domingo, 24 de dezembro de 2017

(A MORTE DE LOUIS XIV, o filme que faltou ao meu top).


O som n'A Morte de Louis XIV do Albert Serra está notável. Das palmas a ecoar em redor do leito (em simultâneo, a desenhar a altura da sala excessiva e a solidão do rei acamado) até à primeira composição musical que, contemporânea, arrítmica e experimental, só se inicia após quarenta minutos de som diegético. Como se num concerto de câmara, até o cristal corta neste quarto onde, sob um pesado tiquetaque, o corpo amplificado pela doença é o centro de todos os escrutínios. Depois, como uma oração, um inesperado trecho barroco que, em coro, começa num mastigar de bolacha e termina, a uma só voz, nuns olhos voltados para o fim.

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