segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Que definição de Humanidade é esta que habitamos no presente?


Hoje, tive de ser minha amiga e remover as notificações das páginas de notícias nas redes. Oficializei que, por tempo indeterminado, só leio livros. São as guerras, são os atentados, é a crise, é o ódio que reina, são as crianças refugiadas, são as famílias a perderem as suas casas e a viverem em quartos, tendas e roulottes, são as pessoas que passam fome para não deixar os seus animais sem comer, etc... É um horror de mundo, é um pavor de país. Acordo aterrorizada, do pesadelo para o pesadelo.

Viemos de comunidades em cavernas para a privatização de todas as etapas da experiência humana, de cada bem essencial a cada centímetro quadrado de chão e... para quê? Para as pessoas andarem, em geral, infelizes e exaustas, de potencial subdesenvolto, ainda a lutar diariamente pelo abrigo e pelo sustento, tal e qual os pré-históricos? O ensino obrigatório passa 12 anos a comprovar como o Humano se cumpre, individual e irrepetível, em cultura e consciência, para depois vir o sistema político-financeiro estrangulá-lo, borrifar-se para o seu estado de ou-vivo-ou-morto-ou-assim-assim, reduzindo-o à sua condição de mais bicho do que gente? Num planeta com recursos bastantes para suprir as necessidades de todos, em prol de que tirania se mantém assim a civilização atrofiada?  

Alguém já se lembrou de olhar para o céu e de reparar como talvez espelhe a terra? Que somos nós, os seres humanos, cada um desses pontos luminosos, únicos e radiantes de capacidades, à espera no azul pelo direito a viver como quem brilha por um instante? Afinal, que definição de Humanidade é esta que habitamos no presente? Onde fica o Espírito, esses olhos de ver, essa centelha excepcional do animal-homem, essa Inteligência única que, sinceramente, parece cansar-se antes de ver-se ao espelho?

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