O limite dos infinitos

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''Mas que maneira estranha tem este homem de vibrar com tudo isto! Dir-se-ia que alguém, como um prestidigitador, sucessivamente lhe mostrava a Terra e lha escamoteava a seguir, e ele concebia a beleza viva com a maior diferença possível entre a existência e a não-existência. Era nisso, precisamente, que residia a sua originalidade:essa diferença, que não se pode conceber mais do que num instante,ele a havia retido e levado ao nível de índice constante de poesia. Mas onde tinha ele podido ver essas aparições e desaparições? Não era a voz da humanidade que lhe tinha ensinado a conhecer a Terra, que aparecia e desaparecia no decurso das gerações?

Tudo isto é, de uma ponta à outra, uma arte sem mentiras que fala do limite dos infinitos, que nasce inteiramente da mais rica, insondável e estremecida miséria terrestre. (...) que, limitando-se à sua grosseira condição, o homem não pode dedicar-se a nada de grande; que ele precisa de transformar-se em dinheiro..."

(Melodia Interrompida, Boris Pasternak)

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