segunda-feira, 31 de outubro de 2005
sábado, 29 de outubro de 2005
terça-feira, 25 de outubro de 2005
''Vamos no abraçar."

Delirium, Neil Gaiman, Sandman
Elogio da Loucura
ERASMO DE ROTERDÃO- 1511
No entanto, antes, estivestes sentados, tristes e
inquietos, como se há pouco tivésseis saído da caverna de Trofônio. Com efeito, como
no instante em que surge no céu a brilhante figura do sol, ou como quando, após um rígido
inverno, retorna a primavera com suas doces aragens e vemos todas as coisas tomarem logo
um novo aspecto, matizando-se de novas cores, contribuindo tudo para de certo modo
rejuvenecer a natureza, assim também, logo que me vistes, transformastes inteiramente as
vossas fisionomias. Bastou, pois, a minha simples presença para eu obter o que valentes
oradores mal teriam podido conseguir com um longo e longamente meditado discurso:
expulsar a tristeza de vossa alma.

Santo Deus! Que é, afinal, a vida humana? Como é miserável,
como é sórdido o nascimento! Como é penosa a educação! A quantos males está exposta a
infância! Como sua a juventude! Como é grave a velhice! Como é dura a necessidade da
morte! Percorramos, ainda uma vez, esse deplorável caminho. Que horrível e variada
multiplicidade de males! Quantos desastres, quantos incômodos se encontram na vida!
Enfim não há prazer que não tenha o amargor de muito fel. Quem poderia descrever a
infinita série de males que o homem causa ao homem, como sejam a pobreza, a prisão, a
infâmia, a desonra, os tormentos, a inveja, as traições, as injúrias, os conflitos, as fraudes,
etc.? Eu não saberia dizer-vos que delito teria o homem cometido para merecer tão grande
quantidade de males, nem que deus furioso o teria constrangido a nascer em tão horrível
vale de misérias. Assim, pois, quem quer que examine a fundo a miserabilíssima condição
do gênero humano, não poderá, decerto, deixar de aprovar o exemplo das virgens de Mileto.
LUXÚRIA : Meu abismo é mais profundo! Mármores inspiraram amores obscenos. Gente é precipitada em encontros apavorantes, com algemas que amaldiçoa. De onde provém o feitiço das cortesãs, a extravagância dos sonhos, a imensidade de minha tristeza?
MORTE : Minha ironia ultrapassa todas as outras! Há convulsões de prazer nos funerais dos reis, no extermínio de um povo, e a guerra é feita entre músicas, penachos, bandeiras, arreios dourados, uma ostentação de cerimonial para me prestas mais homenagens.
LUXÚRIA : Minha cólera se assemelha à tua. Uivo, mordo. Tenho suores de agonizante e aspectos de cadáver.
MORTE : Sou eu que te dou seriedade. Vamos no abraçar!
A Morte escarnece, a Luxúria ruge. Entrelaçadas pela cintura, cantam juntas:
— Apresso a dissolução da matéria!
— Facilito a dispersão dos germes!
— Destróis, para que eu renove!
— Crias, para que eu destrua!
— Ativa o meu poderio!
— Fecunda a minha podridão!
E a voz delas, cujos ecos se multiplicando enchem o horizonte, se torna tão forte que Antão cai para trás.
E a voz delas, cujos ecos se multiplicando enchem o horizonte, se torna tão forte que Antão cai para trás.
Uma sacudidela, de vez em quando, lhe faz entreabrir os olhos, e nota, no meio das trevas, uma espécie de monstro à sua frente.
É uma caveira coroada de rosas que paira sobre um tronco de mulher de uma brancura nacarada. Arrasta uma mortalha estrelada de pontos dourados formando uma espécie de cauda; e todo o corpo ondula, como um verme gigantesco que se mantivesse de pé.
A visão se atenua, desaparece."
Gustave Flaubert, As Tentações de Santo Antão, pp 150-155, ed. Iluminuras.

.O Navio dos Loucos, Bosch.


.Pierrot le Fou, Godard, 1965
domingo, 23 de outubro de 2005
sábado, 22 de outubro de 2005
STEREODOX - Long ago...
Hedwig and the Angry Inch, John Cameron Mitchell, 2001
...and oh so far away
I fell in love with you,
before the second show.
Your guitar, it sounds so
sweet and clear
But you're not really here
it's just the radio.
SHE WANTS REVENGE: THESE THINGS
NO AGE: ERASER
THE CARPENTERS: SUPERSTAR
SONIC YOUTH: SUPERSTAR
sexta-feira, 21 de outubro de 2005
Cleópatra.
Cléopâtre
par Louis SKORECKI
Ala bourse des films, le moins qu'on puisse dire, c'est que la valeur de Cléopâtre est fluctuante. Un jour navet, le lendemain chef-d'oeuvre, le surlendemain film surestimé, on ne s'y retrouve pas. Pourquoi faudrait-il s'y retrouver ? demande David. Le cinéma n'est-il pas l'endroit où se perdre, un lieu de débauche et de perdition par excellence ? Je ne sais quoi lui répondre. Je n'ai jamais joué sur les films. J'ai misé sur les cinéastes, c'est vrai, mais à un moment où être cinéaste n'allait pas de soi, à une période pas si lointaine, disons il y a quarante ans, où il n'y avait que des régisseurs. On pariait sur de parfaits inconnus, qui n'avaient même pas le statut de metteur en scène. Même les producteurs, même les stylistes, même les stylistes producteurs (Hawks, Hitchcock, DeMille) n'avaient pas le statut de cinéaste. Ne parlons pas d'auteur, le mot n'existait pas, le concept encore moins. C'était l'époque heureuse où le cinéma n'avait pas de statut, encore moins de statues.
Joseph Leo Mankiewicz, par exemple, est le petit frère d'un grand scénariste, Herman J. Mankiewicz (1897-1957), ami de Ben Hecht et de William Randolph Hearst, double casquette idéale pour devenir coscénariste de Citizen Kane. Joseph L. Mankiewicz (1909-1993) sera lui aussi scénariste dès 1930, avant de passer régisseur en 1946 avec Dragonwyck, son premier chef-d'oeuvre. Là encore, chef-d'oeuvre est un mot anachronique. Ce sont des dialogues enchantés, chantés à bout de bras par Gene Tierney. David me coupe la parole. Il est scénariste ou cinéaste ? me demande-t-il, un peu énervé. Ça dépend de toi, je lui dis. De moi ? Mais oui. Si les paroles valent les images, tu en feras un cinéaste. Sinon... Sinon, quoi ?, demande David. Sinon, tu regarderas Cléopâtre les yeux fermés, ce qui n'est pas la pire façon de voir un film. Tu y es ? Oui, répond David, ils chantent bien. Voilà, petit, tu as compris.
Time is now.
quarta-feira, 12 de outubro de 2005
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