terça-feira, 7 de março de 2017

Que se invente uma evolução mais justa


A sugestão catita veio de um colega e lá andei eu a ver o programa ORIGINS (do National Geographic). E dizia lá um antropólogo que ‘‘a evolução está inscrita nos genes humanos’’. Ora, eu não dei por ela, meus amigos. A mim não me coube nem um niquinho do jeito do Einstein para contas. Nem um poucochinho de Turing me calhou em herança. Eu mal sei correr um anti-vírus no computador quanto mais ler código binário. E aquela gente inventou isto. E há por aí gente que até sabe ir à Lua, meus amigos. Gente há inclusivé que, em abrindo uma cabeça, olha e distingue uns neurónios dos outros e ainda ali dá um jeito daquilo funcionar melhor. E eu que nem sei fazer sentido das medusas de cabos que me habitam o motor do carro. Tanta cabeça jeitosa por aí e eu cá estou, caro Apple MacBook, não sem rezar à santa maçã pela saúdinha desta motherboard, que se isto vai de vela é que é o bonito. Ainda eu não tive tempo para aprender a separar o átomo e parece que já por aí puseram uma fila de mísseis atómicos, todos abotoadinhos, a postos para nos dizimar o mundo de hoje e o de amanhã. Já vão desaparecer e eu ainda não cheguei a decorar os países todos, quanto mais as capitais e as bandeiras... Isto assim não dá. O que a malta tem agora não chega para o básico. A malta toda compra a cena, usa a cena, mas mal há quem saiba a sério como é que a cena funciona, quanto mais inventar uma cena melhor. Para isto da evolução humana ser mais justa, por mim, resolvia-se assim: inventavam-se - não inventava eu, que eu não sei - mas inventavam-se assim uns comprimidinhos de ADN do bom, ADN Nobel da física, química, matemática... Do que importa. E ia tudo a eito, logo de manhã com o Centrum e com um grande copo de água: ei-los, genes melhores para toda a malta ver se arrebita a formiga. Até sermos tão espertos como os espertos, capazes de medir um buraco negro a olhómetro ou de construir um computador no meio do deserto com pedra-pomes. Ah, estão a protestar, os amigos? Que o que eu digo é abominável? Que nem tudo é progresso técnico, então e o espírito? Que as humanidades também são ciências? Que não sei quê, eugenismos a esta hora, Sabrina controla-te? Até pode bem ser, mas se o vosso iphone se esbardalhar no chão, partido às peças, quero ver essas carinhas impotentes de choro, quero.

Sem comentários:

Enviar um comentário