Para começar, quero lá saber se o filme presta ou não presta! O prémio de Miguel Gomes em Cannes é um prémio à utopia, ao sonho colectivo, ao cinema português enquanto projecto, alertando para o que pode ser (independentemente do corpo de trabalho em questão). E não é por ser português - que a nacionalidade não define nada, nem para o bem nem para o mal. É só porque, efectivamente, vem de uma pequena unidade administrativa mal gerida e inculta chamada de Portugal, onde a existência do cinema enquanto arte não só deve ser respeitada como (se houvesse visão, no meio deste verdadeiro estúdio vivo de paisagens diversas!) deveria ser impulsionada e até rentabilizada como indústria, com INVESTIMENTO INTERNO! É uma aritmética: promover progressivamente a existência de filmes (sejam bons, maus ou assim-assim), é dar cada vez mais experiência aos profissionais do sector e, potencialmente, ter cada vez mais filmes bons. Na prática, significa impulsionar a PROFISSIONALIZAÇÃO da área, e assim viabilizar a existência real do Cinema com maiúscula, com pensamento, com autores, com organização, com treino, com espessura!

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