Breves :

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- Boyhood. As expectativas eram imensas por isso a desilusão foi condizente: o alarido de um dispositivo tão inovador para depois assim cair numa realização tão descuidada e tão pouco inventiva não deixa de saber a oportunidade desperdiçada.  

- Inherent Vice. Não entendi a tão disseminada popularidade e conto-me entre os fãs do PT Anderson. Para lá de uma fabulosa selecção sonora, uma realização enfadonha que perde o pulso a meio : à força de tanta reviravolta, dou por mim algures já sem saber qual é o objectivo da deambulação verborreica deste detective. De facto, perdidos no ''rendilhado neo-barroco do universo romanesco de Thomas Pynchon'', entramos numa circularidade caótica que dá a sentir o tempo e se gasta.

- Gone Girl.  Eis que finalmente e contra todas as expectativas, volto a gostar de um filme do Fincher que não o Zodiac. O calculismo frio da protagonista, insaciável até às últimas instâncias ( a lembrar a Gene Tierney de Leave her to Heaven) agarra o suspense. 

- Nightcrawler. Há sopa de música e montagens aceleradas mas o propósito do filme está no enredo que este ladrão de imagens protagoniza: quanto valem o horror, a desgraça e o sangue? Que acontecimentos espicaçam a fome de imagens nas audiências ? Porque se conduz a agenda noticiosa por estes limites obscenos? As imagens são mercadoria deformadora - e o alegado ''direito de saber'' é uma concessão de poder falsificada, porque não consiste numa dádiva entre emissor e receptor mas numa transacção em que o emissor investe, e muito. São as fronteiras entre jornalismo e sensacionalismo que aqui se questionam, à procura de explanar como afinal o conceito de ''interesse público'' é mais outra ficção mediática. 

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Sabrina D. Marques © 2005-2015. Com tecnologia do Blogger.

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