quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

KISS ME, STUPID: a ridícula medida humana


Contra quaisquer moralismos, Kiss Me, Stupid (Billy Wilder, 1964) é uma anti-parábola, sob todos os pontos de vista. Ninguém é totalmente bom ou totalmente mau: aqui, todos são ridículos, aqui todos têm medida humana e ninguém acaba curado de si. Apesar da narrativa funcional em 3 actos, distribuída entre vinhetas, este filme planta a mais delirante, radical e descontrutora semente de anarquia. O humor começa por colocar as grandes stars em fundo inesperado: o grande ''DINO'' Martin é um sexómano; a gloriosa Kim ''POLLY a Pistoleira'' Novak, é uma prostituta platinada que por ali anda, descalça e de gatas, à procura do seu piercing do umbigo. Duro e real, este filme fala sobre adequação da justiça à escala das necessidades e aspirações individuais, num mundo em que rigorosamente todos - para lá da ocupação ou da classe - são inadaptados. What makes it is the irregularity. Entre paredes, desenha-se o princípio da resolução pacífica, numa espécie de ode (em fundo cómico) à lei do homem, ao nivelamento social, à negociação directa entre pessoas  tão carregadinhas de qualidades como de defeitos, existindo como quem quer existir. Um filme a ver mais e melhor. 

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