''[...] cada homem, limitado e condicionado pela estrutura ético-social, pelas contingências individuais, como que vive uma vida incompleta, medíocre, em relação à que ele secretamente aspira – a vida de cada um de nós é como uma tragédia truncada, ou uma comédia apenas esboçada... E daí a profunda necessidade de, ao lado da vida, existir um centro, um lugar, uma ilha de luz isolada no meio da cidade noturna, em que a paixão e a imaginação possam arder livremente, até o fim, sem as limitações do cotidiano: e assim, nesta ilha de luz, no Teatro, o homem, cada um de nós, pode ver-se realizado, cumprido integralmente, pode aferir a sua real potencialidade de paixão, saber de quanto amor e ódio, de quanto bem e mal é capaz; o Teatro dá-nos o desenho completo de nós mesmos, a tragédia ou a comédia totais das nossas vidas prisioneiras.''
(SANTARENO, 1967, O Tempo e o Modo, n. 50-53, 591-592. Lisboa )