Novo milénio, a chegada do ''homo cosmicus''.

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Quero um erro de gramática que refaça
na metade luminosa o poema do mundo,
e que Deus mantenha oculto na metade nocturna
o erro do erro:
alta voltagem do ouro,
bafo no rosto.


Herberto Helder

Ofício Cantante - Poesia Completa

Assírio & Alvim, 2009 
.
Tree of Life, Malick, 2010


Moon, Duncan Jones, 2009


Another Earth, Mike Cahill, 2014


Nostalgia de La Luz, Patricio Guzman, 2010



















Gravity, Alfonso Cuarón, 2013


Olho para a generalidade do cinema de que gosto e observo como, em cem anos, se curva a intenção interventiva do seu retrato do homem :

Se a missão do século XX foi a de salvar o corpo humano da máquina, escravatura em imposição de tempos e em castração de sentimentos, no século XXI a máquina substituiu já totalmente o corpo, libertando-o para que o sistema lhe ocupe a mente. 

Então, o cinema reage lembrando como há que sair da máquina-frágil do corpo, propondo que a experiência humana se recupere fora de si, na medida do infinito, situada num cosmos hoje tão familiar e até aqui tão esquecido.
Ao virar do milénio, o cosmos já não é o incomensurável espaço sideral dos astronautas. 
Á permanente disposição da atenção humana, estende-se através do mais comercial cinema contemporâneo como uma possível chave para as mais existenciais questões científicas e filosóficas.



O século XXI é, para o cinema, a entrada do homem na sua medida universal. 

No poder esquemático da sua representação fantasiosa, há por notar como o cinema, desde os seus primórdios, ensaiou esse ''homo cosmicus'' com a antecipação de Méliès dos fôlegos espaciais que se lhe seguiriam:

Voyage Dans La Lune, Méliès, 1902

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