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terça-feira, 7 de agosto de 2018

STEREODOX: suposição de qualquer semelhança

Written on the wind (Douglas Sirk, 1956)



Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo.

1934

fernando pessoa
poesias inéditas (1930-1935)
ática
1955




segunda-feira, 23 de abril de 2018

Interlude.

Interlude (Douglas Sirk, 1957)


Indispensável texto de José Bértolo sobre Interlude, no À Pala de Walsh: 

sábado, 21 de abril de 2018

''Poetry gives him nothing that he couldn't find in a woman's smile.''

Lured, Douglas Sirk, 1947




terça-feira, 20 de março de 2018

eye=soul



Sleep, my love, Douglas Sirk, 1948

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A cinefilia não é uma academia.


"A promessa da cinefilia encontra-se no potencial das imagens terem um efeito que não se conforma às nossas ideias ou expectativas pré-concebidas, portanto será igualmente grave para a cultura cinematográfica se, por parte do mundo académico, o que conte para a escrita aceitável fique restringido a causas prováveis e a efeitos mensuráveis, isolando o cinema do pensamento especulativo e das realidades políticas. Segundo Jacques Rancière, o conhecimento do mundo a que chamamos cinema é sempre cambiante e sempre controverso e pertence a qualquer um que o tome como um lugar em que pode forjar o seu próprio e pessoal caminho." 
Nico Baumbach,''All that heaven allows'' 
Film Comment magazine 2012

terça-feira, 29 de novembro de 2016

People can’t live alone, but they can’t live together either.

Written on The Wind, Douglas Sirk, 1956

"This is the kind of thing Douglas Sirk makes movies about. People can’t live alone, but they can’t live together either. This is why his movies are so desperate. "
http://www.filmcomment.com/blog/sirk-from-the-archives/

The Bitter Tears of Petra von Kant, Rainer Werner Fassbinder, 1972


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

(L)imitação da vida

Imitation of Life, Douglas Sirk, 1959
The day the world ended, Roger Corman, 1955
Spirits of the dead, Fellini, 1968
IF..., Lindsay Anderson, 1968
Satyricon, Fellini,1968

"I must have made a mistake, and now I am living the wrong life."

WG Sebald, Austerlitz

Provavelmente, o Imitation of Life é o filme que mais tremendamente atinge a angústia inerente ao cinéfilo. 


 “film is a disease. When it infects your bloodstream, it takes over as the number one hormone; it bosses the enzymes; directs the pineal gland; plays Iago to your psyche.” 
Frank Capra

E ali fica ele, a meditar sobre a sua cinefilia, na cadeira auto-examinadora da obsessão.
O ver é vasto. O ver quer ver mais.
Vai-se vendo, em contínuo, mas não sem dúvidas: as possibilidades de estar alhures e de ser outrem atingem o espírito - particularmente quando a quietude do corpo se sucede nessa amorfia de deixar entrar dentro de si toda as vidas possíveis a um ecrã. Como dentro das páginas de um livro, o prazer é imediato a cada passagem mas, no fim do longo esforço, suspende-se o travo amargo na boca que desconfia de todas as possibilidades da vida não vivida:
Será a isto que chamam de vida? 
O estado alerta da fisionomia basta para me chame de vivo? 
Existo porque me digo cá? 
Como em IF, trata-se de perguntar pela esperança de um futuro mais real por chegar : 
afinal, ''quando é que começamos a viver?"

Mas depois, dissipando-se na bruma os episódios no tempo, eis que se confundem todas as memórias e, à distância, se recordam momentos que já não se sabe bem se vêm da vida ou se vêm dos filmes...



"We never live; we are always in the expectation of living." - Voltaire
Letyat zhuravli ( The Cranes are Flying ) | Mikhail Kalatozov, 1957
Le Feu Follet ( The Fire Within ) | Louis Malle, 1963


sábado, 12 de dezembro de 2009

Liberdade Condicional.

Shockproof, Douglas Sirk, 1949

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

latinismos.

The Constant Gardener, Fernando Meirelles, 2005


Interlude (Douglas Sirk, 1957)

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

paraísos artificiais

( Não existe melhor anti-depressivo do que um filme em technicolor.)



All that Heaven allows, Douglas Sirk, 1955 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

''como se a própria falta de sentido da existência entrasse por nós adentro''

''(...) cai sobre nós um vazio enorme, como se a própria falta de sentido da existência entrasse por nós adentro e se estendesse como uma imensa e despida paisagem.''
em Uma vasta e deserta paisagem. Kjell Askildsen

Tarnished Angels, Douglas Sirk, 1957