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quinta-feira, 25 de abril de 2019

ZECA AFONSO / à Insubordinação dos Jovens: ''Recusa Frontal. Recusa Inteligente. Recusa - pela insubordinação - do modelo de sociedade que está a ser oferecido.''


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

STEREODOX: anda alguém / de noite / de breu / à procura

terça-feira, 26 de julho de 2011

É preciso ouvir.

é preciso ouvir para sempre.

Our Daily Bread, King Vidor, 1934


A Morte Saiu à Rua
ZECA AFONSO

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada à covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Liberdade 2 : NOSTALGIA REVOLUCIONÁRIA

"a história dá lições, mas não tem alunos."
Ingeborg Bachmann





Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade









Cena do filme Recordações da Casa Amarela de João César Monteiro, 1989

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

LUZ.


"Parece que em princípio ninguém se lembra do acto de nascimento. Cientificamente, não se pode confirmar que um indivíduo que nasce tenha a percepção do seu próprio nascimento. Agora que existe uma imagem persistente, uma luz muito difusa, translúcida e que através dessa luz figuras mal definidas se debruçam sobre mim e a minha mãe... tenho uma ideia disso. Há muitos anos que tenho essa impressão."
Para José Afonso, que assim revelou o seu próprio nascimento a Luis Filipe Rocha, "tudo parte de uma luz branca, uma luz láctea (...) uma luz imanente, uma luz muito vital, como se fosse uma película, como se fosse um banho de leite (...), que me mergulhasse a mim ou que mergulhasse o universo."


in "José Afonso, o rosto da utopia", de José A. Salvador

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

STEREODOX: Teu sangue reclama outra morte igual.


A morte saiu à ruaZECA AFONSO, 1972

A morte saiu à rua num dia as sima
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Um a gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação