Um pouco mais do que é simples.

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Aimer, boire et chanter, Alain Resnais, 2014

Os primeiros meses de Janeiro são também sobre parar para reflectir acerca dos tops que cruzam os horizontes cinéfilos e procurar ver o que de bom nos escapou nas salas este ano (ou o que escapou às nossas salas, portuguesas). 

 O último filme de Alain Resnais, realizador que nos deixou este ano, foi um desses títulos que perdi em sala mas ganhei no abrir do ano (graças ao top 10 do Vasco Baptista Marques no À Pala ). O que mais interessa em ''Amar Beber e Cantar'' é a sua convocatória ao minimalismo, como se de uma prescrição ao cinema de amanhã se tratasse. O brilhantismo do corpo de trabalho de Resnais foi também um movimento de depuração da própria estética, dando cada vez mais espaço ao trabalho do actor que a própria encenação se torna uma parte integrante da narrativa dos filmes, particularmente das suas últimas décadas, nunca esquecendo a estreiteza em que se rimam papéis sociais e personagens fictícias. Se este filme nos lembra tanto ''Smoking / No Smoking'' (1993), sente-se como uma prequela a "Vous n'avez encore rien vu" (2012) - aí vimos a família que o cinema lhe trouxe (o seu grupo habitual de actores) e reflectimos acerca do que é o legado de um realizador (através de um jogo de espectros que programou como celebração-síntese de uma obra); aqui não há planos, trabalhos ou compromissos para os instantes que nos separam da morte anunciada (afinal, trata-se apenas de amar mais um pouco, beber mais um pouco, cantar mais um pouco).

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