segunda-feira, 20 de agosto de 2018

''constituir a mulher em mulher a partir de sua humanidade e não de seu sexo''

PARA UM MELHOR AMOR


“O sexo é uma categoria política”
Kate Mills

Ninguém duvida que o sexo
é uma categoria no universo dos casais:
daí sua ternura e suas ramas selvagens.
Ninguém discute que o sexo
é uma categoria familiar:
daí os filhos,
as noites em comum
e os dias divididos
(ele, buscando o pão na rua,
nas oficinas e nas fábricas;
ela, na retaguarda dos ofícios domésticos,
na estratégia e tática da cozinha
que permitam sobreviver à batalha comum
talvez até o fim do mês.)
Ninguém discute que o sexo
é uma categoria econômica:
basta mencionar a prostituição,
as modas,
as seções do jornal que são para ela
ou são para ele.
Onde começa a confusão
é quando uma mulher diz
que o sexo é uma categoria política.
Porque quando uma mulher diz
que o sexo é uma categoria política
pode começar a deixar de ser mulher-em-si
para converter-se em mulher-para-si,
constituir a mulher em mulher
a partir de sua humanidade
e não de seu sexo,
pode começar a saber que o desodorante mágico com sabor de limão
e o sabão que acaricia voluptuosamente sua pele
são fabricados pela mesma empresa que fabrica o napalm
saber que o trabalho próprio do lar
é o trabalho próprio da classe social a que pertence esse lar,
que a diferença de sexos
brilha muito melhor na profunda noite amorosa
quando se conhece todos esses segredos
que nos mantinham mascarados e alheios.

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