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domingo, 5 de agosto de 2018

Dying is an art, like everything else. (I do it exceptionally well)



Um corpo tem a lembrança excessiva de outro corpo
um corpo já não tem imaginação

não tem paciência com nenhum outro corpo 
Henri Michaux 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Tu t'en vas sans moi, ma vie.

El Sur, Victor Erice (1983)
Tu t'en vas sans moi, ma vie.
Tu roules.
Et moi j'attends encore de faire un pas.
Tu portes ailleurs la bataille.
Tu me désertes ainsi.
Je ne t'ai jamais suivie.
Je ne vois pas clair dans tes offres.
Le petit peu que je veux jamais tu ne l'apportes.
A cause de ce manque, j'aspire à tant.
A tant de choses, à presque l'infini...
A cause de ce peu qui manque, que jamais tu n'apportes.

Henri Michaux

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

City sad

The Crowd, King Vidor, 1928

"A mind of a certain size can feel only exasperation toward a city. Nothing can drive me more fully into despair. The walls first of all, and even then all the rest is only so many horrid images of selfishness, mistrust, stupidity, and narrow-mindedness. No need to memorize the Napoleonic code. Just look at a city and you have it. Each time I come back from the country, just as I am starting to congratulate myself on my calmness, there breaks out a furor, a rage... And I come upon my mark, homo sapiens, the acquisitive wolf. Cities, architectures, how I loathe you! Great surfaces of vaults, vaults cemented into the earth, vaults set out in compartments, forming vaults to eat in, vaults for sex, vaults on the watch, ready to open fire. How sad, sad..." Henri Michaux

domingo, 9 de novembro de 2008

Tratados sobre a alma.


Para nadar, há que deitar-se de barriga. A alma despega-se e vai-se. Vai-se a nadar. (Se a vossa alma parte quando estão de pé, ou sentados, ou de joelhos, ou apoiados nos cotovelos, para cada posição corporal diferente a alma partirá com uma locomoção e uma forma diferentes, segundo concluirei mais tarde).
Fala-se muito em voar. Não é isso. Nadar é o que ela faz. E nada como as serpentes e as enguias, nunca de outro modo.
Uma série de pessoas tem assim uma alma que adora nadar. Dá-se-lhes vulgarmente o nome de preguiçosos. Quando a alma deixa o corpo pelo ventre para nadar, produz-se uma tal libertação de sei lá o quê, é um abandono, um gozo, uma descontracção tão íntima.
A alma parte a nadar até ao vão das escadas, ou à rua, consoante a timidez ou a audácia do homem, porque ela conserva sempre um fio que a une a ele, e se esse fio se quebrasse (às vezes é muito fino, mas só uma força terrível o poderia romper) seria terrível para eles (para ela e para ele).
Então, quando ela está entretida a nadar ao longe, por esse simples fio que liga o homem à alma escoam-se volumes e volumes de uma espécie de matéria espiritual, como lama, como mercúrio, ou como um gás – gozo interminável.
É por isso que o preguiçoso é incorrigível. Nunca mudará. É também por isso que a preguiça é a mãe de todos os vícios. Pois acaso haverá coisa mais egoísta do que a preguiça?Tem fundamentos que o orgulho não tem.
Mas as pessoas irritam-se com os preguiçosos.
Quando os vêm deitados, batem-lhes, mandam-lhes água fria à cabeça, eles têm de recolher a alma imediatamente. Olham-vos então com esse olhar de ódio, bem conhecido, e que se vê sobretudo nas crianças.
HENRI MICHAUX