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sábado, 24 de abril de 2010

Griffith inventou o rosto no cinema.


O Lírio Partido (1919) - David Wark Griffith


"A reputação de Griffith nos estudos de cinema é, embora um pouco exagerada, totalmente irrepreensível. Sem dúvida, o cinema americano (e mundial) seria bem diferente sem as suas diversas contribuições. O Nascimento de uma Nação e Intolerância são justificadamente, seus filmes mais célebres, lembrados pelo extraordinário tratamento dado ao roteiro e à montagem. Porém outro de seus filmes, Lírio Partido, de 1919, sempre se destacou como uma de suas melhores obras, sendo, com certeza, a mais bela de todas. Juntamente com Aves sem Ninho, o glorioso veículo de William Beaudine para Mary Pickford, Lírio Partido é um exemplo do que é conhecido em Hollywood como 'estilo singelo'. Este foi o ápice em termos de glamour fotográfico: os fotógrafos usaram todos os recursos disponíveis – pó-de-arroz, aparelhos especiais de iluminação, lentes besuntadas de óleo, até imensas cortinas de gaze transparente presas ao teto do estúdio – para suavizar, realçar e acentuar a beleza de suas estrelas. Em Lírio Partido, a face da imortal Lillian Gish literalmente resplandece com um brilho apaixonante e sobrenatural, ofuscando todos os demais elementos em cena. A beleza deste filme deve ser apreciada, pois ela é verdadeiramente formidável. Gish e seu companheiro de cena, o excelente Richard Barthelmess, flanam atormentados por uma paisagem londrina definida por névoa, travessas iluminadas por luzes soturnas e enigmáticos cenários 'orientalistas'. A simples história de amor proibido do filme é perfeitamente complementada pela cenografia deslumbrante e misteriosa, concebida por Joseph Stringer. Lírio Partido é um filme único. A colaboração entre Gish e Griffith é uma das mais frutíferas do cinema americano: os dois também trabalharam juntos em O Nascimento de uma Nação,Órfãos da Tempestade e Inocente Pecadora, além de outras dezenas de curtas. Certamente, essa é uma parceria diretor-ator que se iguala às de Scorsese-De Niro, Kurosawa-Mifune e Leone-Eastwood, para citar algumas; na verdade, ela serve de modelo para julgar todas as outras. Griffith alcança um equilíbrio perfeito entre a banalidade do enredo e a exuberância maltrapilha da produção (a maior parte do filme se passa em casas de ópio e espeluncas do cais do porto). É preciso um diretor talentoso e confiante para manipular uma dicotomia forma/conteúdo como esta, e o que se vê aqui é Griffith no auge das suas habilidades. É a tensão entre o cotidiano e o extraordinário que conduz Lírio Partido, garantindo seu lugar na história do cinema."

THE KOBAL COLLECTION

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"Griffith inventou o rosto no cinema, na medida em que fez dele uma arte, como fez com a montagem paralela."


Tag Gallagher, Raoul Walsh, Senses of Cinema, julho 2002

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

Balada dos antepassados.

“If Shakespeare had never existed, He asked, would the world have differed much from what it is today? Does the progress of civilization depend upon great men?” (VIRGINIA WOOLF)



Unchanging Sea, D W Griffith, 1910