quarta-feira, 11 de maio de 2011

(e)motion

Je danse, tu danses, elle danse …


* E amanhã estreia Pina, de Wenders nas salas portuguesas.








Fragmentos de um Filme-Esmola: A Sagrada Família 

João César Monteiro (1972)






"É engraçado pensar que dançar não é estar parado, mas também não é mudar de sítio, é uma terceira hipótese que é uma mistura da utilidade do movimento e da inutilidade da imobilidade. É interessante que fale em dança da vida com a morte: é um par antigo, sem dúvida, um velhíssimo par de noivos. Morte e vida não estão parados, frente a frente, nem estão a andar cada um no seu caminho, de modo independente, estão, isso mesmo: a dançar. Cada vivo dança com a sua noiva respectiva, com a sua morte individual. Não a vemos e podemos até fingir que ela não existe, mas é o nosso par. É com ela – com a morte com o nosso nome - que ficaremos no fim. Há então quem acredite que depois de mortos a dança continua, agora do outro lado, e a nossa noiva aí seria a vida, uma outra vida. Mas sobre isto, claro, sabemos pouco. Nem sequer conhecemos a música, quanto mais. Aliás, nem sequer conhecemos o músico. Quem está a tocar?"
GONÇALO M. TAVARES


for A.



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