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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
domingo, 4 de fevereiro de 2018
Amansar a ideia de vê-lo / é o tecido dos meus dias
Amansar a ideia de vê-lo
é o tecido dos meus dias
e eu me recubro totalmente
é o tecido dos meus dias
e eu me recubro totalmente
com este selo — esta companhia
podemos nos amar na distância
transcender o espírito largo
podemos nos amar na distância
transcender o espírito largo
é o fosso que nos separa
e contigo estou — sempre — a um passo
do abismo escuto o eco dum graveto
e contigo estou — sempre — a um passo
do abismo escuto o eco dum graveto
quebrando lá embaixo o clique
pros meus ouvidos tão abertos é tão nítido
quanto o teu desejo de ficar comigo.
pros meus ouvidos tão abertos é tão nítido
quanto o teu desejo de ficar comigo.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
''o amor me esquartejou em seis''
Mildred Peirce, Michael Curtiz, 1946
o amor me esquartejou em seis
continentes incapazes de se conter
o modo que eu morri
foi tão de repente
continentes incapazes de se conter
o modo que eu morri
foi tão de repente
confesso fui eu que puxei seus dentes
antes e durante o entardecer tem rosas
nítidas e supérfluas sobre a mesa
purificando o meu espírito trôpego
antes e durante o entardecer tem rosas
nítidas e supérfluas sobre a mesa
purificando o meu espírito trôpego
foi-me dado um candeeiro um circo
ateando um chicote no lombo do acidente
eu me antecipo cada vez que vejo um poço
teu vitalício laço de fita nó de corda meu amor
ateando um chicote no lombo do acidente
eu me antecipo cada vez que vejo um poço
teu vitalício laço de fita nó de corda meu amor
a tua língua vale o que vale
teu ricochete, teus meandros
medos, usuras, os prevenidos
armários das famílias
teu ricochete, teus meandros
medos, usuras, os prevenidos
armários das famílias
abertos pelo caos nos guiamos
olhos mais longos que os de lúcifer
moram nas suas coxas
quando me anteveem
olhos mais longos que os de lúcifer
moram nas suas coxas
quando me anteveem
marfim, colchão mole
água na boca
no tronco um portão
noite luz
água na boca
no tronco um portão
noite luz
Júlia de Carvalho Hansen
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
domingo, 1 de fevereiro de 2015
terça-feira, 29 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
sábado, 4 de dezembro de 2010
''as ruas onde passamos pelos outros / mas passamos principalmente por nós''
Oh as casas as casas as casas
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo
Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas
Ruy Belo
sexta-feira, 3 de março de 2006
sábado, 4 de fevereiro de 2006
sábado, 5 de fevereiro de 2005
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005
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