quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

REVEILLON 2015-2016 // Times are A-Changin



Planeio o auto-exame. Desabotoada a camisa de ontem, faço do peito a matéria em bruto. A lupa protoganiza o acto. Chego à contabilidade das fendas. Enquanto o espelho me censura, destilo verdade dos erros. Ao menos os anos lavaram-me os ossos:

* Não esconderás os pessimistas debaixo do colchão.
Que leitor foge de autores pessimistas a sete pés? Aquele que já diagnosticou pessimismo de sobra dentro de si. Mas o mandamento próprio jamais pode aspirar a ter vocação plural. Aqui se inscreve a primeira regra para bem-conviver: não temos de proteger uns humanos de outros. A inteligência individual é a mesma chave do Eu e do Outro. A decifração é de cada qual. Não dá para cair nos princípios proteccionistas de querer salvar as cabeças de uns das ideias dos outros: aí começa o holocausto. Conviveremos bem entre Céline, Lautréamont, de Sade, Nietzche percebendo que a hipótese, primeiramente, levanta o problema: uma descrição da Humanidade a arder não é a própria Humanidade a arder. São enunciados estas fórmulas de desintegração - activas consoante a inteligência de quem as lê. E reconheço o grau relativo da sua ineficácia considerando um facto - a humanidade começa no mais animal dos instintos, o de proteger a própria integridade. Os murros na mesa são as excepções à regra, agitam a estrutura e fendem o estabelecido (o mais fácil é deixar de perguntar). A sociedade precisa deles vitalmente: o mundo tem de ser posto a arder, amiúde, para daí nascer diferente.

* Rir de rigorosamente tudo. (Porque tudo é, sob certa luz, ridículo.)
Acho que a juventude me chegou tarde (demais) e acredito mesmo que não há demonstração maior de vitalidade do que conseguir rir de rigorosamente tudo. Todas as salvações possíveis começam no mais umbilical riso. E é precisamente com o sentido de humor que um pessimista se protege do pessimismo. 

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