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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

: ROMA, CIDADE ABERTA.


"Magnani é Roma, a cidade ocupada e o seu povo, e a sua fecundidade é a do estado que precede a libertação. Morta pouco depois de metade do filme, sentimos que todos os outros morrerão por ela, ou seja, pela cidade que vive nela."
JOSÉ MANUEL COSTA



ROMA, CITTÀ APERTA
Roberto Rossellini (1945)



Sessão de 15 de Novembro de 2010 na Cinemateca Portuguesa
Filme Inaugural do ciclo TEMPOS DIFÍCEIS
COM O APOIO DA ASSOCIAÇÃO GRACE - GRUPO DE REFLEXÃO E APOIO À CIDADANIA EMPRESARIAL

“Tempos difíceis, estes tempos”, dickensianas palavras que parecem fazer sempre sentido. Dificuldades económicas, cir- cunstâncias sociais ou políticas, a guerra – os “cavaleiros do apocalipse” parecem, na verdade, nunca deixar de rondar. Dez filmes que falam de tempos difíceis, ou porque nasceram, muito directamente, de tempos desses (como ROMA, CITTÁ APERTA); ou porque os comentam de modo mais ou menos oblíquo (no FILME FALADO de Oliveira, é o “nosso tempo” que ressalta como época de “dificuldade”); ou ainda pelo que deixam pressentir (a tensão social da França dos anos 30 no BOU- DU de Renoir; ou o off de THE SHOP AROUND THE CORNER, a Europa Central em breve arrasada pela guerra). Mas depois, a irreprimível força dos seres humanos, que resistem e - como o George Bailey de IT’S A WONDERFUL LIFE – sempre voltam à vida. Com esse inevitável termo em Frank Capra, um pequeno ciclo humanista para nos lembrar das coisas importantes.
via Cinemateca Portuguesa

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Arte e Verdade.






GEORGE FRANJU
em "La Nouvelle Vague Par Elle-Même"
André S. Labarthe, Robert Valey, 1964












ROBERTO ROSSELLINI
para o programa "Hommes et Cameras", ORFT (22/03/1964).

sexta-feira, 16 de abril de 2010

RoGoPaG


sábado, 15 de agosto de 2009

Alemanha Ano Zero, por Jean Narboni



Nada é mais entediante do que certa mitologia desenvolvida em torno de Rossellini desde uma dezena de anos, mitologia à qual aliás- por “tipo”, lassidão, ou simplesmente pelo desejo de que o deixem em paz?- ele mesmo se prestou de boas graças. Nada é mais entediante do que esta mitologia do diretor de consciência universal, de corretor navegante entre um estoque de saber imemorial e povos supostamente famintos por cultura e de comunicação, ou de apóstolo dispensando a boa nova a uma corte de discípulos que concorrem entre si pela herança. A projeção de Alemanha ano zero permitiu-nos restituir do cineasta uma imagem, senão mais próxima de uma verdade, pelo menos infinitamente mais excitante: de um homem mais preocupado em agir que em pregar, e  mais de agarrar o mundo que de contemplá-lo, desbravador de terreno, explorador, cartógrafo e até um pouco aventureiro, assombrado pelo sentimento do provisório e da precariedade. Como não ser sensível, ao ver este filme concebido, decidido, rodado às pressas,- e, pode-se mesmo dizer, conquistado-, ao que ele manifesta de uma necessidade, de uma coerção íntima- em uma palavra, de uma urgência- que são talvez de uma obra de arte, mais do que os temas que desenvolve, mais mesmo que sua escritura, a sua parte infinitamente preciosa? Seria necessário, ao falar de Alemanha ano zero, tentar restituir um pouco da velocidade e da turbulência que o animam, de onde provém, durante a projeção e ao seu termo, a impressão extenuante, sufocante- fôlego entrecortado- de tê-lo, não visto, mas acompanhado em sua corrida. As reações do público, muito numeroso esta tarde, não deixavam nenhuma dúvida neste ponto.

Durante certo tempo no Cahiers, debatemo-nos na alternativa entre um cinema da transparência, que não conservaria nenhum traço de seu processo de produção, e um cinema que inscrevesse em si a marca de seu trabalho constitutivo. A este respeito, Rossellini- de quem se conhece a frase: “as coisas estão aí; por que manipulá-las?”-era tido como o cineasta por excelência da transparência. Alemanha ano zero, no entanto, torna vã ou ultrapassa esta oposição, pois sem dúvida não conserva traço de nada, já que é de parte a parte a anulação em ato dos traços de sua passagem. Em seu célebre artigo, Rivette escrevia antes que não se guardava dos filmes de Rossellini nenhuma memória dos enquadramentos, de imagem ou de plano, mas apenas de um traçado, uma linha implacáveis. Alemanha ano zero progride como uma devastação, um rastro de poeira que devora a si mesmo. O que conta o filme aliás senão o movimento de um “traço de passo” a um “nada de traço” ( “un trace de pas à un pas de trace”), que ele nada é senão uma versão moderna e atroz do Pequeno polegar, onde a criança, uma vez seu parricídio realizado, tentaria reencontrar nos escombros de uma cidade devastada algumas frágeis referências; depois, sentindo-as esquivar-se uma depois da outra, se deixariapropriamente morrer?

Impossível, sobretudo nos limites de uma nota, dar conta de semelhante filme. Eu me concentrarei em um ponto. Qual cinema não cessamos de defender aqui, e  contra que outro cinema? Um cinema da inscrição verdadeira, da picada cruel da letra, da experiência da passagem ao ato e da tomada à palavra, contra o implícito e o subentendido, a alusão e a metáfora. A extrema modernidade de Alemanha ano zero se deve talvez à realização radical deste programa. É certo que é por ter levado a sério o discurso nazista de seu antigo professor sobre a necessidade de livrar o mundo dos doentes e dos fracos que a criança realiza seu crime. Mas se só dissesse isso, o filme não escaparia desta maneira ao sentimentalismo das ficções sobre o abandono, a sedução, a dedicação e a morte das crianças. Sua crueldade, seu humor- sim, seu humor- se devem também ao fato de que a criança é sempre mostrada sob a tenaz de vários discursos de ordem e de incitação, portanto um discurso familiar,e  é entre eles que constrói sua rota como sobre um fio: discurso, no momento do crime por exemplo, do professor nazista é claro, mas também lamento repetido do pai sofredor: “valeria mais que eu morresse, sou uma carga para vocês, etc”. E este humor terrível é mais eficaz, mais violento que toda denunciação de uma ordem política ou da sub-reptícia manipulação familiar, se é verdade que o humor é aquilo que não se opõe à lei, não a contesta, não se insurge contra ela mas, realizando-a estritamente e conduzindo-a às suas últimas conseqüências, expõe de forma ainda melhor a sua verdade cruel e obscena.


Jean Narboni, Cahiers du cinéma, 290-291, julho- agosto de 1978

Tradução: Luiz Soares Júnior

sábado, 21 de março de 2009

Paisá.

"Paisá quer dizer, em italiano, "pequena pátria". O título é sugestivo das intenções do realizador. (...) O argumento acompanha o movimento de libertação do país, progredindo do Sul para o Norte. (...) A libertação é essencialmente espiritual e implica o sacrifício para a ela se chegar."
Manuel Cintra Ferreira







Truffaut sobre Rossellini

via José Oliveira

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Os espelhos de Ingrid Bergman.


ELENA E OS HOMENS / VIAGEM EM ITÁLIA

de dentro para fora.
do burguês para o povo.
do interior para o exterior.
da solidão para a multidão.








domingo, 9 de novembro de 2008

STROMBOLI.




Stromboli : Terra Di Dio
ROBERTO ROSSELINI (1950)



E Stromboli é um filme sobre a progressão da autodestruição de Karin-Ingrid, um filme em que, ao contrário do "nada se passa" que a crítica da época acentuava, tudo se passa no interior de Karin, num processo ditado não por acontecimentos, mas por actos, que sinalizavam tanto o conflito que opõe Karin ao espaço envolvente, como a metamorfose interior, jamais explicitada, da personagem. Estamos em pleno universo rosselliniano : "universo de actos puros, insignificantes por si próprios, mas preparando, mesmo a despeito de Deus, a súbita e maravilhosa revelação do seu sentido". (Bazin).
Este filme, duma beleza alucinante, é um filme sobre o cosmos. Os três elementos - terra, água e fogo - que dominam a obra, marcam, mais do que a hostilidade dos habitantes da ilha, a separação e desarmonia de Karin, a mulher que não sabe o significado da palavra terra ("como se diz terra em inglês?") que cai na água, na única sequência em que entra no mar, e sobre o qual desaba o fogo do vulcão, cuja erupção começa exactamente quando ela acende o fogão da sua casa.
Rejeitada pelo espaço físico e humano, Karin só na espantosa sequência final, quando redescobre, ao mesmo tempo, as lágrimas e a maravilha do mundo (what beauty!), é capaz de clamar e invocar "Deixei que se aproximassem de mim os que não me interrogavam e deixei que me encontrassem os que não me procuravam". A epígrafe de Isaias que antecede o filme assume, nesse momento, a sua plena significação. Stromboli é o poema da criação.

JOÃO BÉNARD DA COSTA

segunda-feira, 23 de junho de 2008

LUMINAE.

Introspecção.


Viaggio in Italia
ROBERTO ROSSELLINI (1954)





assim tão simples:
Há crenças que só o Cinema pode mostrar.

Sobre isto escrevi, vai para muito tempo, algo do género: ''nada via e agora acredito''. Podia servir para falar de todo o Rossellini, mas dizia respeito à minha falta de compreensão defronte de ''Viaggio in Italia'' quando o vi pela primeira vez, e não vi nada, rigorosamente nada, onde estava o tudo. Faltava-me vida nos olhos e no coração, faltava-me a idade que é necessária perante certos grandes : afinal, era um dos melhores exemplos dessa eternidade que existe em qualquer relação amorosa, se de Amor se tratar. O final deste filme é o emblema desse laço invisível que une inexoravelmente dois corpos para lá da sua separação geográfica : e a ''lava'' que é a multidão que se atravessa até ao reencontro, é a imagem acabada dessa mesma escolha, da eleição do outro e da superação das dúvidas que a multiplicidade sempre traz consigo. O Amor ou, entre os muitos e os tantos, os dois que importam - um Eu e um Tu. ( Como qualquer Fé, qualquer Amor é inexplicável.)

segunda-feira, 4 de abril de 2005

A Ingrid de Roberto está neste filme.



celebrar um Amor com uma câmara de filmar.
Erguer uma musa, pintar uma aura, desvelar a paixão num olhar intransmissível sobre os cantos únicos em que a paixão se revela, distância de uma pessoa até outra. Cinema, a artéria mais digna para gritar os segredos encerradas no peito.


STROMBOLI, TERRA DE DIO
ROSSELLINI, 1950