quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A medida humana.


Exotica, Erotica, Etc.,

Evangelia Kranioti, 2015



Knight of Cups, Terrence Malick, 2015

domingo, 6 de dezembro de 2015

''Racism is a form of fascism''. Lionel Rogosin

Elliott Erwitt

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

diálogos skoreckianos que se dão na minha cabeça :



- Como é que se chama aquele filme totalmente machista do Guerín? 
- Qual deles ?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

WHITE NOISE ( e Á PALA DE WALSH ) nos Cahiers de Dezembro

Stéphane du Mesnildot junta-se ao colectivo White Noise (Sabrina D. Marques + Carlos Alberto Carrilho + Miguel Patrício) para uma conversa sobre o estado da cinefilia em Portugal nas páginas de Dezembro dos Cahiers Du Cinéma (officiel). O pano de fundo foi a Homenagem a Cristopher Lee, promovida em conjunto na mais recente edição do MOTELx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. 


Findar 2015 da melhor maneira : O Porto vai ter Thom Andersen, Chantal Akerman e Lionel Rogosin



PORTO / POST / DOC 



texto meu de
HOMENAGEM A CHANTAL AKERMAN
http://www.portopostdoc.com/home/noticias/view?id=70

e, para o festival, a nossa Associação Germinal 
produziu ainda um booklet :
Lionel Rogosin: dos filmes às fotografias
http://www.germinal-art.com/#!edi--es-germinal/cjg9

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

PIALAT's Van Gogh


Craig Keller  republicou no seu blogue o meu ensaio sobre Van Gogh de Maurice Pialat
presente na edição bluray da Masters of Cinema, 2013:
http://cinemasparagus.blogspot.pt/2015/10/van-gogh-pialat-essay-by-sabrina.html

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Fiction invaded everything.

Weekend, Godard, 1967

sábado, 12 de setembro de 2015

Homenagem a Christopher Lee x2 :

A WHITE NOISE (Carlos Alberto Carrilho, Miguel Patrício e Sabrina Marques) e o Motelx 2015 convidam Stéphane du Mesnildot


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

#youwillnevercomeclosetowhatIfeel

A solidão é o combustível da cabeça.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Grande chapadão bem merecido:

A River Called Titash, Ritwik Ghatak, 1973


Pather Panchali, Satyajit Ray, 1956

Do lugar mais inesperado chega o mais verdadeiramente modificador. Andamos nisto da cinefilia online ao longo de anos a fio, a trocar com gente de todo o mundo. Os mesmos nomes são recorrentes e, próximos em idade, as ligações estreitam-se. Tudo corre bem enquanto se passa ao nível da cinefilia - vimos o mesmo e o que não vimos, facilmente podemos juntos tratar de encontrar para ver (com a maioria das coisas, pelo menos). E é precisamente pela sintonia de estarmos nos mesmos lugares, diariamente tão dentro dos mesmos temas, autores e hábitos, que nos esquecemos, muitas vezes, do tanto que nos separa. Felizmente, o acesso à cultura é disseminado globalmente mas, se isso esbate as desigualdades, é tão fácil esquecermos que elas estão lá. 
Aconteceu-me uma coisa tão simples mas tão reveladora.
Num scroll ocasional, reajo sem pudor a uma foto de um ''amigo'' artista/cinéfilo indiano que me chocou tremendamente. Ele tinha sido retratado ao pé de uns gatos de rua:

- Por favor alimenta esses gatos, estão magríssimos.

Alguma vez me ocorreu pensar que, lá porque era artista e cinéfilo, tinha, ele próprio, o que comer? Partimos sempre do pressuposto que quem pensa em arte só o pode fazer porque, primeiramente, está de estômago cheio. Mas isso não é elitizar a arte e a cinefilia? Quer dizer que só cria quem já endereçou primeiramente as suas necessidades básicas? Porquê? É claro que para um indiano é obsceno eu preocupar-me com a fome dos gatos, quando eles vêem a fome nas pessoas. É claro que para mim é chocante ver alguém dizer que a morte é relativa, que faz parte da paisagem e que os gatos vão e vêm (quando cresci a achar que todo o sofrimento é sofrimento, humano ou animal). Mas não é verdade que quem convive com o extremo de certas realidades, relativiza outras? Que, se os recentes jovens indianos não se tivessem algures desresponsabilizado, se não deixassem de pensar activamente na realidade gritante em seu redor, nunca teriam conseguido pegar num livro? Emancipar-se e interessar-se por arte, por cinema? 

A abstracção que autoriza qualquer exercício de reflexão só pode, inevitavelmente, acontecer no lugar de uma relativa impermeabilidade. É-nos forçosa em qualquer contexto, ou passaríamos os dias a fazer sopa para quem não a tem, não nos cumprindo pessoalmente. É o que tão bem nos ensina o filme Lust for Life de Minnelli (1956): Vincent Van Gogh começa como pregador numa comunidade de mineiros até perceber que o que diz tem pouca eficácia sobre a realidade. Porque o corpo torcido pela falta física não contempla a vida do espírito, a sua acção será mais prestável se ajudar materialmente, com a força dos músculos, com dinheiro, com coisas. Menos directa, a sua pintura terá a mesma intenção interventiva, com a diferença de que o resultado deste impacto não é imediatamente observável. Se Van Gogh não tivesse percebido que, para a continuidade do espírito humano, também há ''bens de primeira necessidade'', teria continuado a criar apesar da miséria material - a sua e a que presenciou ?



Lust for Life, Minnelli, 1956

A preocupação pela sociedade em que nos inserimos é um peso dos olhos abertos, e que coloca em permanente mediação a acção individual e colectiva. Mas há que lembrar: não ver pessoas esfomeadas assim que se sai de casa é um privilégio de alguns apenas (afinal, é uma violência a menos) e, com isso, há que manter presente a consciência de uma responsabilidade acrescida. Todas estas questões são imensas, são eternas questões. Não deixo de ter levado um grande chapadão e, num misto difuso de embaraço, culpa e impotência, aprendi que, para trocas interculturais, há que deixar as convicções em casa. Servem como regras em vigor lá e lá apenas. 

(E por mais que a cinefilia nos tenha ajudado a perceber tão diferentes culturas e modos de vida, tanto fica por mostrar, tanto fica por ver, tanto fica por sentir. Para chegar à conclusão que os ecrãs ensinam muito mas que viajar ensina mais. E sim, quanto mais próximo da morte é o lugar onde se está, maior é o valor do projecto de resistência que é viver.)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

o verão é sempre para crescer.

Boas férias.


Bianca Brunner

Maria D.


Viver, entretanto, é ver, ir vendo

The Red Shoes (Michael Powell and Emeric Pressburger, 1948)

Viver, entretanto, é ver, ir vendo
e também ver inclui dormir
sem que nada se desfaça ou exclua
no interior dos sonhos.

Pensemos no comércio de viver: passagem dos navios
quando, a passar, se retém a espessa
água do tempo, da tempestade.

Um comércio, apenas - desvio da moeda
da trajectória do ouro
para o papel.

Sempre viver incluiu andar percorrer voar
de avião ou com os braços ou num ser de mais
rodas que nos conduza
a outro sentido ambulatório.

Luiza Neto Jorge

o blue valentine na kentucky avenue

Gregory Peck + Ava Gardner in The Snows of Kilimanjaro, Henry King, 1952

podemos cantar um canção os dois
a valsa da matilde do waits
a voz do vinagre onde o álcool se transforma em
som

algures no nosso oeste
cactos e bagaço
o blue valentine na kentucky avenue

uma lágrima numa longa
noite sem fim
porque esperamos?
não sei
juro que não sei
sentada na berma
ja tenho doses de noites a
mais
de esquinas e portas
de adeus em adeus
elas não suportam a separação
não choram mais porque secaram
i never talk to strangers

o som da cidade
fica restabelecido e já não tenho horas
o relógio parou
e eu fiz um gesto obsceno
e desapareci

maria sousa

Another belief of mine: that everyone else my age is an adult, whereas I am merely in disguise. (Margaret Atwood)


YO YO by Pierre Etaix (1965)

sábado, 15 de agosto de 2015

O sargento negro, por Jean Douchet


Ao permanecer fiel a si mesmo, John Ford torna-se novamente um cineasta de vanguarda. Semelhante permanência nos temas e na escritura conduziria qualquer outro ao academicismo. Mas a juventude de seu coração, e sobretudo uma fé profunda e intacta em uma tradição preservam este autor da secagem das fontes. Não há em sua obra um único ensaio de renovação. O sargento negro poderia ter sido filmado em 1938, ao mesmo tempo em que No tempo das diligências. Ele não aporta nada mais. Mas é tão belo quanto.
Reencontramos no filme os personagens caros ao autor: o coronel amuado, o jovem tenente intrépido e as mulheres cacarejantes e deliciosamente ridículas. O humor é rijo, tônico e “simpático” ( bonhomme). Nada aqui é complicado. Um sargento negro, logo após a Guerra da Secessão, vai para uma corte marcial. Acusam-no de dois assassinatos e do estupro de uma Branca. As testemunhas desfilam diante das barras do tribunal. Por uma sucessão de flashbacks, a verdade vem à luz. O sargento negro aparece-nos como um soldado de honra e um verdadeiro homem. Seu defensor, o jovem tenente, defende-o calorosamente. A verdade finalmente advirá perante todos, o assassino desmascarado.
A arte de John Ford é tradicionalista porque se funda sobre as virtudes dos simples. Virtudes, em nossos dias, esquecidas, ou mesmo desprezadas. É por isso que vários espectadores saíam deste filme rindo de suas ingenuidades, assim como de seus bons sentimentos. É bem evidente que Ford negligencia as sutilezas. Os refinamentos intelectuais o interessam menos que a nobreza do coração.
Seu estilo também não está ali para nos arrebatar. De um classicismo absoluto. Encontramos mesmo alguns arcaísmos, como este procedimento que consiste em obscurecer lentamente a sala do tribunal para anunciar um flashback. Tudo aqui está perfeitamente em seu lugar. As ações em primeiro plano respondem às que se desenrolam na profundidade de campo, como os planos americanos aos gerais. Um estilo sólido como rocha. Mas no interior sentimos o frêmito e a sensibilidade áspera do excelente artesão. E que admirável direção de atores! Um pouco pesada talvez, mas que sabe revelar com justeza admirável as reações exatas das pequenas gentes. Sabemos que Ford os conhece e ama, embora caçoe de seus defeitos.
E neste mundo de simplicidade onde este cineasta nos lança, não são os momentos melodramáticos os que nos transtornam mais. Mas antes certas imagens ingênuas ( naïves) , ou mesmo cromos. Elas adquirem subitamente no contexto uma força emocional extraordinária. Assim, certa imagem do sargento negro destacando-se orgulhosamente contra luz, enquanto vela por seus camaradas. É preciso redescobrir John Ford, cineasta ilustre e desconhecido.

Jean Douchet, Arts, número 794, do 2 ao 8 de novembro de 1960. Extraído de A arte de amar
Tradução: Luiz Soares Júnior

terça-feira, 11 de agosto de 2015

: Fendas nas Censuras Cinematográficas



: Dossier FENDAS NAS CENSURAS CINEMATOGRÁFICAS na Wrong Wrong: 
- Fendas no caso Hays apanhadas por mim, pelo Luís Mendonça e pelo Carlos Natálio http://wrongwrong.net/…/fendas-nas-censuras-cinematograficas
- Subversão ao artigo 175 japonês vista pelo Miguel Patrício http://wrongwrong.net/…/subversao-do-artigo-175-do-codigo-p…
- Algumas fendas à censura portuguesa recolhidas por Ricardo Vieira Lisboa, a partir do filme Maria Papoila de Leitão de Barros : http://wrongwrong.net/artigo/fendas-nas-censuras-cinematograficas-maria-papoila

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

a nefasta sequência dos dias




The Ghost and Mrs Muir, Joseph L. Mankiewicz, 1947

''O lugar não aprazível, completo, não devassado e cheio duma vida que decorria furtivamente e com um efeito perturbante de solidão, duma vida que parecia incomensuravelmente vazia de tudo quando pudesse acordar o pensamento, tocar o coração, sugerir a nefasta sequência dos dias. Aparecia-nos como uma terra sem memória, saudade do passado.''
Joseph Conrad, Kairan

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

E dormem mil gestos nos meus dedos.

Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta - por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.

Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.

E de novo caminho para o mar.
Hora, Sophia de Mello Breyner



Agosto, Jorge Silva Melo, 1987

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Venha que vento

When a woman ascends the stairs, Naruse, 1960

Wild Strawberries, Bergman, 1957

terça-feira, 28 de julho de 2015

tempo VS ritmo







France/tour/detour/deux/enfants (1977)

domingo, 26 de julho de 2015

Balanço do Curtas 2015

A Spell To Ward Off The Darkness, Ben Rivers + Ben Russell, 2014



Balanço do Curtas Vila do Conde 2015 À Pala de Walsh

sexta-feira, 3 de julho de 2015

uma memória é uma ocupação.


Pastoral: To die in the country (Shuji Terayama, 1974)