segunda-feira, 23 de março de 2009

STEREODOX: Be sure to wear some flowers in your hair

GLOBAL DEEJAYS: SAN FRANCISCO

domingo, 22 de março de 2009

Chadwick Tyler







Fotos incluídas nas séries Tiberius I e II

site

sábado, 21 de março de 2009

Paisá.

"Paisá quer dizer, em italiano, "pequena pátria". O título é sugestivo das intenções do realizador. (...) O argumento acompanha o movimento de libertação do país, progredindo do Sul para o Norte. (...) A libertação é essencialmente espiritual e implica o sacrifício para a ela se chegar."
Manuel Cintra Ferreira







Truffaut sobre Rossellini

via José Oliveira

Em aberto.

"O vídeo deixa no ar uma série de questões."
Andy Fletcher



Wrong
Depeche Mode



É a nova dos Depeche Mode. Já queria ter falado sobre ela mas, bem a propósito, chegou-me a última edição do Ípsilon com um artigo de interesse sobre a face mais visível desta música: o videoclip assinado por Patrick Daughters. É intenso, sustentado por poucos planos e por uma insondável aspiração ao caos. Um carro movimenta-se velozmente em marcha atrás ao longo de uma cidade nocturna e, no seu interior, um sinistro homem de máscara e de mãos amarradas, envolto em mistério, comporta-se violentamente, como se não soubesse o que está ali a fazer. Sem princípio ou fim, o personagem desfacializado é interpretado por Julian Gross, baterista dos Liars. O tema é single do album "Sounds of Universe", a ser lançado a 21 de Abril e o impacto visual conseguido era o propósito: "pareceu-nos uma oportunidade para cortar com o passado recente e mostrar outras facetas", diz Andy Fletcher, nomeando a falta de disponibilidade de Anton Corbjin, autor-fetiche da banda no passado.
Segundo Daughters, a inspiração para o clip veio-lhe de uma cena de "O Jogo" (David Fincher), em que Michael Douglas é amarrado num táxi, bem como de Jonathan Glazer.
A peça do "Ípsilon", assinada por Vítor Belanciano, inaugura-se com um statement: "os videoclips têm desejo de cinema" e vai descrevendo a chamada linguagem de videoclip, essa mesma que se imputa ao cinema quando se quer considerá-lo mau. Video killed the radio star e se, desde a sua imposição nos anos 80, o videoclip se multiplicou entre reinvenções díspares, é natural que procure os ''acabamentos'' do cinema. No entanto, o conceito de ''linguagem de videoclip'' ainda é pejorativo nas bocas de todos os que se exprimem através de imagens em movimento (cinema, televisão, internet, videoclips e anúncios publicitários) mas estas cosem-se em jeitos cada vez mais estreitos, que o público já não questiona (e o melhor exemplo disso é o oscarizado-estilizado "Slumdog Millionaire"),

sexta-feira, 20 de março de 2009

Salomé.


The Climax, segundo Beardsley.
O famoso artista inglês (1872-1898) várias vezes ilustrou o mito de Salomé.



(...) Por que não me olhas, Iocanaan? Teus olhos, que eram terríveis, tão cheios de ódio e escárnio, estão fechados agora. Por que estão fechados? Abre-os! Ergue as pálpebras, Iocanaan! Por que não me olhas? Estás com medo de mim, Iocanaan, e por isso não me olhas? E a tua língua, que era como uma serpente vermelha expelindo veneno, não se move mais, nada diz agora, Iocanaan, aquela víbora vermelha que cuspilhava veneno contra mim? É estranho, não? Como é que a víbora vermelha já não se move?... Consideraste-me ninguém, Iocanaan. Desprezaste-me. Pronunciaste ignóbeis palavras contra mim. Trataste-me como uma meretriz, uma dissoluta, a mim, Salomé, filha de Herodíade, princesa da Judéia! Bem, Iocanaan, eu estou viva; mas tu estás morto e tua cabeça me pertence (...)
— Salomé no drama teatral de Oscar Wilde, segurando a cabeça decepada de Iocanaan (João Batista)




SUNSET BOULEVARD: BILLY WILDER (1950)

quinta-feira, 19 de março de 2009

pré-beleza

Num dos nossos distantes dias de meninas, ela lembrou-me : 
- Que graça há na bailarina, tão imediatamente traduzida em gestos. Na facilidade de cada gesto preciso, estão inscritas horas e horas, dias e dias, de uma repetição invisível.


(Voltarmos à Tabula Rasa é inscrevermo-nos no fluxo de possibilidades que antecedem o concreto final, o público, a beleza dada a ver. )

Ballerine, Gustav Machaty, 1936

quarta-feira, 18 de março de 2009

LARA ALEGRE



vale a pena visitar laraalegre.com



similaridade com as míticas fotos da última sessão de nudez de Marilyn Monroe, com o fotógrafo Bert Stern, para a revista Vogue em 1962.


Que viva Mexico


Que viva México!, Eisenstein, 1931



em Beirut.

Zach Condon inaugurou o ano com um duplo EP. O primeiro, March of the Zapotec, tem os tons do México onde foi gravado, inspirado por uma visita de Zach a Oaxaca. O segundo EP, de baptismo Holland e com assinatura do pseudónimo Realpeople, são electrónicas.


La Llorona

HENDRIK KERSTENS





Há-de flutuar


Contos da Lua Vaga (1953), de Kenji Mizoguchi

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto
Salsugem
1984, ed. Contexto

Há-de flutuar


Ugetsu monogatari, Mizoguchi, 1953

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto
Salsugem
1984, ed. Contexto

terça-feira, 17 de março de 2009

a ver :



o sofrimento é o que é :
"Cette histoire est veritable. Je la donne comme elle est, sans ornements.'' Robert Bresson
Un condamné à mort s'est échappé ou Le vent souffle où il veut - BRESSON (1956)


o cumprimento do guerreiro : 
GRAN TORINO- CLINT EASTWOOD (2008)


o luto dos outros :
CALCUTTA- LOUIS MALLE (1969)



a beleza da vida é suave, feita por pequenos triunfos progressivos: 
L'ENFANT SAUVAGE- TRUFFAUT (1970)