Para ele escrevemos,
mesmo que não exista.
Não podemos deixar de sentir
que se esconde por trás desse silêncio
que arrasta as palavras
como uma túnica partida.
mesmo que não exista.
Não podemos deixar de sentir
que se esconde por trás desse silêncio
que arrasta as palavras
como uma túnica partida.
Talvez ao persistirmos
neste ofício desolado
de elevar torres sem andaimes
o leitor que não existe
desperte nalgum momento
lá onde o leitor
já não é necessário,
porque afinal toda a leitura se lê só.
neste ofício desolado
de elevar torres sem andaimes
o leitor que não existe
desperte nalgum momento
lá onde o leitor
já não é necessário,
porque afinal toda a leitura se lê só.
Roberto Juarroz
(Tradução de Arnaldo Saraiva)
in Poesia Vertical, Campo de Letras, Porto, Junho de 1998.

Sem comentários:
Enviar um comentário