domingo, 17 de junho de 2018

Piquena Refexão:

Otto Stupakoff

Ser um bom crítico não é desgostar constantemente, fazendo uso da verve treinada para tornar mais um texto em mais um exercício masturbatório de lancinantes precisamentes que, à partida, já se sabe dorminar com eloquência e sem esforço. Não é mais sofisticado de gostos o que não gosta de nada: o melhor crítico, para mim, é o que não se apresenta constantemente de impermeável vestido, estupidamente zelando por abotoar cada vez mais o intelecto acabado. O melhor crítico é esponjoso, jovem como os jovens, passando ao lado desses bafios nostálgicos de um-ontem-melhor-do-que-o-hoje e, à altura da sua letra, amplificando entre ecos o entusiasmo constante de quem acredita que o cinema ainda o é. Essa é, aliás, a única forma de um crítico acordar de manhã para, durante mais um dia, ser crítico. Digo eu.

Sem comentários:

Enviar um comentário