A idolatria é um humanismo.

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Conversazione a Porto Con Manoel de Oliveira e Augustina Bessa-Luís
Dicembre 2005

"Sabemos que é verdade aquilo que o contrário nos impede de pensar." Leibniz
''A verdade primeiro ama-se, depois demonstra-se.'' Virgílio Ferreira

I.
Aprender é acreditar. É pensar com o que, tendo sido transmitido por outro, nos aparece como verdadeiro. Deixámos de questionar a partir do momento em que acreditámos em algo que, por nos surgir como deduzível, achamos que podia ter sido pensado por nós. O que nos é verdadeiro, é-nos óbvio: agarramos e construímos nosso a partir daí.
II.
Elegemos mestres por crença: acreditamos no que dizem ou fazem e, por introspecção, comparação e mimesis, melhoramo-nos. A tal ponto nos parecem verdadeiros, que deles decalcarmos versões apuradas de traços de personalidade comuns. Reconhecemos no outro uma alteridade esculpida, uma ''forma mais competente de ser'' e, ao mesmo tempo que renovamos a fé no Humano, aumentamos ao espelho a fasquia.
III.
Estava na faculdade na quinta-feira para ter uma aula às 18h quando o Ricardo Araújo Pereira passa por mim. Tinha já uma remota ideia de que ele frequentava esparsamente o doutoramento em Línguas e Literaturas mas nunca o tinha visto. Senti uma irreprimível vontade de me esquecer da minha aula para ir sorrateiramente sentar-me na dele.
IV. Só que não fui. ''A idolatria é um humanismo muito lindo mas também tem limites, minha menina!''. Facto é que a consciência é a mestre derradeira.

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Sabrina D. Marques © 2005-2015. Com tecnologia do Blogger.

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