quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Call me by your name (ERA A MORTE A RIR)

VERDES ANOS
Era o amor
Que chegava e partia
Estarmos os dois
Era um calor, que arrefecia
Sem antes nem depois
Era um segredo
Sem ninguém para ouvir
Eram enganos e era um medo
A morte a rir
Dos nossos verdes anos
Foi o tempo que secou
A flor que ainda não era
Como o outono chegou
No lugar da primavera
No nosso sangue corria
Um vento de sermos sós
Nascia a noite e era dia
E o dia acabava em nós



Call Me By Your Name, Luca Guadagnino, 2017

Em nada concordo com a leitura amarga de Richard Brody. Referencial mas a rebentar de Rohmer, CALL ME BY YOUR NAME revela, com a deliciosa precisão da literatura, como a raiz do romance é verbal. Com a cabeça a destilar essências dos clássicos e o corpo a pulsar de jovem no agora, tudo se passa, como Elvis tão bem lembrou, now or never.

«Inquietos, ansiamos por um amparo,
nós jovens demais por vezes para o antigo
e demasiado velhos para o que nunca foi.» 

(Rainer Maria Rilke, Os Sonetos a Orfeu)


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