sexta-feira, 28 de outubro de 2016

THE CASE-BY-CASE BASIS



" I have long been suspicious of the 'aesthetics equals ethics' tendency in serious film criticism, with its absolutist claims of what are good and bad styles in cinema.......Critics today need to reaffirm the principle that anything goes, and that anything can work — rather than place their trust in spurious, artificial systems of absolute value. In film criticism, the only acceptable court of law operates on a case-by-case basis. "

ADRIAN MARTIN, on 'God Only Forgives'

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Straub, Huillet e a Música



Não me interpretem mal: quem me conhece sabe que eu saúdo com a alma e a verve esse projecto começado em Straub + Huillet. O que eu desprezo é um fanatismo religioso chamado Straubianismo, que só remotamente participa no verdadeiro espírito veiculado por Straub e Huillet.
O materialismo raro dos seus filmes brota de uma fenda radical que é desferida na evolução do cinema, e que propõe uma incansável reflexão sobre os mais definidores alicerces da estrutura e da técnica. De filme para filme, os cineastas repensam o osso da linguagem cinematográfica, destilando os elementos que se adicionam para compôr um filme. ‘‘E o que é um filme?’’ perguntou um dia Straub. Cada filme é ocasião para a construção de uma resposta à pergunta, desconfiando do cinema e permanentemente perguntando-lhe - com palavras que podiam ser de João César Monteiro, o primeiro crítico de cinema a defender Straub em páginas portuguesas e cineasta tão melómano quanto o casal - acerca dos porquês disto ser assim e não assado. Conhecer é perguntar, é não papaguear e é precisamente por isso que Straub e Huillet são decisivos, incontornáveis, obrigatórios. Aprender com o seu cinema, ser tão revolucionário como Straub e Huillet é querer activamente pertencer ao presente, respondendo-lhe e participando na mesma fúria desconstructora que por eles foi ensinada, mas NÃO ser seu seguidista-copista. Não há crítica menos jovem do que essa fechada em ponto de não me toquem nas vacas sagradas. Benjamin ensinou-nos o que devemos recordar: a juventude é um estado de espírito.

No estímulo de voltar a pensar na raíz de tudo, foi então com o maior prazer que escrevi para o catálogo do LEFF sobre quatro filmes particularmente consagrados à música de Bach e Schoenberg: Chronique d’ Anna Magdalena Bach, Einleitung..., Moses und Aaron e Von Heute Auf Morgen.
Acompanhem de 4 a 13 de Novembro, a homenagem a Jean-Marie Straub e Danièle Huillet : http://www.leffest.com/seccoes/musica-cinema/homenagem-a-jean-marie-straub-daniele-huillet


sábado, 22 de outubro de 2016

nothing before

eu, se escolhesse, pensava branco. pensava a claro, sem negro, sem trágico, sem cruel. pensava sempre a giz como quem está a aprender. pensava longe do mal como se pensam os primeiros pensamentos. pensava a nascer. pensava lógico, limpo, imaculado. branco era a cor em que eu queria pensar.

domingo, 16 de outubro de 2016

Images partout.

«nós estamos entre elas, assim como elas estão entre nós. A questão é saber como nos movemos entre elas, como as fazemos circular.» Ranciére


«o processo fundamental da modernidade é a conquista do mundo como imagem.»
(Martin Heidegger..em pt - Caminhos da Floresta, Gulbenkian, 2002, p.117)



Side Show (1931) 

 Horror Film 1, Malcolm Le Grice, 1971

(James Turrell)


Gary Beydler, Hand Held Day, 1975


ATLANTIS, Ben Russell




Painter and Ball 4-14 (2011), Pat O'Neill


domingo, 9 de outubro de 2016

‘‘O Cinema Novo não é uma questão de idade, é uma questão de verdade.’’ Paulo Cesar Saraceni

Cinema Novo, Eryk Rocha, 2016

domingo, 2 de outubro de 2016

Directamente


No que escreve, no que filma, no que diz. O Bitomsky é genial três vezes. Neste ''Das Kino und der Tod''/ ''O Cinema e a Morte'' de 1988, reflecte sobre um nunca-acabar de stills impressos, numa relação táctil de proximidade que antecipa a ligação afectiva que hoje temos na experiência do cinema enquanto fragmento. Entre stills e gifs, com raridades ou blockbusters, a partir dos filmes fazemos hoje os nossos próprios postais virtuais - enquanto, descontextualizado e dessacralizado, todo o cinema auspiciosamente regressa à sua génese popular.


Das Kino und Der Tod, Hartmut Bitomsky, 1988

A idolatria é um humanismo.



Conversazione a Porto Con Manoel de Oliveira e Augustina Bessa-Luís
Dicembre 2005

"Sabemos que é verdade aquilo que o contrário nos impede de pensar." Leibniz
''A verdade primeiro ama-se, depois demonstra-se.'' Virgílio Ferreira

I.
Aprender é acreditar. É pensar com o que, tendo sido transmitido por outro, nos aparece como verdadeiro. Deixámos de questionar a partir do momento em que acreditámos em algo que, por nos surgir como deduzível, achamos que podia ter sido pensado por nós. O que nos é verdadeiro, é-nos óbvio: agarramos e construímos nosso a partir daí.
II.
Elegemos mestres por crença: acreditamos no que dizem ou fazem e, por introspecção, comparação e mimesis, melhoramo-nos. A tal ponto nos parecem verdadeiros, que deles decalcarmos versões apuradas de traços de personalidade comuns. Reconhecemos no outro uma alteridade esculpida, uma ''forma mais competente de ser'' e, ao mesmo tempo que renovamos a fé no Humano, aumentamos ao espelho a fasquia.
III.
Estava na faculdade na quinta-feira para ter uma aula às 18h quando o Ricardo Araújo Pereira passa por mim. Tinha já uma remota ideia de que ele frequentava esparsamente o doutoramento em Línguas e Literaturas mas nunca o tinha visto. Senti uma irreprimível vontade de me esquecer da minha aula para ir sorrateiramente sentar-me na dele.
IV. Só que não fui. ''A idolatria é um humanismo muito lindo mas também tem limites, minha menina!''. Facto é que a consciência é a mestre derradeira.