultura passada. Foram eles que a fizeram: eles criaram riquezas. É a eles que pertencerá a cultura de amanhã. Então, o cinema poderia dirigir-se, hoje, ao homem de amanhã (e aquilo que, hoje, já anuncia ou já existe do homem de amanhã).
Isto é um sonho, mas um sonho necessário: de reapropriação. E " quando se falar ao povo, é preciso fazer-se compreender por ele. Mas não é uma questão de forma. O povo não compreende apenas as formas antigas. Para desvendar a causaliadde social, Marx, Engels, Lenine nunca deixaram de utilizar formas novas. Lenine apenas não dizia a mesma coisa que Bismarck, mas dizia-o de outro modo. Na verdade, ele não pretendia falar com formas antigas ou novas: falava da forma apropriada" - Brecht."
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
De que serve a razão / Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
De que Serve a Bondade
1
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
2
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!
Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!
Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
quarta-feira, 26 de abril de 2006
Incompletas ainda
Sobra a Construção de Obras Duradouras
Quanto tempo
Duram as obras? Tanto
Quanto o preciso pra ficarem prontas.
Pois enquanto dão que fazer
Não ruem.
Convidando ao esforço
Compensando a participação
A sua essência é duradoura enquanto
Convidam e compensam.
As úteis
Pedem homens
As artísticas
Têm lugar pra a arte
As sábias
Pedem sabedoria
As destinadas à perfeição
Mostram lacunas
As que duram muito
Estão sempre pra cair
As planeadas verdadeiramente em grande
Estão por acabar.
Incompletas ainda
Como o muro à espera da hera
(Esse esteve um dia inacabado
Há muito tempo, antes de vir a hera, nu!)
Insustentável ainda
Como a máquina que se usa
Embora já não chegue
Mas promete outra melhor.
Assim terá de construir-se
A obra pra durar como
A máquina cheia de defeitos.
Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela
Duram as obras? Tanto
Quanto o preciso pra ficarem prontas.
Pois enquanto dão que fazer
Não ruem.
Convidando ao esforço
Compensando a participação
A sua essência é duradoura enquanto
Convidam e compensam.
As úteis
Pedem homens
As artísticas
Têm lugar pra a arte
As sábias
Pedem sabedoria
As destinadas à perfeição
Mostram lacunas
As que duram muito
Estão sempre pra cair
As planeadas verdadeiramente em grande
Estão por acabar.
Incompletas ainda
Como o muro à espera da hera
(Esse esteve um dia inacabado
Há muito tempo, antes de vir a hera, nu!)
Insustentável ainda
Como a máquina que se usa
Embora já não chegue
Mas promete outra melhor.
Assim terá de construir-se
A obra pra durar como
A máquina cheia de defeitos.
Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela
Vampire (1895) by Edvard Munch
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