O western não é sobre cowboys contra índios. Um western é, por princípio, sobre a natureza quintessencial em que o homem vivo agarra a vida com as duas mãos cheias, tratando de mostrar de que formas a vida de um homem deve uma pertença à terra. Por isso, John Wayne não se fixava: ondulou com o horizonte, filme após filme. Se o alcançar dos recursos pelo ser é a primeira base para a constituição da sociedade, o embate pela posse é sempre uma desaprendizagem da posse. Ensinaram-nos os westerns que a materialidade existe até ao mínimo denominador comum, que é como quem diz: a soberania de um cowboy (como de qualquer homem) começa e acaba no seu corpo. O western mostrou-nos como a luta de cada homem contra o seu semelhante humano é uma luta contra si mesmo. E que, na demonização do outro pelo domínio dos recursos, descobre como o outro é ele, somos nós, e que nós precisamos essencialmente do mesmo. Um western ensinou-nos que a terra é grande, sempre grande que chegue para todos.
(E sim, o melhor cinema experimental é o western. O próprio conceito começa em ensaio, é uma subsecção da ficção mas com propósito de documento à posteriori. E, neste ''revisionismo revolucionário'' da História, inventam-se as figuras ausentes da cronologia. Há lá género cinematográfico mais híbrido?)

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