quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Breves :



- Boyhood. As expectativas eram imensas por isso a desilusão foi condizente: o alarido de um dispositivo tão inovador para depois assim cair numa realização tão descuidada e tão pouco inventiva não deixa de saber a oportunidade desperdiçada.  

- Inherent Vice. Não entendi a tão disseminada popularidade e conto-me entre os fãs do PT Anderson. Para lá de uma fabulosa selecção sonora, uma realização enfadonha que perde o pulso a meio : à força de tanta reviravolta, dou por mim algures já sem saber qual é o objectivo da deambulação verborreica deste detective. De facto, perdidos no ''rendilhado neo-barroco do universo romanesco de Thomas Pynchon'', entramos numa circularidade caótica que se gasta, dando a sentir o tempo.

- Gone Girl.  Eis que finalmente e contra todas as expectativas, volto a gostar de um filme do Fincher que não o Zodiac. O calculismo frio da protagonista, insaciável até às últimas instâncias ( a lembrar a Gene Tierney de Leave her to Heaven) agarra o suspense. 

- Nightcrawler. Há sopa de música e montagens aceleradas mas o propósito do filme está no enredo que este ladrão de imagens protagoniza: quanto valem o horror, a desgraça e o sangue? Que acontecimentos espicaçam a fome de imagens nas audiências ? Porque se conduz a agenda noticiosa por estes limites obscenos? As imagens são mercadoria deformadora - e o alegado ''direito de saber'' é um ministério falso, jogado na mesma desregra do consumismo selvagem. São as fronteiras entre jornalismo e sensacionalismo que aqui se questionam, pondo o dedo na ferida: afinal, o conceito de ''interesse público'' é outra ficção mediática. 

Sem comentários: