Vi, num documentário sobre Klimt, que este seu famoso quadro atingiu um dos valores mais elevados de sempre no que a venda de pintura em leilão diz respeito : uns impressionantes 137 milhões de euros (em 2006). Tendo em conta que a historia do sumptuoso quadro, protagonizado por uma beleza judia que povoa recorrentemente a pintura do austríaco Klimt, e que o quadro não se relaciona com a história da perseguição racial do nazismo (chegando a ser apreendido pelos Nazis), é hoje no mínimo irónico que o seu dono seja o magnata dos produtos de beleza da marca de luxo Estée-Lauder. Mais do que um devolução histórica da ligação à beleza que foi violentamente apagada ao povo judeu, há o simbolismo da devolução monetária, que sendo sempre insuficiente, mas que está à medida de um valor recorde.