Imitation of Life, Douglas Sirk, 1959
The day the world ended, Roger Corman, 1955
Spirits of the dead, Fellini, 1968
IF..., Lindsay Anderson, 1968
Satyricon, Fellini,1968
"I must have made a mistake, and now I am living the wrong life."
WG Sebald, Austerlitz
Provavelmente, o Imitation of Life é o filme que mais tremendamente atinge a angústia inerente ao cinéfilo.
“film is a disease. When it infects your bloodstream, it takes over as the number one hormone; it bosses the enzymes; directs the pineal gland; plays Iago to your psyche.”
Frank Capra
E ali fica ele, a meditar sobre a sua cinefilia, na cadeira auto-examinadora da obsessão.
O ver é vasto. O ver quer ver mais.
Vai-se vendo, em contínuo, mas não sem dúvidas: as possibilidades de estar alhures e de ser outrem atingem o espírito - particularmente quando a quietude do corpo se sucede nessa amorfia de deixar entrar dentro de si toda as vidas possíveis a um ecrã. Como dentro das páginas de um livro, o prazer é imediato a cada passagem mas, no fim do longo esforço, suspende-se o travo amargo na boca que desconfia de todas as possibilidades da vida não vivida:
Será a isto que chamam de vida?
O estado alerta da fisionomia basta para me chame de vivo?
Existo porque me digo cá?
Como em IF, trata-se de perguntar pela esperança de um futuro mais real por chegar :
afinal, ''quando é que começamos a viver?"
Mas depois, dissipando-se na bruma os episódios no tempo, eis que se confundem todas as memórias e, à distância, se recordam momentos que já não se sabe bem se vêm da vida ou se vêm dos filmes...
"We never live; we are always in the expectation of living." - Voltaire
Letyat zhuravli ( The Cranes are Flying ) | Mikhail Kalatozov, 1957
Le Feu Follet ( The Fire Within ) | Louis Malle, 1963