domingo, 11 de janeiro de 2015

Ano Novo Vida Nova

Vós, que a via de Amor vejo seguir,
Procurai distinguir
Se há dor alguma, quanto a minha, grave;
E consenti apenas em me ouvir,
Para então decidir
Se não sou da desgraça abrigo e chave.
Amor, não pelo bem que em mim se vir,
Mas que nele existir,
Pôs-me em vida tão doce e tão suave
Que escutei, muitas vezes, proferir:
"Por que o vejo sempre ir,
Contente, sem tristeza que o agrave?"
Agora já perdi minha ousadia,
Que somente em amor tinha razão;
Infeliz dizer quão
Permaneço, difícil me seria.
Assim, por ser me esforço como o são
Os que escondem a sua vilania:
Sou por fora alegria
 E por dentro amargor no coração.
DANTE, em A Vida Nova


Women of Ryazan, Olga Preobrazhenskaya 1927




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