sábado, 30 de abril de 2016

the D:


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Django, Tarantino, 2012

segunda-feira, 25 de abril de 2016

(onde os pássaros perdem as asas)

 Nha Fala, Flora Gomes, 2002


Em Nha Fala, filme de sketches entre danças e cantares, toda a gente fecha portas e janelas à estátua de Cabral que navega em ombros pelas ruas, como se observando o estado-de-sítio. Ironicamente, esta ''homenagem'' chega à Ilha pelas mãos do industrial local que enriqueceu às custas da subida do preço do arroz, base da alimentação dos pobres. Apesar de um vagabundo se pintar com farinha de arroz para ficar mais branco, dizendo num mancar fingido ''que os antigos combatentes têm mais cabelos brancos e ferimentos'' e que, assim, tem um ar mais sério, não parece ainda assim emprestar seriedade suficiente à estátua de Amílcar Cabral que escolta com o amigo que a carrega. Depois da rejeição dos habitantes (que não querem um busto de Cabral na sua rua), é somente quando o cortejo atravessa um hospital que todos os feridos se levantam para, em procissão, acompanhar esta estátua ao seu destino, em coro clamando ''Cabral, Cabral, Cabral''. Será que, entre estes cabo-verdianos do presente, a independência já só consegue ser celebrada pelos corpos acamados, presos e enjeitados como os que ali lutaram como o ''herói Amílcar'' - num ontem não tão distante? Ou será que esse passado está, de facto, a milhas deste Cabo-Verde, onde já não se respira um pleno e comum espírito de independência?
Nesse lugar onde as crianças celebram funerais aos papagaios mortos (e se queixam que os padres nada mais dizem do que 'silêncio'), VITA, a lindíssima protagonista de partida para Paris, aconselha aos que ficam: ''Construam caixões. A morte é a única certeza aqui.''

 ''...tive a sorte de ser abraçado por este evento, movimento, liderado por Amílcar Cabral, que mudou praticamente o meu percurso. Eu costumo de dizer, se calhar, as pessoas, que como um homem muito forte poderia ser um grande guarda, guarda de um armazém. Se calhar, numa escola, num hospital, tudo. Isto poderia até acontecer, mas este encontro com este Senhor, traçou-me, eu comecei a ver, na medida do possível, a luz que me ilumina, que iluminou o meu destino, que continua a me iluminar, que mudou praticamente o meu percurso. (...) quem lê Cabral, não precisa de nada, e tem tudo na mão. Nos anos 1960, Cabral já falava de gênero. Ele dizia que, nos comitês do partido, que era o Partido Africano parar a Independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, partido que ele fundou, ele dizia que se o comitê, que é a base das estruturas do partido, era composto por cinco pessoas, no mínimo duas deviam ser mulher. Nos anos 1960! Um homem que viveu para além do seu tempo. Aliás, é por isso que o mataram. Porque ele incomoda. É uma visão. Não estou a exagerar, mas a África vai passar muito tempo para encontrar uma figura como Amílcar Cabral. Então, foi um homem que disse que nós temos que deixar de ter medo. E quando ele diz que o homem tem que deixar de ter medo, ele está a se referir ao homem que não tem nenhuma formação. O medo vem como um aspecto de ignorância.''
FLORA GOMES sobre Amílcar Cabral 
(http://ficine.org/?p=1240)

sexta-feira, 15 de abril de 2016

''grande reinado ritual'' :





Cemetery of Splendour, Apichatpong Weerasethakul, 2015



escrevi sobre o filme
na MEDEIA MAGAZINE (apanhem a vossa)

entrevistei o Apichatpong Weerasethakul, com o CARLOS NATÁLIO

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Festival Reverso : APOSTAS // NOVOS VIDEO-ENSAIOS, NOVÍSSIMOS REALIZADORES




Novos Vídeo-Ensaios – em loop na Galeria Germinal

O ensaio audiovisual digital como objecto singular no panorama das imagens em movimento (no reino do digital) apresenta-se como entidade intermédia entre o reino artístico – o cinema e os novos media (sobre o qual versa directamente) – e o território académico e crítico (do qual participa). No entanto, recentemente, os ensaios audiovisuais digitais têm sido acolhidos em secções paralelas de festivais de cinema, têm sido convidados para integrar programas de retrospectiva em cinematecas, têm sido integrados em edições de DVD e têm sido exibidos ocasionalmente em galerias, ainda que de modo tímido.
Nesta passagem do reino digital para o mundo concreto das projecções e exibições públicas o objecto do ensaio audiovisual digital adultera-se, já que, como o cinema, a sua natureza vive sobre três dinâmicas distintas:  a matéria enquanto objecto físico ou digital transacionável e maleável, a vida desse objecto nas suas mutações e adaptações ao meio e por fim o seu lado performático, isto é, a forma como se mostra e se vê a cada exibição. Todo o filme (e por consequência todo o ensaio audiovisual) vive no jogo constante entre estas três forças e o que resulta delas é exactamente um manancial de possibilidades onde um objecto audiovisual nunca  é isolada e constantemente o mesmo.
Esta questão é da maior actualidade já que as formas que o cinema vem tomando são tantas quantos os ecrãs que o vêm mostrando. Desse modo, não só não será o mesmo filme aquele que é visto em nitrato numa cinemateca ou em ficheiro comprimido que se assiste numa tela móvel de um smartphone, como a experiência do espectador, o seu envolvimento e a sua relação com o objecto é igualmente distinta. Ainda assim damos-lhe o mesmo nome e somos capazes de partilhar ideias e pensamentos em torno desses objectos. O cinema é pois o que sobeja dessas múltiplas encarnações que o próprio vai tomando – uma espécie de língua comum que atravessa todos os formatos e suportes para nos recantos destes se dar a ver, inalterado.
Na Galeria Germinal, integrado no Festival Reverso 02, decidimos estabelecer uma parceria com o curso livre da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, O Ensaio Audiovisual e a Crítica de Cinema como Prática Criativa, ministrado por Luís Mendonça e Luís Miguel Correia – do qual originaram os ensaios em exibição –, aproximando mais uma vez o universo artístico do académico (qual reflexo da própria natureza do ensaio – audiovisual e não só). Só que essa associação implica, naturalmente, um desmantelamento do digital em favor da concretude do espaço de galeria que acolhe os ensaios audiovisuais digitais.
No processo dessa transferência decidimo-nos por uma provocação: e se os objectos do meio digital se mostrassem em velhinhas televisões de raios catódicos, em formatos distendidos ou amputados, com cores queimadas, com interferências próprias do vídeo, numa espécie de regresso às origens do formato do filme ensaio? De facto esta escolha resultou-nos natural. Tínhamos à mão tanto estes antigos aparelhos como novíssimos plasmas e aparelhos media player, mas ainda assim decidimos apostar (talvez em jeito terrorista, contra as noções de original e de autoria) num objecto que se tornasse também nosso, que integrasse a galeria e dialogasse com os quadros, ilustrações e fotografias que forram as restantes paredes.
Esta mostra de Novos Vídeo-Ensaios é pois tanto um acto de programação em meio de galeria de um objecto que lhe costuma estar alheio, como um gesto de apropriação, à imagem daquilo que os próprios ensaios que programámos fazem com os filmes que ensaiam. Afinal tudo circula e tudo comunica, em loop, claro, em intermináveis loops.

Ricardo Vieira Lisboa
Sabrina D. Marques  




No dia 14 de Maio (sábado), em sessão única, entre as 17h00 e as 19h30, no Auditório Raul Solnado da Cossoul , Sabrina D. Marques e Ricardo Vieira Lisboa (À PALA DE WALSH / GERMINAL ) apresentam is Sessão APOSTAS de cinema dedicada a alguns jovens realizadores portugueses, no âmbito do Reverso // Encontro de autores, artistas e editores independentes. Serão exibidas as curtas:

- A Última Noite de Joana Reis
- Marasmo de Gonçalo Loureiro
- Cabeça de Miguel Tavares
- O Bloqueio de Isabel Cordovil
- A Minha Idade de Hugo Pedro
- Estudo de Espaço #6 de Alexandre Alagôa
- Sala Vazia de Afonso Mota
- Lei da Gravidade de Tiago Rosa-Rosso e André Torres

A seguir à projecção haverá uma conversa com convidados especiais e com moderação a cargo do À pala de Walsh.







sexta-feira, 8 de abril de 2016

OBLÍQUA - Mostra Internacional de Cinema Experimental e Videoarte

7 e 8 de Maio, a GALERIA GERMINAL recebe a OBLÍQUA - Mostra Internacional de Videoarte & Cinema Experimental

LER SOBRE : http://www.apaladewalsh.com/2016/05/31588/



domingo, 3 de abril de 2016

o que sobra da utopia soviética - nas paisagens e nos espíritos.








Entre o brutalismo dos antigos monumentos futuristas da Jugoslávia de Tito e os delírios de um velho militar-militante de linguagem versada nos chavões do utopismo soviético, um pequeno grande filme: A Second World (uma dupla realização de Oscar Hudson e Ruben Deschamps). O que fazer com a memória de um corpo levado para a guerra por um país que hoje já não existe? Das antigas promessas de futuro, decalcam-se os novos mapas e o progresso continua pela investigação espacial. Há segundos mundos à escuta, multiversos paralelos, planetas atarefados nas simultaneidades das suas vidas tão semelhantes. A psico-geografia do projecto soviético sobra nos esboços destes papéis que inventam novos planetas com nomes balcânicos. Pois, como no seu betão armado persistem esses monumentos endereçados ao futuro, a natureza constituinte dos ideais é a resistência.

A SECOND WORLD, de Oscar Hudson + Ruben Deschamps (2016)
https://vimeo.com/163010009