Afinal, morrem todos sós. Também amam sós na verdade, e na maior parte das vezes. Outras vezes, por raridade, vêm o seu amar acompanhado. Nisto, mútuos, vêm-se, afinal, vivos. E viver, para eles, é esquecerem-se de que o final chega, para afinal morrerem.
- Desculpe senhor, já lhe disse. Só vendemos caixões para um.


Stills de Couraçado Potemkine (de Sergei Eisenstein, 1926) e de Nostalghia (de Andrei Tarkovsky, 1983), decerto inspirações para o trabalho de Niklas Goldbach.
Todos os homens da família morriam sozinhos. Sozinhos, secos e de pele curtida, sentados num banco a ver as árvores a dar fruto e os frutos a amadurecer e a cair e a apodrecer e as estações a chover e a crestar a terra. Todos os homens morriam sós e voltavam ao pó. As mulheres também morriam, mas uma mulher nunca morre só. Há sempre uma dor que lhe faz companhia, uma dor estranha e inatingível aos olhos machos.
Excerto de "Geada", de Laura, em Um T1 debaixo da Ponte
- Desculpe senhor, já lhe disse. Só vendemos caixões para um.


Stills de Couraçado Potemkine (de Sergei Eisenstein, 1926) e de Nostalghia (de Andrei Tarkovsky, 1983), decerto inspirações para o trabalho de Niklas Goldbach.
Todos os homens da família morriam sozinhos. Sozinhos, secos e de pele curtida, sentados num banco a ver as árvores a dar fruto e os frutos a amadurecer e a cair e a apodrecer e as estações a chover e a crestar a terra. Todos os homens morriam sós e voltavam ao pó. As mulheres também morriam, mas uma mulher nunca morre só. Há sempre uma dor que lhe faz companhia, uma dor estranha e inatingível aos olhos machos.
Excerto de "Geada", de Laura, em Um T1 debaixo da Ponte













