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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

2010.



Cinco Mulheres em Torno de Utamaro, 1946, Mizoguchi

A todos desejo larga firmeza nos passos,
 e um renovado fôlego 
que se aproprie dos ânimos e das vontades.
A todos, um óptimo ano de 2010.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Homólogo de alma negra

“The body is the instrument of our hold on the world.” 
― Simone de BeauvoirThe Second Sex



Yôkihi, (Kenji Mizoguchi, 1985)


Carolee Schneemann

Jan Brueghel

Trent Parke

 Life the Way it Is (Brisseau, 1978)

Le Thèâtre des Matières, (Biette, 1977)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Há-de flutuar


Contos da Lua Vaga (1953), de Kenji Mizoguchi

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto
Salsugem
1984, ed. Contexto

Há-de flutuar


Ugetsu monogatari, Mizoguchi, 1953

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto
Salsugem
1984, ed. Contexto

sábado, 26 de janeiro de 2008

CONTOS DA LUA VAGA.


CONTOS DA LUA VAGA
(Ugetsu Monogatari, 1953)
Kenji Mizoguchi


"Um dos mais belos poemas de aventura e de amor louco, um dos cantos mais fervorosos compostos em honra da renúncia e da fidelidade, um hino à Unidade e, ao mesmo tempo, à diversidade das aparências."
(Eric Rohmer)

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Estou a escrever-te.



LIVRO DE CABECEIRA
Peter Greenaway (1994)



CINCO MULHERES EM TORNO DE UTAMARO
Mizoguchi (1946)