quinta-feira, 28 de julho de 2016

R.I.P. Kiarostami (1940 - 2016)

Luis Mendonça escreve a sua homenagem no Expresso : 

R.I.P. Michael Cimino (1939-2016)

Heaven's Gate, Cimino, 1979 

sábado, 23 de julho de 2016

projecção de BROWN BUNNY / apresentado por Vasco Pimentel e Rita Benis


Projecção de "The Brown Bunny" de Vincent Gallo (filme maiores de 18 anos), seguida de conversa com Vasco Pimentel e Rita Benis, que recordarão a sua participação na atribulada rodagem do filme. 

Na Sala Raul Sonaldo da S.i.Guilherme Cossoul, às 16h. Dia 23 de Julho.

Entrada gratuita.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Incondicional de um único programa de rádio:

terça-feira, 19 de julho de 2016

''without the spectator, the films would have no meaning''



"I find it hard to place myself in the history of cinema. In fact, I think I consider myself a better spectator than a director. But I realise that I have a different point of view of what a spectator is to that which producers normally take into account. For me, every spectator is a potential film-maker and, of course, without the spectator, the films would have no meaning, no reason to be. So I continue to go to films wherever I can and to vindicate my work as often as possible. But I suppose I could say that cinema has helped me to live." - Victor Erice

The Spirit of the Beehive, Victor Erice,  1973

segunda-feira, 4 de julho de 2016

30/7 : sessão O CINEMA É UMA VIAGEM DA LUZ




''São propriedades de um objecto, segundo Leonardo: luz e sombra, cor e substância, forma e posição, distância e proximidade, movimento e estática.'' ― Robert Bresson



''Num filme, há duas formas de incluir seres humanos. Uma é descrevendo seres humanos. Outra é criando uma forma que tem, em si, todas as qualidades de ser humano: ternura, observação, medo, relaxamento, a sensação de entrar no mundo e de logo depois se conter, expansão, contracção, mudança, mansidão, suavidade de coração. A primeira é uma forma de teatro e a segunda é uma forma de poesia.''
― Nathaniel Dorsky


" O CINEMA É UMA VIAGEM DA LUZ"



PROGRAMA WHITE NOISE NO AUDITÓRIO RAUL SOLNADO @ S.I. Cossoul  

>> Destinado a fins educativos e didácticos.
>> A projecção é digital.
>> ENTRADA GRÁTIS


* 15 - 15h15: 
Video-ensaio LUZ-MATÉRIA (de Sabrina D. Marques, Julho 2016)

* 15h15: 
(( Parte 1 ))
- Traveling Light, de Jane Aaron (1985) - 1min
- Travelling Light, de Gina Telaroli (2011) - 58min
- Exposure adjustment on a sunset, de Artie Vierkant (2009) - 39min

- - - INTERVALO - - -

* 17h
(( Parte 2))
- The Thin Hat, de Giuseppe Bocassini (2014) - 15min
- The text of Light, de Stan Brakhage (1974) - 64min
- Panels for the Walls of Heaven, de Stan Brakhage (2003) - 32min

- - - INTERVALO - - -

*19h : 
(( Parte 3 ))
- Tree Again, de Kurt Kren (1978) - 3min
- The Secret Garden, de Phil Solomon (1988) - 17min
- Samadhi, de Jordan Belson (1964) - 5min
- Light, de Jordan Belson (1973) - 6min
- Il pianeta azzurro, de Franco Piavoli (1982) - 84min

- - - JANTAR - - -

* 23h
FESTA DE FIM DE TEMPORADA @ Cossoul 

Á Pala de Walsh + Whitenoise + Germinal + Prisma &tc
- DJ Set : DJ Marujo

Francofonia

Qual é coisa qual é ela que acaba sempre no mercado, é um velho produto que pode ser muito caro ou de graça e cujo preço é sempre definido pelo comprador?
A charada está no novo filme de Sokurov, FRANCOFILIA, sobre o qual escrevi (na Medeia Magazine).



https://issuu.com/medeiamagazine/docs/medeia_magazine_julho_agosto_6e29c66d94f7f1/1?e=0

Diagramas de sentido

O video-ensaísta Kevin B. Lee revela que, na única ocasião em que entrevistou Hong Sang-soo, reparou como o realizador não parava de desenhar diagramas para explicar a sua abordagem aos filmes. Vi aí um desafio e procurei uma folha onde ensaiar, simplificando com uma forma diagramática, a minha leitura do recente filme Certo Agora, Errado Antes / Errado Antes, Certo Agora. E o que é que nos diz um diagrama que se apresenta em vez de um filme? Concluo que é impossível sintetizar filmes em diagramas, mas continuo a fazê-los, incessante. Porque há sempre sentido no erro - e se calhar é por isso que dizem que Hong Sang-Soo continua a fazer sempre o mesmo filme. 

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Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. 

Samuel Beckett

Le vent de la nuit




LE VENT DE LA NUIT / 1999


Um filme de Philippe Garrel
Folha da Cinemateca

Temos insistido muito, nestas “folhas” sobre os filmes de Garrel, na questão da “serenidade”, e de como as mais recentes obras do realizador a exibem de maneira impressionante. Le Vent de la Nuit não muda essa maneira de ver – é um filme que nunca levanta a voz, porventura mais contemplativo do que qualquer outro filme de Garrel, e onde, de novo, se pressente haver uma espécie de misteriosa “sagesse” a comandar-lhe as entrelinhas.

Houve muita gente que o descreveu como um “road movie”, coisa que o filme, literalmente, até é. Basta ver como nos ficam na memória aquelas auto-estradas que correm ao longo da costa do Mediterrâneo (há outras auto-estradas no filme, mais interiores e nubladas, mas estas deixam uma marca especial), filmadas de maneira belíssima e com uma fotografia onde a luz e a cor (o trabalho de Caroline Champetier é fabuloso) adquirem uma textura digna de alguns outros grandes filmes sobre o Mediterrâneo (estamos, claro, a pensar em Godard ou em Rozier). Le Vent de la Nuit tem estradas e automóveis (um magnífico Porsche vermelho) suficientes para cumprir os requisitos de qualquer “road movie”. Mas, ainda assim, se essa expressão se nos agarra ao espírito é menos porque precisemos de o inscrever num género ou subgénero do que pela sensação de que a um nível, digamos, metafórico, “road movie” é mesmo a expressão mais adequada para descrever Le Vent de la Nuit. Ou, mais exactamente, um “end of the road movie”, um filme sobre o fim do caminho.

Que significado tem, numa hipotética tipologia do protagonista garreliano, a personagem de Daniel Duval, Serge? É fácil de notar que, em Le Vent de la Nuit, é essa a personagem que mais se aproxima de uma representação do próprio Garrel – quer pela idade e pelo estatuto dentro do filme, quer por aquilo que nos é revelado sobre a sua história: um “veterano” do Maio de 68 (“faz-se a revolução porque se é revolucionário”), que viveu as euforias idealistas da juventude mas que não encontrou nada, aparentemente, capaz de as substituir uma vez passado o tempo dos idealismos de juventude. Encontramo-lo, portanto, num impasse, preso duma suspensão e duma falta de horizonte (apenas iludido pela conquista do horizonte nas auto-estradas) que se percebe durar há demasiado tempo e que não tem saída à vista. O encontro com Paul (Xavier Beauvois), a história com Hélène (surpreendente Catherine Deneuve), têm entre eventualmente outros efeitos o de tornar clara (quanto mais não seja para o próprio Serge) a profundidade desse impasse.

Ao mesmo tempo, a relação entre Garrel e o seu protagonista não é, como noutros casos, preenchida por qualquer autobiografia visível – tudo se mantém suficientemente vago e alusivo, como se Garrel se projectasse, sim, mas desta vez non troppo. Vejamos Serge como um duplo de contornos indefinidos do próprio Garrel, não como um auto-retrato.

Vejamo-lo assim porque, em última análise, Serge não é Garrel, e isso é um dado fundamental. Dir-se-ia que Le Vent de la Nuit existe para o provar, e que tira daí a sua razão de ser. É uma superação, o momento em que à serenidade do olhar de Garrel se vem juntar a sua pacificação (uma coisa e outra não são sinónimos nem se implicam mutuamente). Num certo sentido, Garrel filma Serge para se afastar dele, para confirmar que, ao contrário dele, levou a bom porto um processo de aceitação (de si e da sua história) que lhe permite não ser Serge – e sobretudo não ter o seu destino. É o momento determinante do filme, essa cena, uma das mais extraordinárias que Garrel já filmou, do suícidio de Serge (e aqui, uma chamada de atenção para o actor, Daniel Duval, de quem os espectadores portugueses talvez se lembrem em Y Aura-t-il de la Neige à Nöel? de Sandrine Veysset). É um momento que parece determinante, ainda, na própria obra de Garrel, qualquer coisa como uma resolução do passado e uma decorrente aceitação do presente. Como se Garrel se desfizesse do seu duplo, e isso fosse uma maneira de seguir em frente: Serge suicidou-se, Garrel fez um filme. É óbvio que não podem ser a mesma pessoa.


Luís Miguel Oliveira