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terça-feira, 2 de agosto de 2016

''O Cinema'' não existe.



BOM = MAU 
Essa coisa d'O Cinema não existe. 

Vê-se muito por aí essa formulação ''O Cinema'', como se de uma sacrossanta entidade indivisível se tratasse. Só que quem assim capitula o discurso por uma pseudo-intenção proteccionista e saudosa de um ‘‘Grande Cinema’’ - essa espécie em extinção - não percebe que, mais do que errada, esta formulação é nociva. A arte e a crítica são dois organismos interdependentes mas com um grau relativo de autonomia. Não vejo maior inutilidade do que essa necessidade de destilar entre ''bom cinema'' e ''mau cinema'', maiores ou menores filmes, quando o gosto artístico é e deve ser subjectivo. Sou pela crítica, pela expressão de quaisquer graduações e avaliações, mas isto são pistas - não factos. Os críticos não são isentos nem são máquinas de produzir juízos objectivos, e ainda bem. Os críticos são parciais e formulam opiniões e juízos de gosto, e ainda bem.

Não há importâncias absolutas: importa tudo o que melhor nos ajudar a perceber o nosso presente, individual ou colectivamente. Um dos mais habituais pontapés-de-saída do Zizek, ''THE POINT IS...'', podia ser definidor do lugar do cinema na contemporaneidade: nunca está em questão se é bom se é mau, mas sim: what's the point? Zizek, permanentemente debruçado sobre o que significa existir hoje, ensinou-nos que o princípio constituinte da era é a validade do gesto analítico mais do que o objecto de análise: ao discorrer sobre sanitas e sobre ovos Kinder, recorda a vital importância de abrir os olhos e de, verdadeiramente, perguntar tudo. Uma pergunta é um ponto de expansão que não cabe no funil dos TOPs e da contraposição a preto-e-branco que encaminha uma arte numa direcção homogénea. Traçar, com a impermeabilidade de régua e esquadro ''o que é bom'' e ''o que é mau'', fazendo do juízo de gosto uma regra a que se deseja que os outros adiram, está próximo de um princípio de fascismo.

Haver textos sobre uns e sobre outros não desvaloriza nem uns nem outros: simplesmente, constrói uma dimensão mais ampla, rica e verdadeira do presente. (O que interessa é a validade transformadora do olhar: as ideias perpassam os juízos de gosto. Um pensador é um pensador. Porque estes filmes existem, foram expelidos por algo ou por alguém, fazem parte do presente. Nem todos os filmes são meritórios da nossa atenção mas filmes de todo o tipo podem ser objectos de uma análise interessante. Precisamente por isso é que o Daney escrevia sobre televisão.) 

Em Notes Sur l'Histoire du Cinéma (1948), Langlois escreveu que ''o cinema são os filmes. Para escrever a sua história é preciso vê-los.'' Há, felizmente, cada vez mais revistas, sites, blogues, teses, video-ensaios, micro-especializações, cursos, canais, formação e informação, um festival especializado por mês para cada nicho do gosto, discursos, instantaneidade no acesso, etc. Cada vez mais se brinca e manipula o cinema, numa relação com a cultura que é cada vez mais afectiva e inclusiva. 

Os saudosismos por esse Grande Cinema em falta só demonstram a ignorância de quem os expressa e a sua incapacidade e indisponibilidade para olhar em redor e ver o que é o cinema hoje. Essa expressão feita é falaciosa e rigorosamente desajustada da realidade, cada vez mais. Não dá para assinar por baixo dessa ideia de falência do cinema. Não há um Cinema, há vários cinemas. O cinema é, sempre foi, um fenómeno multitonal e hoje está vivíssimo. Simplesmente, a sua natureza plural e a espessura da sua história tornaram-se, com a disseminação do acesso, mais evidentes. E o que é que quantidade tem a ver com qualidade, no que a arte diz respeito?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

o que faz falta ao cinema

SONHÁ-LO.


Week-end à Sochaux  (de Bruno Muel et du groupe Medvedkine de Sochaux, 1971)

Vladimir e Rosa, Grupo Dziga Vertov, 1971

Classe de Lutte, Grupe Medvedkine de Besançon, 1967


Le Phantom d'Henri Langlois, Jacques Richard, 2004


Traité de Bave et d'Éternité - Isidore Isou, 1951

Un film comme les autres, Grupo Dziga Vertov, 1968

sábado, 2 de agosto de 2008

conheces o medo?

EL MIEDO
En el eco de mis muertes
aún hay miedo.
¿Sabes tu del miedo?
Sé del miedo cuando digo mi nombre.
Es el miedo,
el miedo con sombrero negro
... escondiendo ratas en mi sangre,
o el miedo con labios muertos
bebiendo mis deseos.
Sí. En el eco de mis muertes
aún hay miedo.

Alejandra Pizarnik

Origin of the Species, 2008, Ben Rivers

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

: O planeta será sempre este. Só o sistema pode mudar.

domingo, 22 de maio de 2005

A Campa de Henri Langlois (1914-1977)


sábado, 5 de fevereiro de 2005

1968 / Antes do Maio de 68, JLG defende o lugar de Henri Langlois à frente da Cinémathèque e aproxima-se dos estudantes maoístas.