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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

''Os anjos quando chegaram já era para me guardarem.'' Mia Couto

En Attendant les Barbares, Eugène Green, 2017

domingo, 12 de agosto de 2018

STEREODOX: Me vem a fantasia de que Existo e Sou.


De tanto te pensar, Sem Nome, me veio a ilusão,
A mesma ilusão
Da égua que sorve a água pensando sorver a lua.
De te pensar me deito nas aguadas
E acredito luzir e estar atada
Ao fulgor do costado de um negro cavalo de cem luas.
De te sonhar, Sem Nome, tenho nada
Mas acredito em mim o ouro e o mundo.
De te amar, possuída de ossos e de abismos
Acredito ter carne e vadiar
Ao redor dos teus cimos. De nunca te tocar
Tocando os outros
Acredito ter mãos, acredito ter boca
Quando só tenho patas e focinho.
Do muito desejar altura e eternidade
Me vem a fantasia de que Existo e Sou.
Quando sou nada: égua fantasmagórica
Sorvendo a lua n’água.
– Hilda Hilst, no livro “Sobre a tua grande face”. São Paulo: Massao Ohno, 1986.


https://www.youtube.com/watch?v=TTAU7lLDZYU

segunda-feira, 16 de julho de 2018

um vivo de patente / desses mortos a quem não cortaram o cordão desumbilical

J.H. Lartigue 

Durante anos fui um vivo de patente, gente de autorizada raça. Se vivi com direiteza, desglorifiquei-me foi no falecimento. 
(...)
Sem ter sido cerimoniado acabei um morto desencontrado da sua morte. Não ascenderei nunca ao estado de xicuembo, que são os defuntos definitivos, com direito a serem chamados e amados pelos vivos. Sou desses mortos a quem não cortaram o cordão desumbilical. Faço parte daqueles que não são lembrados. Mas não ando por aí, pandemoniando os vivos. Aceitei a prisão da cova, me guardei no sossego que compete aos falecidos.
''A Varanda do Frangipani'', Mia Couto

terça-feira, 12 de maio de 2009

Terra Sonâmbula.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

''O vento que já foi um pássaro.''